| Edward S. Curtis |
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 Edward Sheriff Curtis nasceu no Estado de Wisconsin no ano de 1868. Seu interesse por fotografia aumentou depois que sua famÃlia se mudou para uma região do oeste dos Estados Unidos chamada Puget Sound, perto de Seattle, no Estado de Washington. Curtis ficou fascinado com os Ãndios norte-americanos de Puget Sound e, embora não tenha estudado além da oitava série do curso primário, ele aprendeu a arte fotográfica sozinho e se tornou um homem bem informado. Confeccionou até sua própria máquina fotográfica, depois de estudar a lente de um estereoscópio. "Como a maioria dos fotógrafos etnográficos, Curtis viu o retrato verdadeiro de Ãndios, mostrando, desse modo, apenas o que ele acreditava ser parte do indigenismo primitivo. Seu conceito de primitivismo parece ter-se baseado na ilusão popular que torna esgotado o indianismo - que o indianismo verdadeiro era aquele que não havia sido afetado pela cultura branca" (Lyman, 63). Reencenações de rituais e de eventos históricos eram freqüentemente realizadas em frente à máquina fotográfica. Curtis usou os anciãos, os guerreiros e os sentinelas que haviam participado em batalhas (tais como aquela que se travou em Little Big Horn, contra General Custer) bem como amigos não-nativos, como Charles Day, que, para montar as imagens, foi fotografado como a personificação de um deus navajo (Faris). Neste sentido, seu estilo não era diferente do de Robert Flaherty e seu Nanook do Norte. Lyman, referindo-se a esse tipo de reencenação do passado, cita uma matéria publicada no Times of Seattle em 1903: "Além disto, a matéria ingenuamente explicou que as imagens de Curtis não mostravam os Ãndios como ele os havia encontrado. Descreveu, também, as manipulações que Curtis fazia das suas imagens, não em termos de uma ameaça à sua autenticidade como documentação etnográfica, mas com admiração da ilusão que ele criava. 'E assim que Edward S. Curtis, de Seattle, encontrou o Ãndio. Por um tempo, Curtis se tornou Ãndio. Viveu o Ãndio e falava a linguagem dos Ãndios. Ele era o grande irmão branco. Como os renegados da antigüidade, passou os melhores anos de sua vida entre os Ãndios. Desenterrou costumes tribais e revelou os costumes de uma era que não existia mais. Conquistou a confiança e afugentava a desconfiança. Tomou a degradação de hoje e a colocou no santuário romântico do passado. Transformou o Ãndio degenerado de hoje em rei sossegado de um passado que já foi esquecido no calendário do tempo. Ele catou um punhado de palhas quebradas e ergueu um palácio de autenticidade e de fato. O que Green foi para o povo inglês, Curtis foi para os peles vermelhas norte-americanos' (Seattle Times, Nov., 1903)" (Lyman, 53). Veja o artigo na Ãntegra. Â
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