
O artista Paul Klee investiga os processos da forma, conjugando materiais e técnicas que tecem suas próprias relações. O que caracteriza sua obra é a compreensão da Modernidade, as correspondências com outras culturas e demais gêneros de expressão artística. O traço, não mediado pela referência à natureza, atua como instrumento de busca de uma forma mais livre, que se desdobra no tempo e no espaço, e exige a participação do espectador.
Palavras-chave: Paul Klee, arte moderna, poética, pintura
Paul Klee investigates the process of form, conjugating materials and techniques that weave their own relations. The artist understands the Modernity, its correspondences with the other cultures and means of artistic expression. The line, non mediated by references to nature, acts as an instrument in the search for a freer form, unfolding through space and time, and demanding the participation of the viewer.
Keywords: Paul Klee, modern art, poetics, paintings
(Artigo Completo em Anexo. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-106X2006000100009&script=sci_arttext)
Leia mais...

As consequências do sexo, 2009, 150x150 cm. Rodrigo de Souza Leão
Visitei hoje a exposição no MAM de Rodrigo de Souza Leão e tive o privilégio de conhecer melhor sua poética visual, sua família que estava presente e uma maravilhosa aula do Paulo Sérgio devido ao encontro sobre curadoria organizado pela Marta Mestre.
Não deixe de visitar a exposição: "Tudo vai ficar da cor que você quiser" com curadoria de Ramon Mello e Marta Mestre, que ficará no MAM até 15 de janeiro de 2012. E você verá o ímpeto da arte bruta com gestos cores e formas que nascem de um gênio criativo, do poeta ao pintor!
Leia mais...
Composição IV - 1911
A contribuição de Kandisnky para compreendermos a pintura moderna é fantástica. Como pensador, entendeu sua época com precisão e como visionário profetizou as futuras tendências das artes. Além de pensar seu contexto, produziu e praticou seus pensamentos, fez arte e nos deixou um legado consistente de obras visuais que servem de testemunha da sua teoria. Permitindo um precioso contato com uma das bases da arte moderna, em especial nos pilares da pintura abstrata. Há quem diga que sua maior contribuição às artes plásticas fora justamente sua obra teórica. Acredito que não seria a mesma sem a prova de sua sensibilidade como pintor. Do espiritual na arte nos conduz com riqueza de conteúdo e método às premissas e análises dignas de grande mestre, tanto nas letras quanto nas formas e cores. Este livro foi concluído em 1910. No mesmo ano que Kandinsky pinta seu primeiro quadro abstrato, uma aquarela. Esta ligação entre teoria e prática é uma das características essenciais da sua obra. Seu pensamento é rigoroso, mas nunca independente da sua sensibilidade. Em um ano (1911-1912) Do espiritual na arte teve três edições sucessivas, provavelmente um dos livros mais lidos nos ateliês e bibliotecas.
Leia mais...
Considerado o fundador da escola realista flamenga, coube a Jan van Eyck aperfeiçoar a recém-criada técnica da pintura a óleo, em telas que patenteiam uma técnica prodigiosa.
Jan van Eyck nasceu em Maaseik, perto de Liège, Flandres, antes de 1395. Durante muito tempo foi tido como o autor do chamado Livro de horas Milão-Turim, mas pesquisas posteriores demonstraram a incerteza de tal suposição.
A primeira informação segura a respeito da vida de Jan van Eyck foi sua nomeação como pintor oficial de João da Baviera, conde de Holanda, em 1422. Três anos mais tarde entrou para o serviço do duque de Borgonha, Felipe o Bom, para quem realizou várias missões diplomáticas secretas na Espanha e em Portugal.
Em 1431, Jan van Eyck comprou uma casa em Bruges (capital de Flandres Ocidental e importante centro comercial desde o Século 13), onde se casou e fixou residência.
As únicas obras conservadas de Van Eyck correspondem à última década de sua vida. A mais antiga e conhecida é o políptico "A adoração do Cordeiro místico" (1432) da igreja de são Bavo, em Gand, retábulo complexo que despertou controvérsias por causa da inscrição que atribui sua realização ao suposto irmão de Jan, Hubert van Eyck.
Embora documentos atestem a existência de Hubert van Eyck, sua intervenção na obra e a relação familiar com Jan permanecem polêmicas. O políptico de Gand, de qualquer modo, revela o naturalismo de Jan van Eyck, talvez influenciado pelo estilo de Robert Campin, e a tendência a introduzir na pintura elementos religiosos simbólicos de difícil interpretação.
O apogeu da arte de Jan van Eyck ocorreu com obras posteriores, como "Retrato de um jovem" (1432), "O casamento de Giovanni Arnolfini e Giovanna Cenami" (1434), "Madona do cônego Van der Paele" (1434-1436) e "Madona na fonte" (1439). Jan van Eyck morreu em Bruges, em julho de 1441. (fonte: Encyclopedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. - créditos: http://pitoresco.com.br)
Talvez o quadro mais conhecido de Van Eyck, onde registou o casamento de Arnolfini, pintado em 1434 e encontra-se na National Gallery em Londres.
Esta obra, apesar de ter a aparência de uma simples cena do quotidiano pode mostrar-se para além do que vemos, sendo um universo cheio de simbolismo relacionado com o matrimônio que exige uma análise a qualquer apreciador desta obra. Apesar de ser uma pintura num espaço limitado, o artista visou muitos elementos simbólicos para a realização desta cerimônia. Muitos deles não se vêm com grande pormenor nesta imagem, mas que são visíveis quando nos encontramos em frente dela.
No quadro estão representados Giovanni Arnolfini di Nicolao e a sua esposa Giovanna Cenami.
Existem diferentes teorias sobre o significado e interpretação deste quadro. Muitos dizem que é um gênero de uma certidão de uma cerimônia de casamento retratando assim o momento em que o casamento é celebrado.
Em primeiro lugar, a representação do casal, pelos trajes, os gestos e feições mostram a grande importância que têm perante a cerimônia. Também mostram as suas posses e riquezas pelas vestes, Giovanna está a utilizar um vestido com vários detalhes e um cinto que parece ser feito de ouro e Giovanni Arnolfini usa uma espécie de capote que parece conter pele de animal, o que geralmente são caros. Ambos parecem estar a utilizar anéis, algo, que para além dos casais utilizarem, só pessoas que faziam parte da burguesia e da nobreza é que utilizavam. A cama e o tapete também podem ser objetos que simbolizam a sua riqueza.
Pelo ambiente gerado na obra parece ser uma cena passada na época de Verão ou Primavera (devido as sandálias e a luz que entra pela janela) estes levam vestido grande e pesadas túnicas que podem confirmar a sua posição na sociedade e a sua situação econômica.
Giovanni Arnolfini era um rico comerciante italiano que vivia em Burges. Está vestido num estilo de negociante e tudo indica que estava prestes a sair de casa para ganhar os rendimentos da família. A janela aberta ao lado simboliza a sua vida mundana. A sua esposa está ao lado da cama, símbolo do seu papel como responsável da casa.
A união das suas mãos é o que nos leva logo a olhar, é como o elemento principal, o que caracteriza o momento. A mulher estende a sua mão direita sobre a mão esquerda de Arnolfini, o que, visto a pormenor, torna o braço de Giovanni mais pequeno do que devia, devido a dificuldade de Van Eyck a representar o momento. Também é notório o fato de Giovanni estar a olhar diretamente para o espectador, enquanto a sua esposa olha para o marido de forma prestável. (crédito: http://historiadaarte.pbworks.com)
{gallery}arte/JAN_VAN_EYCK{/gallery}
Metrópole – Aquarela / 60x80cm

Aquarela n .1 - Série Cidade / 56 X 76 cm

Aquarela n. 2 - Metrópole Noturno / 56 X 76 cm
Contato: ivanicastilho@uol.com.br
Ivani Castilho tem como grande inspiração em suas obras o freqüente olhar sobre sua cidade de origem: São Paulo. Para ela, as imagens captadas do centro durante a noite dão vazão à criação de belas telas. Graduada em Artes na Universidade Santa Marcelina, ela também obteve o aprimoramento de seu trabalho na Scuola Internazionale di Grafica, em Veneza. Nesta ocasião, em contato com múltiplas culturas, descobriu que a arte é uma linguagem universal.
Com o passar dos anos, a artista foi ‘afunilando’ seu estilo e hoje seu trabalho está mais focado na aquarela, técnica de sua preferência. Ivani atualmente ministra aulas em universidades e afirma que o contato com seus alunos fazem com que ela abra sua mente e aceite novos conceitos de arte. Além de ser professora, a artista mantém um ateliê na cidade de São Paulo, onde pinta suas obras.
Ivani trabalha com a abertura da mente pela transcendência da pintura, ou seja, para ela a arte deve ser multifacetada. Em seu trabalho a artista mistura a aquarela com técnicas diversas, como colagem, recorte, e com a utilização de diferentes materiais, como crayon e lápis. Além disso, faz uso da união de água e papel para dar mais transparência a seus quadros, sendo esse o ponto principal de suas pinceladas repletas de sentimentos.

Francisco José de Goya y Lucientes nasceu em Fuendetodos, Saragoça, em 30 de março de 1746. Ainda jovem conseguiu uma bolsa na Real Academia de San Fernando em Madri.
Em 1786 foi nomeado pintor da corte por Carlos III, nomeação confirmada por Carlos IV. Em 1799, era o primeiro pintor da corte, mas retirou-se em 1808, quando o trono foi ocupado por José Bonaparte.
Reassumiu o cargo em 1814, com Fernando VII, mas a restauração do absolutismo levou-o a isolar-se na Quinta del Sordo, e em 1824, a mudar-se para Bordéus, na França.
Goya começou sua obra pelos afrescos convencionais da capela de Nuestra Señora del Pilar, em Saragoça. Pintou em 1787 "O prado de São Isidro". Suas inclinações realistas só se afirmaram a partir de 1792, em quadros como "O manicômio", "O tribunal da Inquisición", "Procissão de flagelantes" e o mais marcante "O funeral da sardinha", cenas realistas em que há um fluxo subterrâneo de visões fantásticas.
Em 1800, no auge do prestígio, pintou seus quadros mais discutidos, "Maja desnuda" ("Mulher despida") e "Maja vestida", e o famoso "A família de Carlos IV", que é um exemplo de como introduzia traços grotescos nas figuras. Em todos o realismo ora explode em erotismo, ora detém-se na análise desapiedada dos modelos.
Goya pintou também os episódios da invasão francesa, como o "Três de maio", que representa uma cena de fuzilamento de composição insólita. "Sabá das bruxas" e "Saturno" são o ápice da carreira e manifestam uma visão sombria da realidade.
Goya foi tão importante na pintura quanto na gravura, onde pôde manifestar de forma extremamente expressiva o espírito do humor espanhol, que tende para a deformação e até para o trágico. Predominam a sátira social, cheia de sarcasmo, os motivos eróticos e a feitiçaria, como obra oposta à razão, pois Goya era um iluminista e fustigava as crendices do tempo. Emblemática é a que traz a inscrição "O sono da razão produz monstros". O charlatanismo, a avareza, a vaidade, são seus alvos.
A sátira está entretanto ausente na coleção mais célebre de Goya, "Os desastres da guerra" (1810-1814), na qual o artista rememora as atrocidades das invasões napoleônicas na Espanha. É também o Goya mais "heróico", que exalta os patrícios - sobretudo as mulheres - e mostra a infâmia dos invasores: uma sucessão de mutilações, fuzilamentos, saques, tentativas de estupro e outros males da guerra.
A coleção de gravuras "Tauromaquia" escapa desse universo atormentado, para mostrar as façanhas e heróis célebres da plaza de toros. Nessa coleção, editada em 1816, Goya desenvolve um clima de dinamismo e tensão raros na arte da gravura.
Por volta de 1819, realizou o último dos seus conjuntos e o de mais difícil abordagem, os "Disparates". Há neles um caráter crítico, em que volta o gênio sarcástico de "Os caprichos", mas os temas são genéricos e há maior liberdade de composição e de proporção das figuras.
Existe ainda uma pequena série de obras litográficas. Das águas-fortes dispersas a mais impressionante é a intitulada "O colosso", um gigante sentado defronte a um quarto crescente, com o rosto voltado para o contemplador, talvez o emblema mais contundente dos enigmas de seu gênio artístico. Goya morreu em Bordéus, em 16 de abril de 1828. (fonte: © Encyclopedia Britannica do Brasil Publicações em pitoresco.com.br)
Leia mais...
Cennino d'Andrea Cennini (1370 – 1440) foi um pintor italiano influenciado por Giotto. Ele foi aluno de Agnolo Gaddi. Cennini nasceu perto de Florença. Ele é geralmente lembrado pelo livro Il libro dell'arte, escrito no começo do século XV e que é um "manual de instruções" sobre a arte do Renascimento. Contém informações sobre pigmentos, pincéis, painéis, a arte do afresco, técnicas e dicas, incluindo detalhadas instruções sobre como fazer esboços. O livro também fornece algumas das primeiras informações sobre a pintura a óleo.
O Livro de Arte de Cennino Cennini traz, predominantemente, preceitos técnicos de pintura de um discípulo longínquo de Giotto. O início do tratado está repleto de tópicas cristãs, da latinidade letrada e artísticas, podendo-se identificar, aqui e ali ressonâncias de Horácio, Cícero, Quintiliano, Dante, Boccaccio, Petrarca, além da Bíblia e de outros textos teológicos. A definição de pintura de Cennino Cennini envolve fantasia e a operação de mão no retratar as coisas a partir dos 'exempla' da natureza. O Livro de Arte inicia os preceitos técnicos apresentando os materiais envolvidos no desenhar e no colorir, base da arte da pintura segundo Cennini. O desenho, enquanto 'ars' e 'ingenium', precede o colorir e o rilievo é produzido já a partir dele. A maior parte dos preceitos refere-se a pinturas em madeira, em parede (a fresco e a seco), em tela, mas o livro de Cennini trata também de como fazer relevos e moldar com gesso, com metal, como pintar tecidos, como fazer e ornar vestimentas de cavalaria, como pintar em vidro etc. O Livro de Arte é um dos últimos tratados de arte a ter parentesco com a tratadística medieval e antecede toda uma outra forma de se escrever sobre arte, a ser inaugurada por Alberti.

- "O grande amor nasce do profundo conhecimento das coisas amadas"
- "A pintura representa para os sentidos as obras da natureza com mais veracidade e precisão que as palavras ou as letras, uma vez que o olho se engana menos que o juízo(...) A pintura é uma filosofia".
- "A pintura aspira ver uma beleza que a encante, e é dona do poder de criá-la (...). Oh ciência maravilhosa! Tu conservas vívidas as perecíveis belezas dos mortais".
- "A ciência da pintura reside no espírito que a concebe; de onde nasce em seguida a execução bem mais nobre que a referida teoria ou ciência".
- "A elevada percepção visual que constitui o ato principal da pintura".
- "O branco não é uma cor, e sim o composto de todas as cores".
- "Todos os corpos se revestem de luzes e de sombras. As luzes são de duas naturezas: original e derivada. Original é a produzida pela chama do fogo, ou pela luz do sol, ou do ar; derivada é a luz refletida".
- "Chamo cores simples aquelas que não podem ser produzidas pela mistura de outras cores".
- "A sombra participa da cor do objeto de acordo com a menor ou maior distância, e com o grau de luminosidade do mesmo".
- "A superfície de todo corpo iluminado participa da cor da luz que o ilumina, e também tem a cor do ar que se interpõe entre o olho e este corpo; quer dizer, a cor do meio transparente interposta entre o objeto e a vista".
- "As coisas mais escuras que a área em que se destacam parecerão menos escuras à proporção que se distanciam; e a coisa mais clara que a área em que se destaca parecerá menos clara à medida que se distancia do olho. As coisas mais escuras e a mais clara que a área em que se projetam, a longa distância trocam de cor, porque a clara fica mais escura e as escuras tornam-se mais claras".
- "Quando o preto faz limite com o branco e o branco com o preto, cada um parece mais intenso no limite com seu contrário que na parte do meio de sua própria área".
- "O fundo deve contrastar com a figura; isto é: a clara no fundo escuro e a escura, no claro, o branco com o preto e o preto com o branco parecem mais potentes, um em relação ao outro, e, assim, os contrários mostram-se sempre mais potentes em presença um do outro".
- "Dentre cores iguais, apresentará maior beleza a que se encontre ao lado de sua cor contrária: o azul ao lado do amarelo-dourado e o verde ao lado do vermelho".
____________________________________
1 VINCI, Leonardo da. Tratado de la pintura del paysage, sombra y luz. Citado por PEDROSA, Israel. O Universo da Cor. Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 2004, passim.
|