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Le Corbusier lançou, em seu livro Vers une architecture (Por uma arquitetura, na tradução em português), as bases do movimento moderno de características funcionalistas. A pesquisa que realizou envolvendo uma nova forma de enxergar a forma arquitetônica baseado nas necessidades humanas revolucionou (juntamente com a atuação da Bauhaus na Alemanha) a cultura arquitetônica do mundo inteiro.Sua obra, ao negar características histórico-nacionalistas, abriu caminho para o que mais tarde seria chamado de international style ou estilo internacional, que teria representantes como Ludwig Mies van der Rohe, Walter Gropius, e Marcel Breuer. Foi um dos criadores dos CIAM (Congrès Internationaux d'Architecture Moderne).

A sua influência estendeu-se principalmente ao urbanismo. Foi um dos primeiros a compreender as transformações que o automóvel exigiria no planejamento urbano.

A cidade do futuro, na sua perspectiva, deveria consistir em grandes blocos de apartamentos assentes em pilotis, deixando o terreno fluir debaixo da construção, o que formaria algo semelhante a parques de estacionamento. Grande parte das teorias arquitetónicas de Le Corbusier foram adoptadas pelos construtores de apartamentos nos Estados Unidos da América.

Le Corbusier defendia, jocosamente, que, "por lei, todos os edifícios deviam ser brancos", criticando qualquer esforço artificial de ornamentação. As estruturas por ele idealizadas, de uma simplicidade e austeridade espartanas, nas cidades, foram largamente criticadas por serem monótonas e desagradáveis para os peões. A cidade de Brasília foi concebida segundo as suas teorias.

Depois da sua morte, os seus detractores têm aumentado o tom das críticas, apelidando-o de inimigo das cidades. É, no entanto, absolutamente, um nome de referência na história da arquitetura contemporânea. (fonte: wikipédia)

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"Não serão interferências formais e plásticas como elementos decorativos ou ainda o pós-estruturalismo na arquitetura que vão dar continuidade à arquitetura moderna proposta por Corbusier, Loos e Gropious. A transformação clamada pela nova tecnologia é sucinta, simples e prática.

Metaforicamente seria como mudar o ponto de vista do observador ou observar com uma outra lente. Ou seja; não é mais a arquitetura que gera o espaço no qual o homem deve se adaptar. O corpo gera a arquitetura onde a mesma está completamente subjugada aos atos do indivíduo. Assim como a tecnologia e os equipamentos que trabalham em função do indivíduo e do corpo e que fascinam pela sua interatividade e indeterminação.

Uma arquitetura incerta que não existe mais como uma forma rígida, determinada ou funcional no espaço mas como movimento do corpo do indivíduo no tempo.

Logo o corpo como gerador do espaço torna-se o objeto de concepção para uma arquitetura adequada à uma sociedade moldada pela tecnologia."

 

Trecho da coluna publicada no fórum ABD por Marcelo Maia.
 

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Nome da exposição fotográfica de André Gardenberg, em cartaz até 1 de junho no Centro Cultural dos Correios. O artista apresenta um olhar questionador sobre o aparente caos urbano em que o carioca está inserido, e provavelmente anestesiados com a estética da violência em que rompe a cidade, é hora de pararmos para refletir, estas imagens podem ajudar. Tudo está cercado, tudo tem grades, coisas, lugares, pessoas. Favela cercam prédios, indiferença cercam favelas, quem é a vítima, TODOS, de todos os lados. (Fonte: Flickr de André Gardenberg)

A violência urbana criou uma nova estética nas cidades. Modernidade e barbárie coabitam o mesmo espaço, com a incorporação de elementos semelhantes aos hábitos medievais de defesa. Mudou não apenas a estética. O homem também se modificou. Ciente da nova realidade, o fotógrafo André Gardenberg voltou suas lentes para essa questão urbano-humanística e, com ‘Arquitetura do Medo’, dá continuidade à sua investigação sobre temas que envolvem a existência humana no mundo contemporâneo. A abertura da exposição será no dia 29 de abril, no Centro Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro. Em 7 de junho, a mostra chega à Pinacoteca do Estado, em São Paulo.

Com curadoria de Diógenes Moura, ‘Arquitetura do Medo’ é a segunda parte da trilogia de André Gardenberg, que foca no homem contemporâneo. Seu primeiro trabalho, ‘Arquitetura do Tempo’, mostrou ao público sua visão sobre o envelhecimento nos dias de hoje, trazendo à tona o eterno conflito da vida x morte e a inútil tentativa de parar o tempo.

A nova exposição reúne 80 fotos coloridas de André Gardenberg realizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Recife. Através delas, o artista traça um painel da estética das grades, misto de adorno e proteção que a partir das últimas décadas do século passado foi se incorporando à paisagem da arquitetura brasileira. “As imagens selecionadas nos dão a sensação de vermos o mapa do Brasil de cima e percebermos que ele está enjaulado”, define Diógenes. “Tento retratar todas essas barreiras, grades e cercas que, ao invés de proteger a sociedade, acaba por aprisioná-la atrás de si. Por meio desse recorte da realidade é possível enxergar uma nova cidade, aflita e aprisionada pelo medo”, resume André.

“A exposição é uma série de imagens que agonizam tanto quanto a violência que se estabelece nas cidades. Ela sangra”, enfatiza Diógenes. “Anos e anos de desequilíbrio social não poderiam deixar de produzir uma sociedade que precisa se proteger de forma obsessiva”, observa André.

As fotografias, emolduradas, criam um painel visual organizado a partir de dois enfoques distintos: a vertente humanista e outra que aponta para o grafismo. Todas as imagens foram feitas nas ruas dessas quatro cidades. “Ao se colocar em campo o próprio fotógrafo também ficou acuado, o que dá uma dimensão maior ao material coletado”, afirma Diógenes.

‘Arquitetura do Medo’ ocupará três salas do Centro Cultural dos Correios, com pouca iluminação e cenografia, justamente para valorizar as imagens da exposição. “A fotografia do André justifica-se por si só”, enfatiza Diógenes.

As fotos retratam não apenas as cidades, mas também pessoas, animais e coisas. “Tudo está aprisionado”, revela Gardenberg. A disposição não propõe uma separação espacial ou uma seleção através dos objetos retratados. “Fiz questão de misturar tudo, para que o visitante percorra essa trilha preocupado unicamente com a imagem. Ela é o centro”, resume Diógenes.


As fotografias revelam ainda modelos diferentes de grades e formas diversas de aprisionamento, traçando um painel de como o homem está atuando diante dessa violência. Como desdobramento da exposição, será criado e confeccionado um livro de fotografias, em parceria com a editora Cosac Naify.

Para André Gardenberg, ‘Arquitetura do Medo’ lança ainda outra questão: “Quem é o verdadeiro algoz? Quem é a verdadeira vitima? Essa situação se apresenta quase indissolúvel dentro desta sociedade caótica”. Diógenes acrescenta: “Não existe uma discussão urbana, há uma banalização da violência. É preciso fazer uma reflexão: onde vamos parar?”.

“Precisamos, todos, sair da prisão”, arremata André. (Fonte: Flickr de André Gardenberg)

 
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