
Eugène Atget (Paris, 12 de fevereiro de 1857 - 4 de agosto de 1927) foi um fotógrafo francês, hoje tido como um dos mais importantes fotógrafos da história. Passou toda a vida em Paris. Pioneiro, revolucionou a fotografia com seu olhar desviado do ser humano. Fotografava o vazio das ruas parisienses, e objetos inusitados.
Ficou órfão ainda criança e foi criado e educado por um tio. Tornou-se marinheiro, viajando por rotas americanas. Posteriormente optou pela carreira de ator. Foi estudar em um conservatório em 1879, deixando-o em 1881 e partindo com uma pobre companhia de teatro que atuava nas redondezas e subúrbios de Paris. Atuou em papéis insignificantes e desiludiu-se com a profissão. Em 1889 dedicou-se a pintura e acabou desenvolvendo tal capacidade de observador que tornou-se fotógrafo aos 40 anos de idade.
Inovador, foi o precursor da fotografia moderna em Paris. Especializou-se em vistas cotidianas e postais parisienses, pois conhecia cada canto de sua cidade natal. Reproduzia quadros e fornecia material de referência para seus colegas pintores.
Em sua genialidade expressava verdadeiramente o surrealismo. Por 25 anos levou uma rotina de carregar pela cidade sua enorme e pesada câmara, um tripé de madeira e uma caixa de placas fotográficas de 18x24 cm, num total que ultrapassava 15 quilogramas.
Atget desprezava a fotografia convencional, especializada em imagens humanas. Inaugurou a fotografia urbana. Libertou os objetos de sua aura, tornando irresistível a necessidade de possuí-los,na imagem ou na sua reprodução. Retratava o vazio, a privacidade em suas fotografias de vistas.
Não teve reconhecimento de seu trabalho em vida, pois a maior parte dos escritores públicos da época "nada sabia sobre aquele homem que passava a maior parte do tempo percorrendo os ateliês com suas fotos, vendendo-as por alguns cêntimos, muitas vezes ao mesmo preço que aqueles cartões-postais, que em torno de 1900 representavam belas paisagens urbanas envoltas numa noite azulada, com uma luta retocada.E le atingiu o pólo da extrema mestria, mas na amarga modéstia de um grande artista, que viveu na sombra, deixou de plantar ali o seu pavilhão. Por isso muitos julgam por ter descoberto aquele pólo, que Atget alcançara antes deles." (Camile Recht)
Em 1926 Berenice Abbot, nova iorquina, recolheu sua obra de mais de quatro mil imagens e dez mil negativos, que foram publicados por Camile Rechet em um volume de magnífica beleza; as fotos de Atget foram exibidas, no mesmo ano e através de Berenice Abbout, assistente de Man Ray, curador do Museu de Arte Moderna dos EUA, na exposição "La Révolution Surrealiste". Contudo, o sucesso chegou tardiamente, pois Atget morreu em 1927, pobre e solitário, em Paris. (via: wikipédia)
Eugène Atget usou uma câmera de fole 18x24 cm de madeira, muito pesada, o que exigiu o uso de um tripé. Seus negativos foram placas de vidro de mesmo formato que lhe permitiu claramente pegar todos os detalhes arquitetônicos. "(MAPFRE Exhibit).
"...Uma placa de papel fotossensível era colocada junto aos negativos em um quadro e expostas a luz do dia. Dependendo da intensidade da luz do sol, a imagem era revelada mais ou menos rapidamente, sem a necessidade de outra operação. Depois Restava fixar e lavar antes de receber um banho de cloreto de ouro, para dar maior estabilidade. Atget nunca foi um perfeccionista ... Deixava pegadas por grampos de metal, ao fixar os negativos nos quadros. Também mudou o visual resultante de tempos de exposição prolongada, e a aparência turva em torno de objetos e pessoas que parecem flutuar no espaço não misteriosamete, um declínio na qualidade da imagem.... Atget tinha inclinação para lentes de distância focal curta, que acentua as linhas retas de perspectiva e permite maior profundidade de campo... A fotografia grande-angular capta não só os detalhes do plano, mas também a situação espacial em sua totalidade. O desejo intenso da cristalização profunda da impressão produzida por vezes, a convergência das linhas dentro da imagem, e a separação definitiva dos vários planos, respondeu à concepção de imagem que tinha o fotógrafo, e persistiu como preferência pessoal além de sua mera aplicação em casos específicos." (TASCHEN)
Nota: Atget foi tema de estudo de Walter Benjamin que vê nas suas fotografias o início de uma “era da arte pós-aurática”.
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