
Marcado para acontecer entre os dias 02 e 04 de dezembro no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro e no Odeon Petrobras, o Festival CulturaDigital.Br (http://culturadigital.org.br/) anunciou o resultado da chamada pública. Confira os selecionados aqui: http://culturadigital.org.br/2011/11/confira-os-selecionados-da-chamada-publica.
Como atrações internacionais do Festival estão confirmadas as presencas dos palestrantes Phillipe Aigrain, da Sopinspace (http://www.sopinspace.com/); Michel Bauwens, da Fundação Peer-to-Peer Alternatives (http://p2pfoundation.net/); Kenneth Goldsmith, criador do UbuWeb (http://www.ubuweb.com/); o autor Yochai Benkler (http://benkler.org/), professor de direito em Harvard; e Hugues Sweeney, da National Film Board of Canada (http://www.onf-nfb.gc.ca/). Entre os brasileiros, presenças confirmadas de Paulo Coelho (via teleconferência) e Helloisa Buarque de Hollanda.
Foi confirmada também a presenca do polonês Dawid Marcinskowski, que virá ao Festival apresentar o projeto de cinema interativo Sufferrosa (http://sufferrosa.com/), premiado em diversos festivais internacionais e inédito no Brasil.
Na abertura do festival, no Odeon Petrobras, ocorrerá o lancamento oficial de "EstereoEnsaios" (http://www.estereoensaios.com.br/), um filme-ensaio audiovisual de alta tecnologia que explora imagens em ultra-definição.
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O Festival Internacional CulturaDigital.Br recebe quase 400 propostas de mais de 20 países inscritas na chamada pública do evento, que acontece por primeira vez no Rio.
A chamada pública despertou atenção dos principais realizadores de cultura e tecnologia do mundo. Instituições como Chaos Computer Club, da Alemanha, LabSurLAb, da Colombia, MIT, dos EUA, são alguns dos inscritos na chamada realizada para compor a programação do Festival.
Um aplicativo para iphone que ajuda o usuário a achar algo que não está procurando, um banco de investimentos virtual, um glossário terminológico para crianças em seis línguas indígenas; um robô que se equilibra em duas rodas utilizando-se de software e hardware livres. Esses são apenas alguns dos quase 400 projetos inscritos na chamada pública do Festival Internacional CulturaDigital.Br, encerrada no último fim de semana.
Durante o mês de setembro, coletivos, ativistas, produtores, organizações, universidades e interessados nos temas do festival apresentaram 365 propostas para a programação do evento, que ocorre no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro entre os dias 2 a 4 de dezembro.
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Estamos ficando burros com o excesso de informação 'picotada' que lemos todos os dias na internet? Quantos livros você leu ano passado? O estudioso Nicholas Carr escreveu um livro onde ele dá suas impressões sobre como a internet mudou nossas vidas fazendo com que transformemos os dispositivos tecnológicos em extensões do nosso corpo e fazendo com que deixemos de exercitá-los como deveria. Leia a nota que saiu no Estadão e tire suas próprias conclusões.
A internet e o déficit de atenção
14 de agosto de 2011
Nicholas Carr estudou Literatura no Dartmouth College e na Universidade Harvard, e tudo indica que, na juventude, foi um voraz leitor de bons livros. Logo, como aconteceu com toda a sua geração, descobriu o computador, a internet, os prodígios da grande revolução informática do nosso tempo, e não só dedicou boa parte de sua vida à utilização de todos os serviços online como se tornou um profissional e especialista nas novas tecnologias da comunicação sobre as quais escreve amplamente em prestigiosas publicações dos EUA e da Inglaterra.
Certo dia, descobriu que deixara de ser um bom leitor, e, praticamente, um leitor, inclusive. Sua concentração desaparecia depois de uma ou duas páginas de um livro, e, principalmente, se o que ele lia era complexo e exigia muita atenção, surgia em sua mente algo parecido a um repúdio a continuar com aquele empenho intelectual. Ele conta: "Perco o sossego e o fio, começo a pensar em outra coisa. Sinto como se tivesse de arrastar o meu cérebro desconcentrado de volta ao texto. A leitura profunda que costumava vir naturalmente se tornou um esforço".
Preocupado, tomou uma decisão radical. No fim de 2007, ele e a mulher abandonaram suas instalações ultramodernas em Boston e foram morar nas montanhas do Colorado, onde não havia telefone móvel e a internet chegava tarde, mal ou mesmo nunca. Ali, ao longo de dois anos, escreveu o livro polêmico que o tornou famoso, The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains (Superficiais: O Que a Internet está fazendo com Nossas Mentes?, Taurus, 2011). Acabo de lê-lo, de um fôlego só, e fiquei fascinado, assustado e entristecido.
Carr não é um renegado da informática nem quer acabar com os computadores. No livro, reconhece a extraordinária contribuição que Google, Twitter, Facebook ou Skype prestam à informação e à comunicação, o tempo que esses recursos permitem economizar, a facilidade com que uma imensa quantidade de seres humanos pode compartilhar de experiências, os benefícios que tudo isso representa para empresas, pesquisa científica e desenvolvimento econômico das nações.
Mas tudo isso tem um preço e, em última instância, significará uma transformação tão grande em nossa vida cultural e na maneira de operar do cérebro humano quanto a descoberta da imprensa por Gutenberg no século 15, que generalizou a leitura de livros, até então exclusiva de uma minoria insignificante de clérigos, intelectuais e aristocratas. O livro de Carr é uma reivindicação das teorias do agora esquecido Marshall McLuhan, ao qual muitos nem deram atenção, quando, há mais de meio século, afirmou que os meios de comunicação não são nunca meros veículos de um conteúdo, que exercem uma influência dissimulada sobre este, e, a longo prazo, modificam nosso modo de pensar e agir. MacLuhan referia-se principalmente à TV, mas a argumentação do livro de Carr, e as experiências e testemunhos abundantes que ele cita como respaldo, indicam que essa tese tem uma extraordinária atualidade relacionada ao mundo da internet.
Os defensores recalcitrantes do software alegam que se trata de uma ferramenta e que está ao serviço de quem a usa e, evidentemente, há abundantes experiências que parecem corroborá-lo, sempre e quando essas provas sejam realizadas no campo de ação no qual os benefícios daquela tecnologia são indiscutíveis: quem poderia negar que é um avanço quase milagroso o fato de que, agora, em poucos segundos, clicando com o mouse, um internauta obtenha uma informação que, há poucos anos, exigia semanas e meses de consultas em bibliotecas e com especialistas? Mas também há provas conclusivas de que, quando a memória de uma pessoa deixa de ser exercitada, por contar com o arquivo infinito que um computador põe ao seu alcance, ela embota e se debilita como os músculos que deixam de ser usados.
Não é verdade que a internet seja apenas uma ferramenta. Ela é um utensílio que se torna um prolongamento do nosso próprio corpo, do nosso próprio cérebro, o qual, também, de maneira discreta, vai se adaptando pouco a pouco a esse novo modo de informar-se e de pensar, renunciando paulatinamente às funções que esse sistema faz por ele e, às vezes, melhor que ele. Não é uma metáfora poética afirmar que a "inteligência artificial" que está ao seu serviço, corrompe e sensualiza os nossos órgãos pensantes, os quais, aos poucos, vão se tornando dependentes daquelas ferramentas, e, por fim, seus escravos. Para que manter fresca e ativa a memória se toda ela está armazenada em algo que um programador de sistemas definiu como "a melhor e maior biblioteca do mundo"? E para que eu deveria aguçar a atenção se, apertando as teclas adequadas, as lembranças das quais preciso vêm até mim, ressuscitadas por essas diligentes máquinas?
Não surpreende, por isso, se alguns fanáticos da internet, como o professor Joe O"Shea, filósofo da Universidade da Flórida, afirma: "Sentar-se e ler um livro de cabo a rabo não faz sentido. Não seria um bom uso do meu tempo, e com a internet posso ter todas as informações com mais rapidez. Quando uma pessoa se torna um caçador experimentado na internet, os livros são supérfluos". O mais atroz desta declaração não é a afirmação final, mas o fato de esse famoso filósofo acreditar que uma pessoa lê livros somente para "informar-se". Esse é um dos estragos que o vício fanático da telinha pode causar. Daí, a patética confissão da doutora Katherine Hayles, professora de Literatura da Universidade Duke: "Não consigo mais que meus alunos leiam livros inteiros".
Esses alunos não têm culpa de agora serem incapazes de ler Guerra e Paz e Dom Quixote. Acostumados a picotar a informação em seus computadores, sem ter a necessidade de fazer prolongados esforços de concentração, eles perderam o hábito e até a capacidade de fazê-lo. Foram condicionados a contentar-se com o borboletear cognitivo aos quais a Rede os acostuma, tornando-se de certa forma vacinados contra o tipo de atenção, reflexão, paciência e prolongado abandono ao que se lê, que é a única maneira de ler a grande literatura. Mas não acredito que a internet torne supérflua apenas a literatura: toda obra de criação gratuita, não subordinada à utilização pragmática, é excluída do conhecimento e da cultura propiciados pela Rede. Sem dúvida, essa pode armazenar com facilidade Proust, Homero, Popper e Platão, mas dificilmente suas obras terão muitos leitores. Para que dar-se ao trabalho de lê-las se no Google podemos encontrar resumos simples e amenos do que inventaram nesses aborrecidos calhamaços que os leitores pré-históricos costumavam ler?
A revolução da informação está longe de ter terminado. Ao contrário, nesse campo surgem a cada dia novas possibilidades, conquistas e o impossível retrocede velozmente. Devemos alegrar-nos? Se o gênero de cultura que está substituindo a antiga nos parecer um progresso, sem dúvida sim. Mas deveremos nos preocupar se esse progresso significa o que um erudito estudioso dos efeitos da internet em nosso cérebro e em nossos costumes, Van Nimwegen, deduziu depois de um dos seus experimentos: Confiar aos computadores a solução de todos os problemas cognitivos reduz "a capacidade das nossas mentes de construir estruturas estáveis de conhecimento". Em outras palavras, quanto mais inteligente for o nosso computador, mais estúpidos seremos.
Talvez haja certo exagero no livro de Nicholas Carr, como ocorre sempre com os argumentos que defendem teses controvertidas. Não possuo os conhecimentos neurológicos e de informática para julgar até que ponto são confiáveis as provas e experiências científicas que ele descreve em seu livro. Mas esse me dá a impressão de ser uma obra rigorosa e sensata, uma advertência que – não nos enganemos – não será ouvida. O que significa, se ele estiver com a razão, que a robotização de uma humanidade organizada em função da "inteligência artificial" é incontrolável. A menos, é claro, que um cataclismo nuclear, por algum acidente ou uma ação terrorista, nos faça regressar às cavernas. Teremos então de começar tudo de novo, e, quem sabe, dessa vez façamos melhor.
TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA
Fonte: Estadão.com.br
Entrevista com a artista digital e pesquisadora Giselle Beiguelman, para compor a pesquisa "A Arte do Cibridismo". Este projeto foi contemplado pela Fundação Nacional de Artes FUNARTE, no Edital Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais/Internet. O conceito de cibridismo usado é desenvolvido por ela no artigo “Admirável Mundo Cíbrido“, em alusão à obra de Aldous Huxley “Admirável Mundo Novo”.
A pesquisa "A Arte do Cibridismo" será estruturada, pensada e disponibilizada pelo blog culturadigital.br/artedocibridismo Para ler a entrevista na íntegra, acesse culturadigital.br/artedocibridismo/entrevistas/giselle-beiguelman/
The Eclectic Method/ Imagem por ccLearn
Cultura do remix e livre expressão são sinônimos da criação artística de vídeo. As possibilidades do vídeo digital são limitadas apenas pela imaginação do criador e pelas restrições legais e técnicas que são impostas à sua criatividade. Seja por cortes de discursos políticos, misturas de cultura pop ou exploração de trabalho novo e original, estamos na encruzilhada de arte, narração de histórias e participação. Vídeo na internet não pode simplesmente ser “internet TV” ou um sistema sob demanda glorificado. Para seu potencial ser completamente realizado, vídeo online deve ser um meio dinâmico que convida ao recorte, arquivamento, remixagem, colagem, repropósito e outras transformações. Como um meio, vídeo online será mais poderoso quando for fluido, como uma conversa. Como o resto da internet, o vídeo online deve ser direcionado a encorajar participação, não apenas consumo passivo.
O advento do vídeo online, e a ameaça da pirataria, tem levado à restrição de acesso e manobras legais para bloquear conteúdo e restringir uso da matéria-prima da cultura. A erosão da licença criativa tem transformado fãs em adversários e aumentado o apoio da indústria em estruturas de direitos autorais ultrapassadas para proteger modelos de negócio estáticos. Artistas continuarão a lançar trabalhos que se utilizam da cultura popular como eles têm sempre feito e a escolher vídeo como um meio de expressão artística. A questão é se o direito legal e as ferramentas técnicas para criar serão abraçados ou restringidos. (fonte: http://openvideoalliance.org/issues/video-art-remix-culture/?l=pt)
Reconhecer e entender as arestas da vida on e off line talvez seja uma tarefa complicada em tempos carregados de tecnologia. E compreender que elas já não mais existem permitindo a co-ação destes dois mundos? Nomenclaturas e conceitos tais como realidade aumentada, cibridismo e cibercultura fazem hoje parte do cotidiano de qualquer um, mesmo que de forma inconsciente. Giselle Beiguelman, doutora em História da Cultura pela USP e professora da pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, transporta tudo isso para a arte de forma fantástica. Seu trabalho é reconhecido internacionalmente e se destaca por envolver desde literatura e web art até mobile art, abrangendo pesquisa teórica associada à produção poética. Nesta entrevista, conversamos sobre seus projetos, paradigmas da arte no mundo virtual, volatilidade da fotografia e memória frente aos avanços tecnológicos. O curioso é que as respostas "aquietam" algumas questões, mas ao mesmo tempo, dão vida a outras várias interrogações. Talvez esteja aí a graça da coisa, tudo bem longe de ser um ponto final.
Manu Melo Franco – Para começarmos, qual o significado de algumas "tags" constantes quando o assunto é web arte. O que é o cibridismo, a realidade aumentada e como elas se relacionam no nosso cotidiano?
Giselle Beiguelman – O cibridismo, originalmente, na definição do arquiteto Peter Anders, é a projeção de elementos virtuais no mundo real. Eu utilizo essa definição de uma forma uma pouco distinta. Entendo o cibridismo como uma intersecção entre redes on e off line. A Realidade Aumentada é uma linha de pesquisa da computação que busca a criação de ambientes que envolvem elementos da realidade virtual e real. Nessa perspectiva, a Realidade Aumentada, pode ser compreendida como uma dimensão do cibridismo. Nosso cotidiano já é cíbrido. Vivemos entre redes on e off line. Os recursos de Realidade Aumentada atendem a essa condição emergente, permitindo, por exemplo, acessar informações adicionais sobre um determinado lugar, utilizando aplicativos instalados no celular.
Manu Melo Franco – A tecnologia como arte envolve inúmeras questões que "afrontam" nossa maneira usual de digerir uma obra, desde a concepção até a recepção. As variações de suporte, as inúmeras possibilidades de transmissão, a ideia do espectador como co-autor significam uma maneira mais livre e menos pragmática de criar e entender arte?
Giselle Beiguelman – Eu não diria que existe uma tecnologia que é arte, mas sim que existem criações que problematizam esteticamente a tecnologia. Isso não é nada novo. Basta pensar na Renascença e em como a perspectiva clássica colocou em circulação um modo totalmente distinto de ver e perceber. Todas essas variáveis que você menciona certamente introduzem novos repertórios de criação e recepção. O mais importante, contudo, não é o fato de lidarem com tecnologia, mas sim o de serem mediadas por um dispositivo que é uma máquina em rede e que é, a um só tempo, um máquina de leitura, escritura – seja ela textual, audiovisual, imagética etc – e publicação. Isso converte o espectador em editor do processo e introduz novas dinâmicas no circuito. Elas certamente permitiram um alargamento da capacidade de produção e vazão do conteúdo, diminuído o peso de alguns intermediários, mas introduziram outros, como o acesso às velocidades de conexão, equipamento etc. Eu não diria que as tecnologias ligadas à rede não criam por si só uma maneira mais livre de criar e entender arte, mas sim que configuram um território novo com outras possibilidades. E, dentro desses territórios, modelos econômicos e culturais interessantes que propõem articulações alternativas entre os circuitos on e off-line.
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Durante o período em que esteve à frente do Ministério da Cultura, Gilberto Gil participou de inúmeros eventos voltados à discussão da cultura forjada pelas redes interconectadas, pelos recursos digitais. Em uma de suas falas mais marcantes , em aula magna proferida na Universidade de São Paulo, Gil também faz um esforço de conceituar o que seria a cultura digital:
Novas e velhas tradições, signos locais e globais, linguagens de todos os cantos são bem-vindos a este curto-circuito antropológico. A cultura deve ser pensada neste jogo, nessa dialética permanente entre tradição e invenção, nos cruzamentos entre matrizes muitas vezes milenares e tecnologias de ponta, nas três dimensões básicas de sua existência: a dimensão simbólica, a dimensão de cidadania e inclusão, e a dimensão econômica. Atuar em cultura digital concretiza essa filosofia, que abre espaço para redefinir a forma e o conteúdo das políticas culturais, e transforma o Ministério da Cultura em ministério da liberdade, ministério da criatividade, o ministério da ousadia, ministério da contemporaneidade. Ministério, enfim, da Cultura Digital e das Indústrias Criativas. Cultura digital é um conceito novo. Parte da idéia de que a revolução das tecnologias digitais é, em essência, cultural. O que está implicado aqui é que o uso de tecnologia digital muda os comportamentos. O uso pleno da Internet e do software livre cria fantásticas possibilidades de democratizar os acessos à informação e ao conhecimento, maximizar os potenciais dos bens e serviços culturais, amplificar os valores que formam o nosso repertório comum e, portanto, a nossa cultura, e potencializar também a produção cultural, criando inclusive novas formas de arte”.
(fonte: culturadigital.br)
O sociólogo espanhol Manuel Castells, em dossiê publicado pela revista Telos, mantida pela Fundación Telefónica, define a cultura digital em seis tópicos:
- Habilidade para comunicar ou mesclar qualquer produto baseado em uma linguagem comum digital;
- Habilidade para comunicar desde o local até o global em tempo real e, vice-versa, para poder diluir o processo de interação;
- Existência de múltiplas modalidades de comunicação;
- Interconexão de todas as redes digitalizadas de bases de dados ou a realização do sonho do hipertexto de Nelson com o sistema de armazenamento e recuperação de dados, batizado como Xanadú, em 1965;
- Capacidade de reconfigurar todas as configurações criando um novo sentido nas diferentes camadas dos processo de comunicação;
- Constituição gradual da mente coletiva pelo trabalho em rede, mediante um conjunto de cérebros sem limite algum. Neste ponto, me refiro às conexões entre cérebros em rede e a mente coletiva.
Durante o Seminário Internacional de Diversidade Cultural foi promovido um processo participativo de construção de uma agenda de cultura Digital. Os pesquisadores e ativistas Bianca Santana e Sergio Amadeu da Silveira sistematizaram um texto final que conceitua cultura digital:
Reunindo ciência e cultura, antes separadas pela dinâmica das sociedades industriais, centrada na digitalização crescente de toda a produção simbólica da humanidade, forjada na elação ambivalente entre o espaço e o ciberespaço, na alta velocidade das redes nformacionais, no ideal de interatividade e de liberdade recombinante, nas práticas de simulação, na obra inacabada e em inteligências coletivas, a cultura digital é uma realidade de uma mudança de era. Como toda mudança, seu sentido está em disputa, sua aparência caótica não pode esconder seu sistema, mas seus processos, cada vez mais auto-organizados e emergentes, horizontais, formados como descontinuidades articuladas, podem ser assumidos pelas comunidades locais, em seu caminho de virtualização, para ampliar sua fala, seus costumes e seus interesses. A cultura digital é a cultura da contemporaneidade”.
(fonte: culturaldigital.br)
Rip: A remix manifesto, é um vídeo-documentário open-source, (aberto e colaborativo) sobre copyright e a cultura do remix. O web-ativista e videomaker Brett Gaylor explora os problemas do copyright nesta época de tanta informação, vasculha e levanta o panorama midiático do século 20 derrubando o muro entre utilizadores e produtores. O protagonista central do filme é Girl Talk, um músico que produz sons baseados em samples. Mas, será que Girl Talk é um modelo correto a ser seguido ou é um gangster da pirataria? O fundador do Creative Commons, Lawrence Lessing, o ministro da cultura Gilberto Gil e o crítico de cultura pop, Cory Doctorow apoiam o projeto. Visite o site!
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