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expressionismo

Composition-VI

Kandisnky, Composição VI, 1913, 195x300 cm

Kandinsky passou quase seis meses se preparando para criar essa pintura, num primeiro momento a intenção da obra era para evocar uma enchente, o batismo, destruição e renascimento, tudo ao mesmo tempo. Ele esboçou pela primeira vez o trabalho em um painel de grandes dimensões em madeira, mas logo sofreu um bloqueio artístico, e viu-se incapaz de pintar. Gabrielle Munter, sua assistente na época, disse que ele foi bloqueado, e ele precisava libertar-se de seu aparato intelectual em torno da pintura. Ela sugeriu que ele simplesmente repetisse a palavra "uberflut", que significa "inundação" ou "dilúvio", enfocando o som da palavra ao invés de seu significado, liberando sua mente do bloqueio artístico e ao se concentrar apenas na música da palavra, Kandinsky voltou ao trabalho, e concluiu a pintura em três dias, o tempo todo repetindo a palavra como um mantra.

 

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Wassily Kandinsky, em russo Василий Кандинский, (Moscou, 16 de dezembro de 1866 — Neuilly-sur-Seine, 13 de dezembro de 1944) foi um artista russo, professor da Bauhaus e introdutor da abstração no campo das artes visuais. Apesar da origem russa, adquiriu a nacionalidade francesa. 

As pinturas de Kandinsky do período em que fez parte do grupo Der Blaue Reiter ("O cavaleiro Azul") (1911-1914), foram compostas por massas coloridas largas e bastante expressivas, avaliadas independentemente a partir de formas e linhas que já não serviam para delimitá-las. Estas seriam sobrepostas numa forma bastante livre para formar pinturas duma força extraordinária. A influência da música foi bastante importante no nascimento da arte abstrata, como sendo abstrata por natureza, este não tenta representar o mundo exterior mas antes para expressar, numa maneira imediata, os sentimentos interiores da alma humana. Kandinsky às vezes usava termos musicais para designar o seu trabalho; ele chamou a muitas das suas pinturas espontâneas “Improvisações”, e “Composições” a outras muito mais elaboradas e trabalhadas em comprimento, um termo que ressoou nele como um orador. Além da pintura Kandinsky desenvolveu a sua opinião como um teórico da arte. De fato, a influência de Kandinsky na história da arte do ocidente talvez resulte mais dos seus trabalhos teóricos do que propriamente das suas pinturas.

 Ao mesmo tempo que escrevia “Do espiritual na Arte”, Kandinsky escreveu o Almanaque do Cavaleiro Azul, que serviram tanto como defesa e promoção da arte abstrata, assim como uma prova de que todas as formas de arte eram igualmente capazes de alcançar o nível da espiritualidade. Ele acreditava que a cor podia ser usada numa pintura como uma coisa autónoma e distanciada de uma discrição visual de um objeto ou de uma forma.

 Desenvolveu a arte abstrata até o fim de sua vida. Junto a Piet Mondrian e Kasimir Malevich, Wassily Kandinsky faz parte do "trio sagrado" da abstração. (fonte: wikipédia)

"Em muitos aspectos a arte é semelhante à religião"

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artistas

Blue Rider Artists. Maria and Franz Marc (left), Heinrich Campendonk (second from right), and Wassily Kandinsky (seated), 1911

 

Fichamento do Livro: Conceitos da Arte Moderna NIKOS STANGOS Editor: Jorge Zahar Pág. 27 a 43. Escrito por Norbert Lynton.

Toda ação humana é expressiva; um gesto é uma ação intencionalmente expressiva. Toda arte é expressiva - de seu autor e da situação em que ele trabalha -, mas uma certa corrente artística pretende impressionar-nos através de gestos visuais que transmitem, e talvez libertem, emoções ou mensagens emocionalmente carregadas. Tal arte é expressionista. Uma considerável parcela da arte do século XX foi desse gênero, especialmente na Europa Central, e o rótulo “expressionismo” foi-lhe aplicado (assim como às tendências comparáveis na literatura, arquitetura e música ). Mas nunca houve um movimento chamado expressionismo. (Pag. 27)

Períodos de crise, em especial, parecem produzir artistas que canalizam as ansiedades de seu tempo para as suas obras. Uma vez admitida a personalidade do artista como fator determinante do caráter de uma obra de arte, como se viu em escala crescente durante o Renascimento, a arte pôde funcionar cada vez mais abertamente como um meio auto-revelação. (Pag. 27)

2- Descobriu-se que o tema, tendo servido como o veículo para gestos expressivos (em certa medida, como o aceitável capa de açucar em redor da pílula do significado), podia ser inteiramente abandonado. O poder expressivo de cores e formas, de pinceladas e textura, de tamanho e escala, era demostravelmente suficiente. Pag.27

3- Rembrandt fez da cor, do chiaroscuro e do pincel, da linha e do contraste em seus desenhos e águas-fortes, inclusive do tema, foi subjetivo em um grau sem precedentes. Quando sua fama aumentou, por volta de 1800, o conhecimento de sua carreira habilitou-nos a representá-lo, a nossos próprios olhos, como o original outside moderno, o gênio rejeitado pela sociedade porque ele conhecia a sua verdadeira natureza e trabalhou em grande parte contra ela. (Pag. 29)

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Rembrandt, auto-retrato

4- O Iluminismo do século XVIII valorizava a ordem acima do indivíduo, mas isso foi invertido com o advento do romantismo. Goya, Blake, Delacroix e Friedrich foram notáveis colaboradores numa campanha de introspecção e, em certa medida, de questioamento social, que varreu de uma ponta à outra todos os campos da arte. (Pag. 29)

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Goya, 1808

5- O renovado romantismo do final do século XIX tornou-se a base imediata do espressionismo moderno. A rejeição da civilização européia por Gauguin e sua celebração de uma existência alternativa em forma e cor emocionais; a súbita mudança da arte requintada de Ensor para uma técnica intencionalmente chocante em que apresentam temas igualmente chocantes; o uso de imagens alucinatórias por Munch, através das quais empresta forma pública às angustias pessoais; a apaixonada, mas controlada, deformação da natureza por Van Gogh e a intensificação da cor natural, a fim de criar uma arte violentamente comunicativa – esses foram os modelos imediatos para os pintores do século XX que buscavam meios expressivos. O exemplo de Rodin, que pôde transmitir emoção convincentemente através da superfícies e poses forçadas da figuras, ofereceu uma base análoga para a escultura moderna. A máquina fotográfica tinha, nesse meio – tempo, feito do naturalismo puro e simples lugar-comum. (Pag. 29)

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Gauguin, 1894

6- Apoio e estímulo vieram também de muitas outras direções – do mundo de sofrimento e sensibilidade anormal tornado palpável nos livros de Dostoievski, da maneira e do conteúdo agressivo das peças de Ibsen e Strindberg, da brilhante e acerba visão de Nietzsche de um mundo sem Deus e a retórica desafiadora em que a apresentou (“aquele que seria um criador ...deve ser primeiro um destrui-dor e despedaçar os valores”), enfim, dos movimentos místicos dos últimos cem anos, em especial, a teosofia de Ruldof Steiner. (Pag. 29 e 30)

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Edvard Munch, 1899, Dança da vida

7- O expressionismo floresceu de forma especilamente abundante na Alemanha moderna. O movimento Sturm und Drang do final do século XVIII tinha sido uma tentativa pioneira de quebrar a influência da cultura mediterrânea sobre um povo nórdico, e o expressionismo alemão do início do século XX estava impregnado de suasa idéias e literatura. Política e socialmente, a Alemanha moderna foi o mais conturbado dos países europeus, com cidadãos de mentalidade de extrema direita e de extrema esquerda usando métodos também extre-mos em suas batalhas pela supremacia, e guerras desatrosas somando-se às misérias ocasionadas por uma industrialização e uma urbanização super-rápidas. (Pag. 30)

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Vicent Van Gogh, 1890, campo de trigo com corvos

8- O expressionismo está principalmente associado a dois grupos informais de artistas: o grupo Die Brücke (A Ponte), de Dresden, formado em 1905 e dissolvido em 1913, e os artistas de Munique que expunham sob a égide de um almanaque intitulado Der Blauer Reiter (O Cavaleiro Azul), do qual só veio a ser publicado em único número em 1912. (Pag. 30)

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Kandinsky, 1903, The blue Rider

9- A guerra de 1914-18 pôs fim à carreira de alguns dos principais expressionistas e deixou para trás uma Alemanha muito diferente; e depois de 1918, a primazia histórica em arte é geralmente atribuída ao movimento Dadá, especialmente efetivo em Berlim durante os primeiros anos do pós-guerra, aos ensaios de arte-e-indústria da Bauhaus e ao movimento contra o expressionismo dos anos 20 que recebeu o nome de Die Neue Sachlichkeit (A Nova Objetividade). Assim o clímax da pintura expressionista ocorreu antes da guerra, embora a principal atividade expressionista na literatura e na arquitetura (o que existia dela) viesse depois da guerra. (Pag. 31)

10- A palavra expressionismo não pretendia, em geral, significar nada de mais precioso do que subjetivismo antinaturalista. (Pag. 31)

11- Os jovens do Die Brücke não tinham intenções estilísticas.(...) Não tinham teorias. O que tinham para oferecer era juventude e impaciência. Suas pinturas, gravuras e ocasionais esculturas readquiriram parte do vigor que a arte alemã perdera desde que a Renascença invadiu o norte europeu. Não tinham programa. Escreveu Kirchner num manifesto de 1906: “Estão conosco todos aqueles que,diretamente e sem dissimulação, expressam aquilo que os impele a criar(...) Conheciam alguma coisa dos fawves; admiravam Munch e gradualmente descibriram Van Gogh; tornaram-se apaixonadamente interessados pela arte africana e por outras artes primitivas. (Pag. 32)

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Ernst Ludwig Kirchner: Spielende nackte Menschen, 1910

12- Wilhelm von Bode, famoso diretor dos museus de Berlim, receava que os expressionistas trabalhassem “não no inocente desejo de criar, mas com a ambição de se fazerem notar a todo custo”. O impressionismo ainda era para muitos o arquiinimigo da decência artística; essa arte mais tempestuosa que viera substituir o impressionismo era ainda pior e confirmava seus temores. (Pag. 33)

13- Uma outra organização surgiu mais ou menos nessa época: a revista e empresa – editora de Herwarth Walden, Der Sturm, iniciou suas atividades em 1910, e sua galeria de arte, com o mesmo nome, foi inaugurada em 1912. Der Sturm tornou-se uma importante força na divulgação das tendências de vanguarda alemãs e centro – européias, mas Walden realizou mais do que isso: levou à Alemanha exposições de arte estrangeira que foram influentes sobre os interesses alemães e, ao mesmo tempo, indicativos desses interesses. Sua primeira exposição, em março de 1912, combinou uma individual do austríaco Oskar Kokoschka e uma coletiva dos pintores do Blaue Reiter de Munique. (Pag.33)

Der Sturm October 1917

14- O individualismo desse gênero foi afirmado em graus variáveis e com justificações várias por muitos expressionistas. Se, de fato, expressionismo significa alguma coisa, ele quer dizer o uso da arte para transmitir a experiência pessoal(...) Artistas como Kirchner, Kokoschka, Nolde etc., parece terem confiado na auto – expressão mais ou menos imediata, na suposição de que isso, se for suficientemente direto, será facilmente cocomunicado a um espectador sem preconceitos. Outros artistas, porém, sentiram a necessidade de testar seus meios e seus impulsos, e modelar gradualmente uma linguagem controlável na qual formulassem suas mensagens pessoais. (Pag. 35)

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Oskar Kokoschka - Portrait of a Girl, circa 1913

15- Os artistas de Der Blaue Reiter eram desta segunda espécie. Der Blaue Reiter foi o nome do almanaque publicado em Munique em maio de 1912. (Pag.35)

16- Gradualmente, sob a influência do primitivismo russo e bávaro, e seguindo o exemplo do fauvismo (que estudou em primeira mão em Paris), Kandinsky reduziu o naturalismo em sua arte e ampliou bastante o seu poder liricamente expressivo.(...) Kandinsky, desenvolveu ainda mais essa arte sem tema, não rejeitando necessariamente todos os indícios de figuração, mas colocando sua ênfase na expressividade total de suas pinturas e por vezes, usando técnica meio improvisadas, a fim de obter o máximo de imediatismo possível.

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Wassily Kandisnky 1913, Composition VI

17- Franz Marc (1880-1916) tentou um movimento comparável de uma arte orientada para o objeto para uma arte de expressão lírica. O papel que a música desempenhou na vida criativa de Kandinsky, levamdo-a à análise teórica e encorajando-o em sua busca de expressão direta, foi desempenhado para Marc por animais. Ele viu em seus olhos uma inocência perdida pelo homen, uma sincronia com ritmos da natureza da qual o homem se divorciara, e pintou-os como imagens simbólicas e também como objetos de comtemplação para alcancar o esclarecimento. (Pag.36)

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Franz Marc, 1911, Os Cavalos Azuis grandes

18- O exemplo de Delaunay foi também de especial importância para August Macke (1877-1914) e para Paul Klee (1879-1940). Kandinsky e Javlensky apoiaram-se principalmente na arte emocional relativamente aberta do fauvismo; Marc, Macke e Klee descobriram em Delaunay um cubismo poético e construtivo. Quando Kirchner e outros eram influenciados pelo cubismo, aprendiam com ele principalmente os meios formais e composicionais de desintegração e nitidez, ao passo que os artistas do Blauer Reiter apreciavam Delaunay por sua harmonias de cor e de estrutura. Viram-no como um construtor e, assim, como o filho direto de Cézanne.

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Robert Delaunay, torre Eiffel 1909-1914

19- A revista Der Blauer Reiter, seria uma compilação de artigos destinados a elucidar suas próprias atitudes e apresentar trabalhos semelhantes em outros lugares e em outros veículos, e a ilustrar o lugar ocupado por essas atividades no contexto mais amplo da criatividade humana. Não apenas a “bela arte” civilizada, mas também a arte e o design primitivos. Não apenas a arte como esporte da civilização, mas também a arte como veículos de esperanças e medos humanos a arte religiosa. Não apenas arte, mas também música, poesia, teatro e o resto. Não apenas obra alemã, mas contribuições da Rússia, França, Itália, todas ligadas pelo desejo de encontrar novos meios de expressão através dos quais transmitir a essência profunda da humanidade. (Pag.37)

Heinrich Campendonk

Heinrich Campendonk. Mann, Pferd, Kuh. c.1918

20- Diante das mudanças nas áreas da ciências e da tecnologia, optou pelo caminho oposto ao percorrido por futurista e construtivista: voltou as costas ao mundo material ou, pelo menos, tentou corrigir o desequilíbrio causado pela ênfase no progresso material ao consignar a arte ao mundo do espírito.

21- Kandinsky procurou ligar diretamente a matéria visual da arte à vida interior do homem. A abstração não era essencial para isso, mas, antes a harmonização dos meios pictóricos com os anseios emocionais e espirituais do artista. Em vez de reforçar os falsos valores de uma sociedade materialista, a arte assim usada ajudaria as pessoas a reconhecerem seus próprios mundos espirituais. (Pag.38)

22- Escreveu Klee: “Quão mais pavoroso este mundo se torna, como agora, mais a arte se torna abstrata”.(...) Adotaram as maneiras enérgicas do expressionismo do Die Brücke, assim como recursos simbólicos que remontam ao tempo de Dürer, a fim de declararem peremptoriamente sua repulsa pelos acontecimentos de seu tempo. (Pag. 39)

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Paul Klee, 1918, Flower Myth

23- A arte alemã dos anos do pós – guerra tende a ser agrupada sob rótulos tais como dadaísmo, nova objetividade e elementarismo (uso elementarismo para indicar os numerosos movimentos alemãs de 1920 em diante, interessados na exploração da forma geométrica como tal, sob a influência do radicalismo russo e holandês). Esses rótulos, ou a adesão irrefletida a ele, interferem bastante em qualquer compreensão adequada do que esses artistas estavam fazendo. (Pag.39)

24- A continuidade de design visionário expressionista pode ser indicada, em certa medida, pelos cenários para o teatro e o cinema alemães dos anos 20. Em todos os demais aspectos que não as belas – artes, os anos de 1918-23 marcam o auge do expressionismo.

25- Também foi em 1919 que Walter Gropius inaugurou a Bauhaus em Weimar. Iria tornar-se famosa como a escola pioneira do ensino e prática do design industrial e da arquitetura modernos, mas inicialmente a Bauhaus também funcionou sob a égide do expressionismo. Gropius (1833-1969) estivera envolvido na exposição da Galeria Neumann e colaborara também na Frühlicht. A equipe que ele reuniu em Weimar consistia quase exclusivamente de pintores e os mais importantes deles – Feininger, Klee, Kandinsky – são expressionistas. (Pag.41)

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Johannes Itten 

26- Em 1916, Itten instalou em Viena uma escola particular de pintura. Ele era todo o corpo docente dessa escola, e seus estudantes variavam consideravelmente em capacidades e inclinações; assim Itten descobriu o que passou a ser conhecido como o curso básico ou fundamental, um curso de iniciação programado para familiarizar o estudante com o caráter dos materiais e as potencialidades dos recursos da arte. Gropius levou Itten para Weimar a fim de administrar um curso análogo na Bauhaus. Retrospectivamente, Itten sublinhou uma outra função do seu curso, “a autodescoberta do indivíduo como personalidade criadora”. O que conhecemos dos exercícios que Itten deu ao seus alunos, assim como de sua própria obra nas áreas da pintura e de tipografia, mostra com clareza que ele estava advogando uma arte de expressão, tanto através dos meios abstratos quanto através também do tema e da ênfase dramática. Resistiu à tentiva de Gropius, em 1922-23, de orientar a Bauhaus, em sua preocupação com a auto – expressão artística, para um envolvimento objetivo no design socilamente útil; e no começo de 1923, Itten teve que ser intimado a se demitir da escola. (Pag.42)

 

Windows and roofs (yellow-red), 1919

Paul Klee (1879-1940, Berna, Suíça) é, sem dúvida, um dos grandes nomes da arte moderna. Apesar de não estar vinculado exclusivamente a nenhuma das correntes da vanguarda, estabelece estreitas relações com algumas de suas propostas.

Ele compartilha da necessidade de instituir as bases de uma nova arte, livre das convenções, aproximando-se do ponto de partida de uma linguagem que evidencia a crise de uma longa tradição. Klee confirma sua vocação artística, inicialmente hesitante entre a música, a poesia e o desenho, investindo nas artes plásticas, sem descuidar das afinidades decorrentes das diferentes formas de expressão artística. A crença na mútua expansão dos limites entre vida e arte o impulsiona a se afastar da academia em Munique (1903) e desenvolver um trabalho que oscila entre expressão e construção.

Como os artistas do expressionismo alemão e francês, Klee supera o caráter essencialmente sensorial impressionista, mas contesta a excessiva subjetividade expressionista, refletindo sobre a obra a partir da experiência dos meios pictóricos. Apesar de compreender perfeitamente a ruptura espacial cubista em seu caráter geométrico construtivo, ele não crê na expansão de um racionalismo estético e ambiental, disseminado nas demais propostas construtivas. O que importa é penetrar em uma região habitada por signos não conscientes, buscando na memória os restos de lembrança mais intensos, resistentes aos processos atingidos pela consciência. (O avesso do visível – poética de Paul Klee por Maria Beatriz da Rocha Lagôa)

Extraordinariamente inventivo em seus métodos e técnicas, Klee trabalhou com vários materiais diferentes – tinta a óleo, aquarela, tinta preta, rascunho, e outros. Na maioria das vezes, ele combinava esses materiais em uma só obra. Ele usava tela, estopa, musselina, linho, gaze, papel-cartão, limalha, tecido, papéis de parede, e papel-jornal. Klee fazia uso de pintura a esguicho (spray), recortes com facas, carimbos e verniz, e misturava, por exemplo, óleo com aquarela ou aquarela com caneta e tinta indiana.

Ele era um desenhista nato, e, através de seus extensivos experimentos, desenvolveu um domínio da cor e da tonalidade. A maioria de seus trabalhos combina estas habilidades. Ele usa uma grande variedade de paletas de cores, que seguem desde o quase monocromático até ao altamente policromático. Usa freqüentemente formas geométricas, além de letras, números, e setas, e as combina com figuras de animais e de pessoas. Algumas obras eram completamente abstratas. Grande parte de suas obras e seus títulos refletem seu humor seco e seus ânimos variados; algumas expressam convicções políticas. Suas obras aludem, freqüentemente, à poesia, à música e aos sonhos, e, às vezes, incluem palavras ou notações musicais. Suas últimas obras são distintas por símbolos “hieroglíficos”.

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White crucifixion 1938

Marc Chagall (Vitebsk, Bielorrússia, 7 de julho de 1887 — Saint-Paul-de-Vence, França, 28 de março de 1985) foi um pintor, ceramista, gravurista e vitralista russo-francês. De seu verdadeiro nome Moishe Zakharovich Shagalov iniciou a sua formação artística quando entrou para o ateliê de um retratista famoso da sua cidade natal.

Lá aprendeu não só as técnicas de pintura, como a gostar e a exprimir a arte. Ingressou, posteriormente, na Academia de Arte de São Petersburgo, de onde rumou para a próspera cidade-luz, Paris. Ali entrou em contato com as vanguardas modernistas que enchiam de cor, alegria e vivacidade a capital francesa. Conheceu também artistas como Amedeo Modigliani e La Fresnay. Todavia, quem mais o marcou, deste próspero e pródigo período, foi o modernista Guillaume Apollinaire, de quem se tornou grande amigo. (wikipédia).

Marc Chagall criou seu próprio mundo colorido de mitos e mágica, cheio de estranhas criaturas e eventos miraculosos. Ainda assim, sua arte foi essencialmente baseada em memórias e experiências reais, que ele transmutou no caldeirão de sua imaginação. Um homem quase inteiramente absorvido por seu trabalho e sua vida familiar, destinado a confrontar-se com as mais variadas culturas, a atravessar guerras e revoluções e a passar por fugas e exílio. Conseqüentemente, em qualquer relato sobre Chagall, a arte e a autobiografia estão intimamente interligadas, ainda que de forma indireta. (pintoresfamosos.com.br)

Iniciou-se em pintura no ateliê de um retratista local. Em 1908 estudou na Academia de Arte de São Petersburgo e, de volta à cidade natal, conheceu Bella, de quem pintou um retrato em 1909 (Kunstmuseum, Basiléia).

Seguiu para Paris em 1910, ligando-se a Blaise Cendrars, Max Jacob e Apollinaire e aos pintores Delaunay, Modigliani e La Fresnay.

Marc Chagall trabalhou intensamente para integrar seu mundo de fantasias na linguagem moderna, derivada do fauvismo e do cubismo.

Obras importantes desse período são "Moi et le village" (1911; "Eu e a aldeia"), "L'Autoportrait aux sept doigts" (1911; "Auto-retrato com sete dedos"), "La Femme enceinte" (1912-1913; "Mulher grávida"), "Le Soldat boit" (1912; "O soldado bebe").

Quase todos esses títulos foram dados por Cendrars. Coube a Apollinaire escolher as telas que Chagall expôs em 1914 em Berlim, com grande influência sobre o expressionismo de pós-guerra.

Quando explodiu a guerra, Chagall, de volta à Rússia, foi mobilizado, mas ficou em São Petersburgo. Em 1915 casou-se com Bella.

Irrompendo a revolução socialista de 1917, foi nomeado comissário de belas-artes do governo de Vitebsk. Fundou uma escola aberta a todas as tendências, entrou em conflito com Malevitch e acabou demitindo-se.

Na mesma época, pintou murais para a sala e o foyer do teatro judeu de Moscou.

Retornou a Paris em 1922. Por encomenda do editor Ambroise Vollard, ilustrou a Bíblia e executou 96 gravuras para uma edição de Almas mortas de Gogol, só publicada em 1949.

Em 1927 ilustrou também as Fábulas de La Fontaine (cem gravuras publicadas em 1952). São dessa fase suas primeiras paisagens, bem como quadros que renovaram o tema lírico das flores.

Em 1931 Chagall visitou a Palestina e a Síria e publicou Ma vie (Minha vida), autobiografia ilustrada por gravuras que já haviam aparecido em Berlim em 1923. Em 1933 realizou grande retrospectiva no Kunstmuseum de Basiléia.

A partir de 1935 o clima de guerra e de perseguição aos judeus repercutiu em sua pintura, na qual os elementos dramáticos, sociais e religiosos passaram a tomar vulto.

Em 1941 foi para os Estados Unidos, onde em 1944 morreu Bella Chagall, causando-lhe grande depressão. Mergulhou de novo no mundo das evocações e concluiu o quadro "Autour d'elle" ("Em torno dela", Musée National d'Art Moderne, Paris), iniciado em 1937 e que se tornou uma síntese de sua temática. Em 1945 pintou grandes telas de fundo, cenários para o balé O pássaro de fogo, de Stravinski.

Regressou definitivamente à França em 1947. Em 1950 criou vitrais para a sinagoga da universidade hebraica de Jerusalém. Os vitrais para a catedral de Metz, dos muitos que concebeu a seguir, datam de 1958. Chagall esteve várias vezes em Israel nessa época, desincumbindo-se de várias encomendas.

Na França e nos Estados Unidos, além de vitrais, realizou mosaicos, cerâmicas, murais e projetos de tapeçaria. Em 1973 foi inaugurado em Nice o Museu da Mensagem Bíblica de Marc Chagall. Em 1977 o governo francês agraciou-o com a grã-cruz da Legião de Honra.

Reconhecido como um dos maiores pintores do Século 20, Marc Chagall morreu em Saint-Paul de Vence, no sul da França, em 28 de março de 1985. (fonte:©Encyclopaedia Britannica do Brasil)

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Dream-City

"Admiti a legitimidade do conceito objetivo no quadro, e com isso obtive uma nova dimensão. Designei cada um dos elementos formais em seu contexto próprio e particular. Procurei tornar claro o modo como eles saem desse posisionamento. Procurei esclarecer a sua formação como grupo e as combinações desses grupos, a princípio limitadas e depois um pouco mais amplas, em imagens. Imagens que podem se chamar construções abstratas, mas concretamente podem assumir nomes, de acordo com o sentido das associações comparativas que despertam (com estrela, vaso, planta, bicho, cabeça ou homem)." (sobre a arte moderna)

" A arte não reproduz o visível, mas torna visível. A essência da arte gráfica conduz facilmente, e com toda razão, para a abstração. O modo esquemático e fabuloso do caráter imaginário se oferece e ao mesmo tempo é expresso com grande precisão. Quanto mais puro for o trabalho gráfico, isto é, quanto maior a ênfase sobre os elementos formais em que se baseia a apresentação gráfica, menos apropriado será o aparato para a apresentação realista das coisas visíveis". (confissão criadora)

 
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