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Aleksandr Ródtchenko


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Por Boris Schnaiderman (via: blog do IMS)

Aleksandr Ródtchenko foi uma das figuras centrais do movimento artístico no período da Revolução Russa. Bem criança, vivi aqueles anos, e seu nome logo me traz à lembrança o espírito de uma época. Para começar, o sobrenome Ródtchenko é bem ucraniano e, embora de formação russa, vivi meus primeiros anos na Ucrânia.

Aliás, de modo geral, acho que geralmente se comete em relação a ele uma injustiça: costuma-se lembrá-lo como extraordinário fotógrafo ou, no máximo, como autor também de fotomontagens, sobretudo as que acompanham o poema de Maiakóvski “Sobre isso” (Pro eto), que é de 1923. É verdade que a contribuição para esse livro é simplesmente genial, com aquela visão deslumbrante da figura de Lília (ou Lili) Brik, a grande paixão de Maiakóvski, mas, assim mesmo, há certa injustiça em reduzir sua contribuição às artes a esses trabalhos incomuns.

Basta lembrar, neste sentido, que, ao consagrar-se como fotógrafo, um verdadeiro revolucionário da fotografia, como afirma o título desta exposição, ele já era famoso entre os artistas da época. Pintor e desenhista, tornou-se uma das figuras mais centrais do construtivismo, um movimento surgido na Rússia e que fazia ênfase na construção de objetos. Na realidade, ao consagrar-se como fotógrafo, ele trazia para a fotografia a sua grande experiência com os efeitos de luz e sombra, que assimilara como artista criador. Devo esta observação principalmente aos materiais sobre Ródtchenko incluídos no riquíssimo álbum Paris – Moscou 1900-1930, publicado pelo Centre Georges Pompidou (Paris, 1979), mas também a um álbum brasileiro, aliás excelente, Gráfica utópica – Arte Gráfica Russa, 1904-1942 (CCBB, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, 2001). Estes livros são acrescidos do álbum recém-publicado pelo Instituto Moreira Sales, Aleksandr Ródtchenko, revolução na fotografia.
 

A simples menção de seu nome evoca os tempos tumultuosos da Revolução Russa. Quando ela ocorreu (refiro-me à segunda Revolução, isto é, a tomada do poder pelos bolcheviques), foi saudada principalmente pelos então chamados na Rússia de artistas de esquerda, isto é, os seguidores da arte moderna. Os outros, os artistas tradicionais, ficaram, de modo geral, no campo oposto e, na maioria, fugiram para o exterior.

O novo poder foi saudado pelos modernistas das mais variadas correntes. Para eles, foi o tempo das grandes esperanças e transformações.

Os operários que investiam contra o Palácio de Inverno em Petrogrado estavam gritando o dístico incisivo de Maiakóvski (tradução de Augusto de Campos): “Come ananás, mastiga perdiz, /Teu dia está prestes, burguês!”.

Instaurado o novo regime, ele foi saudado pelos que se opunham à tradição. “Troa na praça o tumulto, /Altivos píncaros-testas, /Águas de um novo dilúvio /Varrendo os confins da terra” – clamava Maiakóvski (desta vez traduzido por Haroldo de Campos), dando ao acontecimento dimensões ciclópicas e de espaço cósmico. Parecia até que havia voltado o tempo das profecias bíblicas.

“Cristo ressuscitou!” – proclamava o título de um poema de Andréi Biéli, outro grande nome da época, unindo espírito religioso e vibração revolucionária.

Ainda naqueles dias, o maior dos simbolistas russos, Aleksandr Blok, em seu poema “Os doze”, vê Jesus Cristo à frente de uma patrulha do Exército Vermelho. (Ele está traduzido para o português por Augusto de Campos).

Mas, na mesma época, a cúpula partidária tinha um gosto muito mais tradicional. Todavia, o jornal do Comissariado da Instrução Pública, encabeçado por Lunatchárski, era redigido pelos futuristas. O próprio comissário (evitava-se o nome de ministro, devido a conotações indesejáveis no antigo regime) publicou nesse jornal uma declaração em que afirmava ser o Comissariado receptivo às mais diversas correntes artísticas e que seria esta a tônica da publicação.

No entanto, já naqueles dias a situação não permanecia tão idílica e equilibrada. Basta lembrar neste sentido a amargura com que Maiakóvski se refere àqueles dias em sua autobiografia sucinta, Eu mesmo. Pouco depois, o próprio Lênin mandaria a Lunatchárski um bilhete desaforado porque o Comissariado havia publicado com tiragem de 1.5 mil exemplares o poema de Maiakóvski “150.000.000″, quando teriam bastado, segundo o chefe de governo, escassos exemplares para uns poucos leitores excêntricos.

Ainda não eram as grandes perseguições à arte moderna que viriam, mas já prenunciavam uma situação difícil, o que não tolhia assim mesmo os artistas de vanguarda.

Na verdade, os russos estavam então com o que havia de mais avançado em termos de arte.

O grupo dos pintores construtivistas emitiu em 1921 um manifesto declarando sua recusa da pintura de cavalete e a defesa de uma arte de produção. Muitos passaram a dedicar-se então à produção de objetos, isto é, algo que se aproximava do que hoje nós chamamos design.

Ródtchenko seguiu com empenho esta orientação. Ficaram famosos, por exemplo, os móveis que projetou, bem como inúmeros outros tipos de objeto. Há um retrato seu tirado na época, onde aparece de cabeça raspada, envergando um traje por ele criado, e que aproveitava ao máximo os parcos materiais então disponíveis em termos de tecidos.

Aliás, foi a época da grande colaboração de Maiakóvski e Ródtchenko. Ambos trabalharam dia e noite na confecção de cartazes para a Rosta, sigla da Agência Telegráfica Russa (Rossíiskoie Tielegráfnoie Aguientstvo). O poeta, muito ligado às artes plásticas e, na época, um entusiasta do construtivismo, teve então longas conversas com seu companheiro de trabalho.

Ródtchenko opunha-se frontalmente ao suprematismo de Casímir Malévitch, apesar do que eles tinham em comum. Há elementos para se supor que esta oposição tivesse fundamento ideológico. Malévitch havia publicado um trabalho extenso em que procurava demonstrar que a crença em Deus não tinha nada de contra-revolucionário e propunha uma espécie de prenúncio da Teologia da Libertação.

Em 1925, os russos causaram sensação em Paris, na Exposição das Artes Decorativas e Industriais Modernas, cujo pavilhão soviético foi organizado por Ródtchenko. Ele mandou de Paris cartas para a revista LEF (sigla de Lévi Front, isto é, Frente de Esquerda), fundada e dirigida por Maiakóvski, onde se voltava contra os trabalhos franceses então expostos. Tendo visitado, na mesma ocasião, o Salão dos Independentes, escreveu (desculpem, minha tradução, neste caso, é indireta): “Os franceses realmente já se esgotaram. Há milhares de telas, todas insignificantes e apenas provincianas; realmente, eu não esperava isso. Depois de Picasso, Braque e Léger, não há absolutamente nada, a não ser o vácuo…”.

É no próprio álbum lançado agora que encontro alguns dados sobre como viveu os anos de regime stalinista, pois morreria em 1956. Sabe-se, por exemplo, que trabalhou bastante para cinema e que elaborou cenários para teatro, mas o álbum nos dá também fotos que expressam o triunfalismo do regime, com aqueles desfiles espetaculares de esportistas vindos de todos os cantos da União Soviética. Mas, embora colaborasse com esse triunfalismo, Ródtchenko teve os seus momentos amargos.

Sabe-se, por exemplo, que sofreu uma crítica violenta depois de publicar com sua mulher, a pintora e fotógrafa Stiepânova, a foto de um pioneiro, isto é, membro da organização juvenil que precedia o ingresso no Partido Comunista. O jovem aparecia ali parado e com os olhos dirigidos para cima, o que foi interpretado como uma atitude religiosa, de misticismo barato.

Em 1951, foi excluído da União dos Artistas Soviéticos devido a acusação de formalismo, sendo readmitido somente em 1955.

Uma das expressões máximas de um período riquíssimo, a arte de Aleksandr Ródtchenko nos desafia até hoje com seu vigor expressivo. Já se afirmou, por exemplo, que nossa visão de Maiakóvski, hoje, se deve à impressão causada por sua obra e pelas fotos de Ródtchenko. E o mesmo se pode dizer de inúmeros fatos e homens daquele período. Enfim, toda a nossa visão da época está marcada por esse artista excepcional. (via: blog do IMS)

Resumo:
Aleksandr Ródtchenko (1891-1956) foi um dos grandes inovadores da arte de vanguarda do século XX. Aclamado internacionalmente como pintor, escultor e designer gráfico, Ródtchenko iniciou-se na fotografia na década de 1920. “Em 1924, a fotografia foi invadida por ele com o slogan ‘Nosso dever é experimentar’ firmado no centro de sua estética. O resultado dessa invasão foi uma mudança fundamental nas ideias sobre a natureza da fotografia e o papel do fotógrafo”, explica a curadora Olga Svíblova, diretora da Moscow House of Photography. Ródtchenko aliou a experimentação formal a preocupações documentais sobre a vida política e social da União Soviética em seu período inaugural, dos anos de Lênin até o regime repressor iniciado por Stálin (que o colocou no ostracismo nos seus últimos 20 anos de vida). “Ele introduziu a ideologia construtivista na fotografia e desenvolveu métodos e instrumentos para aplicá-las”, completa Olga. (via: Fernando Rabelo)

Biografia:
Rodchenko nasceu em São Petersburgo, em 1891. Seu pai, filho de um servo, trabalhava num teatro; a sua mãe era lavadeira. No começo de 1900, a sua família mudou-se para uma cidade de província, Kazán, no Oeste de Rússia, onde Rodchenko logo entrou para uma Escola de Arte.

Em 1914, ele encontrou quem seria sua companheira por toda a vida, Varvara Stepanova(1894-1958), artista. Depois de assistir a uma palestra e a uma performance dos futuristas David Burliuk, Vasilii Kamenskii e Vladimir Maiakovski, em 1914, aderiu ao Movimento Futurista.

Mudou-se para Moscou em 1915 e teve sua obra incluída em uma exposição organizada por Vladimir Tatlin em março de 1916, junto com Kasimir Malevich, Lyubov Popova, Alexandra Exter, Nadezhda Udal’tsova e o próprio Tatlin.
Rodchenko tinha 22 anos quando estourou a I Guerra Mundial. Vieram a Revolução de Outubro e a Guerra Civil de 1918-1921. Na época em que pintou obras célebres como “Preto sobre preto”, em 1918, Rodchenko chegou mesmo a passar fome. A Revolução, incluindo sua imensa privação, era sem dúvida inspiradora, mas também gerava severas tensões.

Alexander Rodchenko foi um dos artistas russos mais versáteis dos anos 20 e 30. Como outros muitos artistas dessa época de fervor artístico, experimentou diferentes técnicas de expressão artística, estudando a pintura, a fotomontagem e a fotografia, com o fim de obter imagens sempre inovadoras.

Trabalhou como artista plástico e designer gráfico antes de girar para a fotografia e a montagem fotográfica.

Sua fotografia era inovadora, oposta ao retrato estético da época. Ciente da necessidade de uma série documental de fotografia analítica, fotografou frequentemente seus assuntos em ângulos ímpares - geralmente muito de acima de ou abaixo - para chocar o visor.

Ainda criança, sua família mudou-se para Kazan em 1902 e ele estudou na Escola de Kazan de Arte sob orientação Nikolai Feshin e Georgii Medvedev, e no Instituto Stroganov em Moscou.

Fez os seus primeiros desenhos abstratos, influenciados pela supremacia de Kazimir Malevich, em 1915. Ano seguinte participou da exibição de “The Store”, organizado por Vladimir Tatlin, que era uma outra formal influência em seu desenvolvimento como artista.

Rodchenko foi indicado Diretor do Departamento de um Museu pelo Governo do Bolchevique em 1920. Era responsável para a reorganização de escolas de arte e de museus. Ensinou 1920 a 1930 nos estúdios Técnico-Artísticos mais elevados.
Em 1921 transformou-se um membro do grupo Productivist, que advogou a incorporação da arte na vida diária. Deu acima pintar a fim concentrar sobre livros, filmes e bilhar.
Foi influenciado profundamente pelas idéias e pela prática do cineasta Dziga Vertov, com quem trabalhou intensamente em 1922. Impressionado pela fotomontagem dos dadaístas Alemães, Rodchenko começou suas próprias experiências no meio, primeiramente empregando imagens encontradas em 1923, e de 1924 fotografar suas próprias fotografias também.

A sua primeira publicação, a fotomontagem ilustrava um poema de Vladimir Mayakovsky, “About this”, em 1923. De 1923 a 1928, Rodchenko colaborou com Mayakovsky de forma bastante próxima (de quem fez diversos retratos) no design e layout de LEF e de Novy LEF, as publicações de artistas do Construtivismo.

Muitas das suas fotografias apareceram dentro ou foram usadas como capas destes jornais. Suas imagens eliminaram o detalhe desnecessário, enfatizaram a composição diagonal dinâmica, e foram concebidas com a posicionamento e o movimento dos objectos no espaço.

Durante os anos de 1920, Rodchenko trabalhou com abstração freqüentemente a ponto de ser não-figurativo. Nos anos de 1930, com as mudanças que o Governo implementou nas regras da prática artística, concentrou se em fotografia de desporto e imagens das paradas e outros movimentos coreografados.

Rodchenko juntou-se ao Círculo de Outubro de artistas em 1928 mas foi expulso por três anos por ter se transformado em “formalista”... Voltou a pintar no final dos anos de 1930, parou de fotografar em 1942, e produziu trabalhos expressionistas abstratos nos anos de 1940.  Continuou a organizar exibições de fotografia para o governo durante estes anos. Faleceu em 1956. (via: tipografos.net)

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Gerador de arte:


Olga Svíblova Diretora do Museu Casa da Fotografia de Moscou.

A vanguarda russa do século xx é um fenômeno único no âmbito cultural não apenas na Rússia, mas em todo o mundo. A espantosa energia criativa acumulada pelos artistas dessa época grandiosa ainda fornece alimento para a cultura artística de hoje e para todos os que têm vínculos com o art nouveau russo.Aleksandr Ródtchenko foi, sem dúvida, um dos principais geradores das ideias criativas e do espírito geral da época. Pintura, design, teatro, cinema, tipografia e fotografia, áreas invadidas pelo talento poderoso desse homem belo e vigoroso, foram transformados, desbravando novos caminhos de desenvolvimento.O começo dos anos 1920 foi um “momento intermediário”, para citar Viktor Chklóvski, um dos melhores críticos e teóricos da época, um período em que, embora de modo breve e ilusório, houve ressonância entre experimentos artísticos e sociais. Em 1924, a fotografia foi invadida por Aleksandr Ródtchenko, já então um artista bastante conhecido, com o slogan “Nosso dever é experimentar” firmado no centro de sua estética.1O resultado dessa invasão foi uma mudança fundamental nas ideias sobre a natureza da fotografia e o papel do fotógrafo. O pensamento conceitual foi introduzido na fotografia, que deixou de ser mero reflexo da realidade e se tornou um dispositivo de representação visual de construções intelectuais dinâmicas.Ródtchenko introduziu a ideologia construtivista na fotografia e desenvolveu métodos e instrumentos para aplicá-la. Os procedimentos que ele descobriu se difundiram rapidamente. Foram utilizados por alunos e praticantes com afinidades de pensamento, mas também por adversários políticos e estéticos. Contudo, o uso do “método Ródtchenko”, que incluía a composição em diagonal, introduzida por ele, bem como o encurtamento e outros procedimentos, não garantia automaticamente a dimensão artística de uma obra.A prática fotográfica de Ródtchenko se embaralhava não só, e nem tanto, pelos procedimentos formais tão impiedosamente criticados no final dos anos 1920, mas pelo profundo romantismo interior que lhe era característico já nos anos de estudante. Basta lembrar as cartas de faz de conta que escreveu para Varvara Stiepânova na esteira dos anos em que se conheceram. Esse elemento romântico, incrustado na infância passada nos bastidores do teatro onde seu pai trabalhava, originou o poderoso pensamento utópico do construtivista Ródtchenko, que acreditava na possibilidade de transformação positiva do mundo e da humanidade.Nos anos 1920, em cada nova série fotográfica, Ródtchenko estabeleceu novas metas e produziumanifestos a respeito do que seriam a vida e a fotografia depois de tocadas pelo princípio artísticoconstrutivista. Nos anos 1930, particularmente no final, exaurido pela crítica e pela perseguição, ele tentou analisar a vida e a prática artística, a sua inclusive, cuja evolução era amplamente determinada pelo desenvolvimento da estética do realismo socialista. Aliás, em toda a história da fotografia russa da primeira metade do século xx, Aleksandr Ródtchenko é a única pessoa que, graças a seus artigos e diários publicados, deixou registros especiais, reflexões artísticas de um fotógrafo-pensador que testemunhou cataclismos históricos que geraram em seu interior um conflito trágico entre premissas conscientes e o impulso criador inconsciente.Cansado das constantes transformações revolucionárias que produziram uma realidade distante dosideais inspiradores do seu período inicial de criatividade, ele escreveu em seu diário em 12 de fevereiro de 1943: “Arte é serviço para o povo, mas o povo está sendo levado sabe Deus para onde. Eu quero levar o povo à arte, não usar a arte para levá-lo a algum lugar. Terei nascido muito cedo, ou tarde demais? A arte deve estar separada da política”.2Nos últimos anos de vida, traído por amigos e alunos, privado do direito de trabalhar e sustentar-se, e de participar de exposições, expulso da União dos Artistas e com problemas de saúde, Aleksandr Ródtchenko foi, não obstante, um homem muito afortunado. Ele tinha uma família: a amiga e camarada em armas Varvara Stiepânova, a filha Varvara Ródtchenko, o genro Nikolai Lavréntiev, o neto Aleksandr Lavréntiev e sua família, um clã pequeno, porém muito unido, cheio de energia criativa. Não fosse por essa família, o primeiro museu fotográfico da Rússia, a Casa da Fotografia de Moscou, talvez nunca tivesse existido. Na casa de Ródtchenko,com sua família, descobrimos e estudamos a história da fotografia russa, que seria impensável sem Aleksandr Mikháilovitch Ródtchenko. (via: ims

 


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