Segue até 26 de fevereiro no Instituto Moreira Salles no Rio a exposição Manuel Álvarez Bravo: fotopoesia, com 250 imagens e enfatiza a produção seminal do fotógrafo entre os anos 1920 e 1950. A mostra foi produzida em colaboração com a Associação Manuel Álvarez Bravo, dirigida por Aurélia Álvarez Urbajtel e Colette Álvarez Urbajtel, respectivamente filha e viúva do fotógrafo, e conta também com o apoio do Museu de Arte Moderna, Instituto Nacional de Belas Artes, México. Manuel Álvarez Bravo é o nome de maior relevância na fotografia do século XX de seu país. Nascido na Cidade do México, cresceu em uma família que valorizava o contato com a cultura. Seus primeiros trabalhos fotográficos, exploram alguns elementos da tradição fotográfica pictorialista, influenciados pela obra de fotógrafos então atuantes no México, como Hugo Brehme, Guillermo Kahlo, pai da pintora Frida Kahlo, e Agustín Casasola, que documentou extensamente a revolução mexicana.
Fotografia: James van der Zee (esq.) / Nadar (dir.)
Na trajetória de Barthes, A Câmara Clara representa, de uma só vez, um momento de síntese e de ruptura. Considerando a dificuldade de lidar com um texto como este, repleto de manifestações subjetivas, este artigo tenta delinear as condições para que dele possamos extrair o esboço de uma teoria – original e desconcertante – sobre os potenciais da imagem fotográfica.
PALAVRAS-CHAVE: Barthes, Fotografia, Semiótica
Camera Lucida: Reflections on Photography (New York: Hill and Wang, 1981) represents, at the same time, a moment of synthesis and upture in the Barthes’ trajectory. Considering the difficulty of dealing with a text like this, which is full of subjective manifestation, we try to highlight the conditions in order to draft his theory – original and surprising - about the potential of the photographic image.
O sul-africano Pieter Hugo desfruta de uma imagética associada a um ecletismo próprio das próximas gerações. Também desloca o ponto geográfico, centrado na Europa e nos Estados Unidos, ao produzir em sua própria terra e redondezas, em seus arrabaldes, imerso nas idiossincrasias de sua arte mais atávica. Foi assim com a série “Nollywood”, de 2008, captada na Nigéria: Poderosos retratos oriundos de uma indústria de baixo custo que produz mais de 1000 filmes por ano. A distância do glamour cinematográfico é expressa com raridade estética. A mesma densidade é refletida em outra série “The Dog Master”cuja representação de um criador de hienas, como se fosse um simples cão, subverte as normas domésticas, do comum, do banal, nos impondo uma aproximação verdadeiramente surreal. (site do artista)
Com uma edição de imagens cuidadosamente engendrada, o livro Arpoador, do carioca Marcos Bonisson, não é aquele tipo de publicação de um fotógrafo já consagrado em que se enxerga algo que não deveria estar ali, deslizes da relação passional ou eletiva que os artistas mantêm com sua obra. Sua complexidade é paralela à economia com que o fotógrafo é capaz de produzir sua sintaxe, tão poucas vezes revelada em sua essência, na qual o fluxo (que poderia ser chamado de zen) é tensionado à medida que o fio condutor - ou o cordão do célebre arco - é esticado.
Arpoador é uma obra rara produzida por um raro artista. Essa percepção é instantânea a partir das primeiras páginas que propõem ao leitor o que será um percurso essencialmente metafísico, ancorado na mais pura transcrição da imagem fotográfica como arte. É composto de diferentes séries, produzidas a partir de 1997, como Balada do Corpo Solar, Zig Zag, Pedras de Toque e Aquarpex. Ao todo, sãos 58 imagens em p&b.
O livro traz ainda estudos de colagens, maquetes, desenhos e diagramas que colaboram com o leitor para que este penetre no universo particular de Bonisson. Não espere o desavisado encontrar ali as surradas paisagens da famosa praia carioca, onde se localiza a Pedra do Arpoador. Embora muitas vezes sustentado na geografia e na natureza, o roteiro proposto é interior e lúdico.
(Leia artigo de Juan Esteves na íntegra no clipping da Editora Nau, publicado na revista impressa Fotografe Melhor da Editora Europa, edição Novembro 2011)
Wank Carmo, carioca radicado em Roraima, foi destaque na última edição bimestral da revista Photo Magazine. O periódico dedicou cinco páginas, assinadas pelo jornalista Alcides Mafra, ao trabalho do fotógrafo, que busca retratar a Floresta Amazônica.
Leia um trecho da reportagem:
Entrincheirado em algum lugar da região amazônica, Wank Carmo manda notícias. Más notícias. Seus despachos chegaram até alguns blogues dedicados à fotografia (como o de Clicio Barroso) e seu trabalho saiu na revista de Bob Wolfenson. A mensagem é curta e grossa: a Amazônia está queimando. Andarilho em busca de uma causa, esse carioca de 55 anos vive em Boa Vista, capital de Roraima, depois de bater perna por quase todo o país. Discípulo de Cartier-Bresson e de Sebastião Salgado, Wank está empenhado num ativismo solitário: denunciar a destruição da floresta e os responsáveis por isso. “Vou continuar fotografando e provando que esses caras são inimigos da raça humana”, promete.
Fotojornalista e Documentarista carioca, enraizado roraimense. Em mãos de um trabalho consistente - fotografias de rios, cachoeiras, igarapés, florestas, bichos e pessoas - Wank enfatizou seus mais de trinta anos de profissão sob a sustentação da cor e do estudo como primazia de suas idéias. "Assim como a poesia se constrói também de diversas relações, eu percebo no foco da minha câmara, o retrato de algo sem igual, e até mesmo no breu de uma gruta por uma luminosidade de lanterna, dou graça à fotografia", disse Wank.
Referindo-se a estética da fotografia de moda e cinema, Wank diz alguns detalhes são fundamentais sobre cada situação, "na moda, expressões de movimento dão melhor contextualização a foto; no cinema os melhores enquadramentos são uma busca minuciosa e reflexiva".
Das fotos de jornal impresso, Wank examina, "esta particularidade se deve ao animo de ação real da capital. Das interferências, muitas vezes agressivas do dia a dia, onde os focos são de grande parte, acidentes, buracos, sujeira nas ruas, argumentos políticos e pouca felicidade", disse.
A professora Dra. Maria Eliana Facciolla Paiva (UFRGS) em seu artigo "Estética e comunicação na fotografia": "A fotografia constrói modelos de comunicação com base numa certa habilidade estética, numa defesa da arte quase pictórica utilizando método, técnica e teoria". E nesta categoria Wank Carmo é um ser fantástico. (via: mythospoetico)
Seu trabalho traz a força e a poética da cor como se pode ver na sua série de Peixes e como nos menores detalhes da flora. A cor é um elemento de sustentação de seus trabalhos, além de trilhar com rigoroso gosto e competência na área do PB, mantendo uma estreita ligação com esta linguagem.
Na segunda metade do século XIX, o "Pictorialismo"(2) tornou-se o primeiro movimento ligado à prática da fotografia a manifestar o desejo de alcançar a dignidade e o estatuto de uma artisticidade refinada ou "sallonard", a que nessa época, de conflito entre a moral e a ciência, só a pintura e a escultura pareciam poder aceder. Determinado pelo elaborado domínio académico e todo-poderoso das chamadas Belas-Artes, essa matriz de espiritualidade culta tornou-se uma espécie de obsessiva tarefa para a nova epistemologia da imagem que ainda hoje designamos por Fotografia. Mas, como manifestação redutora e artificial, o "Pictorialismo" revelar-se-ia uma falsa partida, permanecendo associada a fotografia, pelo menos até meados do século XX, e apesar da reivindicação crescente sobre a sua especificidade artística, a uma certa ideia de menoridade, apressadamente justificada pelo espartilho da pequena escala ou de uma produção na sua esmagadora maioria realizada na exploração cromática do preto e branco, ou dos seus matizes cinzentos, para além de parecer estar muito mais dependente do exercício mecânico, o seu "pecado original", do que de uma manualidade expressiva e artesanal, limitando assim a manifestação dessa subjetividade essencial, fundadora do mito romântico do artista criador. Essa máquina que fixava o instante ou a pose da humanidade, associada à mágica e "alquímica" transformação-revelação da imagem captada, justificara inconscientemente a manutenção da disciplina da fotografia numa espécie de referência menor. Só no final do século XX, com o desenvolvimento tecnológico a permitir a impressão fotográfica de grande formato, é que a fotografia viria a disputar com a pintura a ocupação das paredes dos museus e dos centros de arte de todo o mundo, produzindo a sua própria "imagem-quadro" e ocupando finalmente um lugar de destaque na história desse conceito chave desde a Renascença(3). Depois de várias décadas de pequenas salas para pequenos formatos, a fotografia conseguia finalmente projectar a dimensão artística numa posição de igualdade, com a cor e a grande escala da imagem a promoveram, por assim dizer, a tão ambicionada ascensão ut pictura.
A nova plataforma para artistas da imagem, 500px.com, está revolucionando com extrema simplicidade a experiência com imagens na web. Se você é fotógrafo e ainda não viu, não sabe o que está perdendo, tudo fácil. Criar conta, gerir portfólio e muito mais. É uma comunidade fascinante. Se você gosta de apreciar belas imagens, passe por lá também. Já criei minha conta!
Os artistas Luiza Baldan, Joana Traub Czekö, Ana Angelica Costa, Claudia Hersz, Claudia Tavares, Eduardo Delfim, Keyla Sobral, Rebeca Rasel, Renata Ursaia, Tom Lisboa e Patricia Gouvêa (que assina a curadoria) inauguram no dia 21 de outubro, às 19h, a coletiva TEMPO FUTURO/FUTURO DO TEMPO na Galeria do Ateliê, Av. Pasteur, 453, Urca. Entrada franca.
A exposição apresentará obras em vídeo, fotografia e web art. No dia da abertura a artista Gabriela Maciel fará uma performance especial, mesclando som e projeção livre, com a assessoria de uma equipe multimídia composta pelo DJ Nado Leal, Pedro Meyer, Julio Costa, Breno Fortes, Daniel Chiacos e Luiz Ratón. Em seguida haverá uma sessão de vídeos TEMPOS PROJETADOS, com trabalhos de Renata Ursaia, Renato Vallone, Susana Guardado e Patricia Gouvêa, em loop.
TEMPO FUTURO/FUTURO DO TEMPO foi apresentada no OFF Paraty, festival paralelo ao Paraty em Foco, realizado em setembro. Uma das novidades da versão carioca é uma obra em papel da paraense Keyla Sobral, uma das selecionadas "polêmicas" do II Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia deste ano, com uma série de desenhos com nanquim onde a fotografia era o tema, e não o suporte.
Nascido em Nova Jersey, em 1917, Penn estudou design e pintura no Philadelphia Museum School of Industrial Art e trabalhou como assistente na Harper’s Bazaar em 1939.
Em 1943 foi contratado por Alexander Liberman – diretor editorial da Condé Nast – para dar idéias para as capas da revista Vogue. Como os fotógrafos ignoravam as recomendações de Penn, ele mesmo resolveu executar sua idéia e decidiu fotografar-la. A imagem que levou para Liberman foi a primeira das mais de cem capas da Vogue, criadas a partir de suas fotografias. Foi ele também o primeiro a colocar ilustração numa capa de revista.
Tecnicamente, tornou-se um virtuoso, utilizando diferentes câmeras e equipamentos para diferentes trabalhos conforme suas necessidades estéticas. Mas usava sempre fundos simples, cinza ou brancos, montados em estúdio, fosse no Brooklin com modelos (sua esposa Lisa Fonssagrives), artistas, aristocrátas ou em algum lugar do mundo, onde montava um estúdio portátil para fotografar aborígenes e hippies. Penn acreditava que o fundo neutro captava a verdadeira natureza, que cenários limpos enfatizavam a modelo, roupa ou acessório fotografado.