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Em fins do século XIX, artistas e designers procuravam uma alternativa para a solenidade do então vigente estilo vitoriano. William Morris, à frente do Movimento das Artes e Ofícios, foi o primeiro artista a se lançar em tal busca, seguido por três homens de personalidades absolutamente diversas, que viriam a exercer uma vigorosa influência sobre toda a arte européia: o arquiteto e designer escocês Charles Rennie Mackintosh, o artista inglês Aubrey Beardsley e o excêntrico arquiteto espanhol Antonio Gaudí. O novo estilo apoiava-se em graciosos elementos fitomórficos, e suas formas sinuosas surgiram em toda a parte, das entradas do metrô parisiense às linhas de inusitada elegância de móveis e objetos de vidro. A delicadeza das linhas confere um ar feminino à maior parte do design Art Nouveau, um sentimento que se faz sentir na obra de artistas como Mucha, Maillol e Klimt, que muitas vezes retratavam mulheres.

 

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Aplicamos o termo art nouveau a um estilo da arquitetura e das artes figurativas e aplicadas que floreceu na última década do século XIX. Precedido de uma longa fase preparatória, o fenômeno influenciou muitos ramos da arte até a eclosão da I Guerra Mundial e foi simultâneo em toda Europa Ocidental; e tal qual os estilos gótico, barroco e rococó, demonstrou a unidade fundamental da cultura da Europa Ocidental, sendo exemplo da fermentação e o intercâmbio initerrupto de idéias e de experimentos no seio de nossa cultura. (pag.9)

O art nouveau representou um rompimento com o estilo "histórico" que o precedera, estilo que incorporava uma tendência retrospectiva e uma repetição muitas vezes eclética, embora fria e acadêmica, dos estilos mais famosos do passado. Em contraste com esse servilismo ao passado e às tradições dele derivadas, os artistas art nouveau procamavam a intenção de basear sua arte na realidade presente ou mesmo em visões futuristas de uma realidade vindoura, Qundo o art nouveau icorporava elementos do passado, utilizava-se de estilos tão distanciados - no tempo (medievais) ou no espaço (chineses, japoneses) - da tradição renascentista-clássica que o resultado ainda assim parecia original e moderno.(pag. 11)

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O art nouveau tinha um elemento comum com o academismo do século XIX: ambos rejeitaram o naturalismo, a outra grnade tendência da arte ocidental, que se opunha de maneira controversa à arte acadêmica. Embora o art nouveau pretendesse ser novo e moderno, seus expoentes negaram violentamente o naturalismo, optando pela beleza, elegância e aspecto decorativo - qualidades às quais os naturalistas haviam renunciado para retratar o lado sórdido da vida cotidiana. Os artistas art nouveau criticavam os naturalistas por sua imitação servil da natureza e seu apego a dados concretos; em sua visão, os naturalistas deveriam empenhar-se em sintetizar esses dados e projeta-los em formas mais livres e imaginativas... Acreditavam que o dever público de um artista era não tanto espelhar as tristezas do cotidiano, mas sim criar a imagem de um mundo de felicidade e beleza universais. (pag. 12)

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Os artistas do movimento idolatravam a natureza, mas por "natureza" referiam-se a uma cálida e intensa vitalidade natural cuja expressão não deveria ser feita pela imitação de suas manifestações superficiais. O que propunham era uma busca das raízes mais profundas da criação natural, para descobrir os processos ocultos que determinam o crescimento e o desenvolvimento das plantas e dos animais. Deviam dominar a quintessência da natureza e extrair dela o patrimônio de estruturas fundamentais e sintéticas subjacentes às diversas formas da vida animal e vegetal. Resultam daí as formas orgânicas, biomórficas e fitomórficas que, nas obras do art nouveau - seja na arquitetura, nos móveis, na cerâmica ou nos cartazes de propaganda -, impressionam à primeira vista. Cabe-nos acrescentar, porém, que essa imitação da natureza em sua essência (ao contrário da imitação "superficial" e analítica dos naturalistas) não se restringia à ênfase em linhas ondulantes. Muitas obras são compostas de inúmeras partes, pequenas e intensamente vibrantes, que complementam ritmos lineares ou agem como substitutos deles. (pag. 13 e 14)


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As características específicas do estilo dependiam tanto da escola ou país em que ele se manifestava quanto das técnicas e materiais empregados na forma artística envolvida. Os resultados concretos do art nouveau raramente atenderam por completo às metas do movimento. Muitas vezes o artista não conseguia desvencilhar-se totalmente da tradição e do academismo, produzindo obras com elementos neoclássicos, neobarrocos ou neogóticos.Quando não era esse o caso, ele fazia excessivas concessões a um naturalismo pesado, estático, banal e anedótico. O estilo art nouveau privilegiava a organicidade das formas biomórficas e fitomórficas - assim, uma edificação, vaso ou móvel podia ser uma obra-prima de coerência e unidade. Entretanto foram muitas as experiências malogradas, em que o artista não superou os princípios construtivos mais tradicionais. O resultado disso quase sempre era uma decoração superficial, que facilmente degenerava em puro esteticismo.(pag. 14 e 15) [Fichamento do livro "Os estilos na arte - Art Nouveau". BARILLI, Renato. Ed. Martins Fontes]

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Expressão típica do espírito modernista é o gosto ou o "estilo" que recebeu o nome de Art Nouveau. Do ponto de vista sociológico, o Art Nouveau é um fenômeno novo, imponente, complexo, que deveria satisfazer o que se acredita ser a "necessidade de arte" da comunidade inteira. Interessa a todos os países europeus e americanos onde se alcançou certo nível de desenvolvimento industrial. Instaura entre eles um regime cultural e de costumes quase uniforme, apesar das ligeiras variações locais, e de caráter explicitamente moderno e cosmopolita. É um fenômeno tipicamente urbano, que nasce nas capitais e se difunde para o interior. Interessa a todas as categorias dos costumes: o urbanismo de bairros inteiros, a construção civil em todas as suas tipologias, o equipamento, urbano e doméstico, a arte figurativa e decorativa, as alfaias, o vestuário, o ornamento pessoal e o espetáculo.


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Apresenta-se como estilo "moderno", isto é, de "moda". Como a indústria acelera o tempo da produção, é preciso acelerar o tempo do consumo e da substituição. A moda é o fator psicológico que desperta o interesse por um novo tipo de produto e a decadência do velho. Assim o Art Nouueau, enquanto estilo "moderno", corresponde ao gue na história econômica da civilização industrial, é chamado de "o fetichismo da mercadoria".

Independentemente das variações de tempo e espaço, o Art Nouveau tem certas características constantes: 1) a temática naturalista (flores e animais); 2) a utilização de motivos icônicos e estilísticos, e até tipológicos, derivados da arte japonesa; 3) a morfologia: arabescos lineares e cromáticos; preferência pelos ritmos baseados na curva e suas variantes (espiral, voluta etc.) , e, na cor, pelos tons frios, pálidos, transparentes, assonantes, formados por zonas planas ou eivadas, irisadas, esfumadas; 4) a recusa da proporção e do equilíbrio simétrico, e a busca de ritmos "musicais", com acentuados desenvolvimentos na altura ou largura e andamentos geralmente ondulados e sinuosos; 5) o propósito evidente e constante de comunicar por empatia um sentido de agilidade, elasticidade, leveza, juventude e otimismo. A difusão dos traços estilísticos essenciais do Art Nouveau se dá por meio de revistas de arte e moda, do comércio e seu aparato publicitário, das exposições mundiais e espetáculos.

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O Art Nouveau é um estilo ornamental que consiste no acréscimo de um elemento hedonista a um objeto útil; já Ruskin afirmara que a "poesia" da arquitetura reside inteiramente no ornamento, pois apenas para além do útil é que pode surgir um valor espiritual. É fácil observar, porém, que, no desenvolvimento histórico do Art Nouveau, o elemento ornamental perde progressivamente o caráter de um acréscimo sobreposto à conformação funcional ou instrumental do objeto (tectônica), inclinando-se a adequar o próprio objeto como ornamento e assim se transformando de superestrutura em estrutura. A funcionalidade (o útil) se identifica com o ornamento (o belo), porque a sociedade tende a se reconhecer em seus próprios instrumentos - é justamente este narcisismo que revela o limite estericista de sua eticidade programática. O ambiente visual que o Art Nouveau tece em torno da sociedade não só favorece sua atividade, como também lhe oferece um reconforto em sua labuta, fornecendo-lhe uma imagem idealizada e otimista: a nascente civilização das máquinas não a condena a um mecanicismo obscuro e opressor; pelo contrário, libertando-a da necessidade e do trabalho, permitirá que ela plane nos céus da poesia.

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O Art Nouveau é ornamentação urbana; mas o entusiasmo pela nova "primavera", que invade os centros dos negócios e os bairros residenciais das cidades com adornos florais e trepadeiras, interrompe-se ao se iniciar o subúrbio das fábricas e dos intermináveis guetos da habitação operária. A explosão desse ornamentismo ligado à produção industrial de b~f1.~ materiais se jusdlca, não tanto pelo desenvolvimento tecnológico, e sim pela situação econômico-social. Como claramente explica Marx, o pilar da industrialização capitalista é a mais-valia, isto é, a diferença entre o preço do produto e o custo da força de trabalho. Procura-se uma aparente justificativa para o escândalo do lucro excedente, que continua a aumentar o capital, acrescentando e a seguir integrando ao produto um valor suplementar, representado justamente pelo ornamento; um valor, ademais, que é estimado em termos não de força de trabalho, e sim de "gênio criativo". Mas o que é este quid imponderável, senão a contribuição do artista, como expoente da classe burguesa dirigente, à produção industrial? E uma contribuição que, contrapondo o trabalho criativo ao mecânico, torna o intransponível abismo entre classe dirigente e classe operária manifesto e palpável, até mesmo na forma das coisas que constituem o ambiente da vida? É significativo que o inflamado socialismo de Morris, ao longo da ocorrência histórica do Art Nouveau, vá se diluindo aos poucos num vago e utópico humanitarismo; como sempre, a burguesia capitalista neutraliza as oposições, apropriando-se de seus argumentos ideológicos e tirando-lhes a vitalidade.


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O Art Nouveau, visto em conjunto, não expressa em absoluto a vontade de requalificar o trabalho dos operários (como pretendia Morris), mas sim a intenção de utilizar o trabalho dos artistas no quadro da economia capitalista. Por isso, o Art Nouveau nunca teve o caráter de uma arte popular, e sim, pelo contrário, de uma arte de elite, quase de corte, cujos subprodutos são graciosamente ofertados ao povo: é o que explica sua constante remissão ao que se pode considerar um exemplo de arte integrada aos costumes, o Rococó, e sua rápida dissolução quando a agudização dos conflitos sociais, que leva à Primeira Guerra Mundial, desmente com os fatos o equívoco uropisrno social que lhe servia de base. [Fichamento do livro Arte Moderna - do Iluminismo aos movimentos contemporâneos, ARGAN, Giulio Carlo. Ed. Cia das Letras. 2ª Ed. Páginas 199 a 201]



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Toulouse Lautrec

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Toulouse Lautrec

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