DESARTE. Linguagens Visuais! Arte Blog.

flickr facebook twitter tumblr feed
cores
Livro muito bom, indispensável aos interessados pelo universo pictórico. Leitura rápida e agradável, porém densa; alguns textos devem ser lidos várias vezes devido ao riquíssimo conteúdo elaborado em poucas linhas; simplicidade com profundidade, próprio dos grandes mestres, também, o que esperar do pesquisador e artista Israel Pedrosa. O livro aborda os conceitos da cor, passando por uma abordagem histórica da arte permitindo um norteamento ao leitor na construção do saber. 

Permite assim, uma breve introdução com importantes observações de todo o processo dito por ele 'evolutivo' do homem na produção de sua arte, partindo das pinturas rupéstres, egípcias, clássicas gregas, romanas e renascentistas, citando os maiores mestres da cor de que se tenha registro - Da Vinci, Alberti, Cennini, Bosh, passando por Caravagio, Vermeer, Goethe, Turner, Cézanne até a cor se libertar do motivo em Matisse, Delaunay, Klee, Kandisky, Mondrian e Picasso. Passou pelos muralistas Orosco, Rivera e Siqueiros até chegar no Brasil com Portinari. O livro é rico em citações que creditam a mensagem do autor. Aborda conceitos da percepção visual, definições das cores - cor luz, pigmento e transparente apresentada pelo autor - paleta, complementares, frias, quentes, harmonias, etc. É comentado o estudo da cor em relação à imformática e por fim ele trata, é claro, de sua principal tese: a cor inexistente. Achei legal trazer na íntegra o Decálogo do Colorista, definido pelo nome brasileiro de maior relevância na ciência das cores, Israel Pedrosa:

I - 0 artista que aspire dominar a ciência do colorido deve considerar, em primeiro lugar, o fato de que a luz solar - que tem por síntese as cores-luz primárias, vermelho, verde e azul - é refletida para os nossos olhos pelos corpos naturais cujas camadas exteriores são formadas por cores de refletância que têm por síntese o vermelho, o amarelo e o azul. A mesma tríade de cores-pigmento de que se serve o pintor para reproduzir o universo visível. O único meio de que dispõe o pintor para penetrar nes­se complexo universo é o olhar. Torna-se então evidente que ele precisará desenvolver ao máximo a capacidade perscrutadora do olhar. Para tanto, terá que transformar a observação de tudo que o cerca em permanente exer­cício de aperfeiçoamento da acuidade visual.
II - Ter sempre em mente que o aprendizado da análise das imagens visuais começa pela hierarquização das partes das áreas mais escuras em relação às das mais claras, tendo o preto e o branco como limites extremos, sem se esquecer de que esses limites também são coloridos e de que entre eles encontram-se todas as possibilidades cromáticas dos cinzas coloridos.
III - Considerar que a expressividade da imagem visual está relacionada ao conflito dos graus de luzes e sombras que se estabelece no conjunto da área em análise, des­cobrindo nele o conflito da complementaridade, que só encontra equilíbrio com uma justa intervenção dos tons rompidos.
IV - Não se esquecer de que, desde a primeira pincelada, o colorir deve ser um ato de reflexão sensível, procu­rando relacionar as cores mais claras, aquelas em que predominam os amarelos, com as áreas mais lumino­sa» do quadro.
V - Inversamente, buscar o relacionamento das cores mais escuras da paleta, aquelas em que predominam o azul, com as áreas sombrias. Esse exercício possibilitará ao pintor relacionar os índices da escala de tons (de cores) com os da escala de valores (de luminosidade). O domínio desse fenômeno poderá levar o pintor a inver­ter os termos da questão, tornando as luzes frias e as sombras quentes, sem perder harmonia.
VI - Nesse nível de desenvolvimento sensível, já será possí­vel ao pintor determinar a cor dominante de uma ima­gem, sua cor tônica e as cores de passagem. Pode-se dizer que tal nível de aperfeiçoamento sensível corres­ponde à conclusão da formação artesanal do colorista. 0 artesanato surge então como primeiro estágio da forma­ção artística do pintor.
VII - O artesanato é o reino do saber empírico que abre as portas da técnica aos mais sensíveis, dotados de deter­minada dose de imaginação abstrata. O que caracteriza o estágio da técnica no saber pictórico é a capacidada sensível de detectar os componentes cromáticos de cada cor e saber de que outras cores eles são compostos. A consecução desses saberes só é possível adquirir atra­vés de longo processo prático no manuseio da cor. A vi­são guia a execução no ato de colorir, mas sem esse ato a visão não se desenvolve além de um determinado limi­te, nem tem como aferir seu grau de acuidade perceptiva. É no domínio da técnica que o fazer pictórico atinge plena liberdade de execução e grande dose de automação.
VIII - O domínio da técnica é praticamente infinito. Nesse está­gio desencadeiam-se todas as possibilidades de espe­culação, pesquisas diversas e renovações formais que possibilitarão a alguns raros pintores atingir o estilo, fase suprema da realização artística. Essa fase só é atingida quando todos os raciocínios do pintor, no ato de pintar, processam-se apenas com co­res, por longos períodos, sem que uma única palavra in­terfira em seu pensamento. Alguns filólogos afirmam que o pensamento humano só se realiza através da palavra, mas os pintores agregam que ele também se realiza atra­vés de gamas de cores; os músicos, através de frases sonoras e os matemáticos afirmam raciocinarem com abs­trações e equações numéricas e geométricas.
IX - Por seu poder de fascínio, quanto maior for o dom do artista, o colorido cria um reino de experiências inolvidáveis nas áreas do psiquismo e da esfera moral desse manipulador de cores. O que chamamos dom é a capaci­dade de tal pintor ou criador de imagem em transmitir com sua obra toda a carga emotiva vivenciada ou imaginada.
X - A partir do advento dos efeitos especiais eletrônicos, dos espetáculos de som e luz, dos monumentais des­files carnava-lescos, da fotografia, do cinema e da tele­visão coloridos, da computação gráfica e da absorção dos novos recursos tecnológicos pela pintura, todos os criadores e manipuladores de imagens: modernos sa­cerdotes da luz, com seus sonhos e fantasias, em in­fluências intercambiantes, integram e enriquecem o atual Universo da Cor."
 
Powered by Tags for Joomla

Publicidade

 

contact Contato

You are here Home