DESARTE. Linguagens Visuais! Arte Blog.

flickr facebook twitter tumblr feed
relatividade

History Channel - Brasil Documentário: "Einstein", em 2001. Em 10 capítulos
(youtube / history channel)

 

 

O que é a luz? Quais foram os grandes cientistas que iniciaram a sua pesquisa? É a luz fonte de inspiração divina? O primeiro episódio mostra-nos como as origens da ciência moderna vieram do desejo de penetrar na natureza divina da luz. (fonte: BBC by youtube por geoquantum)

 
click na imagem para ver maior
Antes de estabelecer valores ou juízos à questão da relatividade na vida e na arte, deve-se conceituar e restringir sua abordagem. Interessante que, a própria idéia de estabelecer valores ao tema, já destrói a possibilidade de pensar e conhecer de modo cético, tendo em vista que nossa “consciência ética de valores o condena na medida em que considera a aspiração à verdade como algo dotado de valor” (Hessen, 1999, p.34).

Este ceticismo ético, mais conhecido como relativismo, contesta a possibilidade de conhecer algo como real e verdadeiro. Já o ceticismo metódico, releva sua utilidade no campo da dúvida, devido ao seu questionamento ao que se apresenta como certo e verdadeiro à consciência natural, servindo para aguçar e apurar a validade da verdade alcançada, seja ela dependente do sujeito que julga ou dos fatores externos, mesmo que negue sua validade universal. Deve-se, portanto, conceituar com base na teoria do conhecimento, o subjetivismo e o relativismo, como ramos do ceticismo, porém, mais discretos, pois negam a verdade indiretamente, “na medida em que contestam sua validade universal” (ibidem. p.38). O relativismo restringe a validade da verdade, à influência do meio ambiente e aos valores já estabelecidos pelo círculo cultural, ou “espírito da época”. É importante considerar também, ainda no campo da possibilidade do conhecimento, o pragmatismo, que ao substituir o critério de avaliação do conhecimento, identifica como verdadeiro, o conhecimento que possa ser útil e favorável à vida, ou seja, que produza resultados práticos, de modo a facilitar nossa orientação pela realidade. Como dizia Nietzche, “A verdade não é um valor teórico, mas uma expressão para a utilidade, para a função do juízo que é conservadora de vida e servidora da vontade de poder”. Sob estas influências, encontramos uma sociedade caminhando para o abismo, tentando evitar verdades absolutas para criarem seus valores relativos, a fim de justificarem a ação, onde o que importa são os resultados e não a verdade. É por este caminho que tentaremos expor brevemente o impacto destes pensamentos na vida do homem “atual”. Relatividade na Vida Antes de aplicarmos o termo, devemos observar que à vontade do homem é influenciada pelos meios externos e internos de seu estado mental e emocional, mas a verdade transcende os meios, assim como o sujeito. Retornando ao passado, podemos buscar grande luz através de Agostinho:

“Pergunto a todos se preferem encontrar a alegria na verdade ou no erro: ninguém hesita em declarar que preferem a verdade, como em dizer que querem ser felizes. É que a felicidade é a alegria que provém da verdade. (...) Encontrei muitos que gostam de enganar, mas ninguém que quisesse ser enganado. (...) Talvez por amarem a verdade de tal modo que tudo de diferente que amam, querem que seja verdade; e, não admitindo serem enganados, também não querem ser convencidos de seu erro. Desse modo, detestam a verdade por amarem aquilo que tomam pela verdade. Amam-na quando ela brilha, mas odeiam-na quando os repreende”. (Confissões, p.232, 233)

O que nos leva a crer que o conceito de verdade, está estreitamente relacionado à existência e à ética, considerando a busca pela felicidade o maior apelo de nossa época. Hoje vemos as pessoas ou trocando de posição quando não podem trocar a verdade, estando sempre como sujeito dominante para julgar, ou fingindo que a verdade não é, a fim de não se criar juízo. “O importante é ser feliz”; escutamos isso o tempo todo, esta frase está implícita e explicita em todas as mídias disponíveis, de modo que as pessoas já não estão se preocupando com os valores morais estabelecidos, ou nas verdades absolutas alcançadas até agora, este fim está se tornando (ou já se tornou) em seu próprio meio. As pessoas estão preferindo os resultados, do que a verdade, mesmo que a mentira seja o meio de alcançar o melhor resultado. Para não haver conflito, faz-se necessário à destruição dos absolutos, principalmente, morais. É onde entra em sena o relativismo na vida, como venda aos olhos do homem que segue para o abismo, ouvindo a “voz do coração”. Mas o que dizer, quando ouvimos que, sua verdade é para você, cada um tem a sua? Talvez seja a maneira mais fácil de fugir da responsabilidade. Porém, assim como as estruturas matemáticas e a geometria, todos devem apresentar leis, afim de tornar possível nossa vida de forma harmoniosa com este cosmos. A tentativa corrupta do homem, de não querer reconhecer estas leis universais, quando estas vão contra suas aspirações, é o maior incentivador de doutrinas pervertidas, nós adoramos gastar tempo, desenvolvendo desculpas e sistemas para serem corrompidos. Relatividade nas Artes É muito mais fácil fazer arte ou tentar quando valores são moldados segundo a demanda do mercado, façamos uma campanha de marketing para definir o rumo da arte. Hoje vemos, o bombardeio da informação veloz e tecnológica minando a capacidade de pensar das pessoas; o pensar criativo, produtivo e artístico, mas, controlando este pensar para um resultado de mercado, onde tudo está voltado para a experiência, e esta passa a assumir o controle da verdade. “Nos envolvemos com o trivial e ficamos entediados por aquilo que é verdadeiramente significativo e transformador da história” (Horton, p.160). Contudo, não podemos definir como arte, a expressão cultural “enlatada”. Mas devemos buscar discernimento, para avaliar a arte neste contexto pragmático. A literatura é uma das primeiras expressões de arte a retratarem os pensamentos de uma época, de uma classe ou até de um povo. Nela observamos a apreensão de uma realidade, sem, contudo, abrigar-se numa verdade, pois o não saber, a imaginação da realidade ou uma não aceitação desta, compõe a graça desta arte, que nos desperta pelo interesse na leitura através dos apelos de uma sociedade, seja político, econômico, social, cultural ou religioso. Portanto não vejo na literatura, problemas com relatividade, tendo em vista que ela pode representar uma ficção, apresentar os pensamentos de uma sociedade e mesmo assim, não ferir o conceito de verdade universal, pelo contrário, seu testemunho particular pode lançar luz a uma verdade universal. Entretanto, por outro lado, devemos atentar, para o fato de que a literatura fundamentada na linguagem é também ideológica, podendo influenciar poderosamente uma sociedade.
 
Powered by Tags for Joomla

Publicidade

 

contact Contato

You are here Home