Claude Monet, 1873, impressão do nascer do sol
Impressionismo foi um movimento artístico que surgiu na pintura européia do século XIX. O nome do movimento é derivado da obra Impressão, nascer do sol (1872), de Claude Monet.
Os autores impressionistas não mais se preocupavam com os preceitos do Realismo ou da academia. A busca pelos elementos fundamentais de cada arte levou os pintores impressionistas a pesquisar a produção pictórica não mais interessados em temáticas nobres ou no retrato fiel da realidade, mas em ver o quadro como obra em si mesma. A luz e o movimento utilizando pinceladas soltas tornam-se o principal elemento da pintura, sendo que geralmente as telas eram pintadas ao ar livre para que o pintor pudesse capturar melhor as nuances da natureza (wikipédia)
Fichamento do Livro "O Impressionismo". Autor: Maurice Serullaz Editor: Jorge Zahar
[1] O artista impressionista é “o pintor que se propõe a representar os objetos de acordo com as suas impressões pessoais, sem se preucupar com regras geralmente estabelecidas”. (p. 7)
[2] A paisagem predominará sobre toda e qualquer outra forma pictórica. (p. 7)
[3] Os pintores vão doravante trabalhar ao ar livre sobre o motivo...Aí está a sua grande originalidade – no próprio local e o mais rapidamente possível, pois a natureza é cambiante e se trata, não o esqueçamos, de captar uma impressão fugidia. (p. 8)
[4] Tudo o que é reflexo, e, em especial, o elemento fluido, retém de imediato a atenção deles. (p. 8)
[5] Representando o que é por essência, passageiro, os pintores serão levados a executar “séries”...Mas essas séries, em que o artista quer demonstrar essas transformações impostas pela luz, não tardarão em se tornar um sistema donde a espontaneidade – uma das qualidades fundamentais do Impressionismo nascente – logo estará ausente. (p. 8)
[6] Os artistas não mais representarão as formas tal como sabem que elas são, mas tal como as vêem sob a ação deformadora da luz. (p. 8)
[7] È banido o desenho –contorno que define com precisão a forma e sugere o volume. A pespectiva deixa de ser baseada nas regras da geometria, mas é realizada, do primeiro plano até a linha do horizonte, pela degradação de coloridos e de tons que marca assim o espaço e o volume. (p 9)
[8] Os pintores abandonam então igualmente o claro-escuro e seus contrastes violentos. Nem tudo é nuança e e as sombras são sempre coloridaspor reflexos. (p. 9)
[9] “- Admitindo-se que a obra pictórica dependa do cérebro, da alma, isso só acontece por intermédio do olho. É o olho, portanto, que está em primeiro lugar, tal como o ouuvido na música. O impressionista é um pintor modernista que, dotado de uma sensibilidade visual fora do comum, logrou restabelecer um olho natural, ver naturalmente e pintar simplesmente tal qual vê (p133-134).” [Jules Laforgue. Mélanges posthumes, Critique d´art L´Impressionisme. 1903]. (p. 9)
[10]“O impressionista vê e representa a natureza tal qual ela é, quer dizer, unicamente em vibrações coloridas. Nem desenho, nem luz, nem perspectiva, nem claro-escuro, essas classificações pueris: tudo isso se resolve, na realidade, em vibrações coloridas e deve ser obtido na tela somente por vibrações coloridas (pp.136-137).” (p. 12).
[11]O impressionismo, essa impressão fugaz, esse triunfo da sensação sobre a concepção pensada – o “eu sinto, logo sou” de Gide tomando o lugar do “eu penso, logo sou” do cartesianismo clássico -, foi adotado por escritores e músicos depois que os pintores lhes abriram caminho. (p. 12)
[12]Enquanto dois focos provincianos preparavam a eclosão da art noveau, formou-se em Paris o grupo impressionista... buscavam um ensino pictórico liberal, que encontravam simultaneamente na Académie Suisse e no Ateliê Gleye... reuniam-se no café Guerbois...Também precisavam de um líder ...que passou a ser visto, a partir do Salão dos Recusados de 1863, como o porta-estandarte dos artistas apaixonados pela independência: Edouard Manet... Os temas desses jovens pintores deviam ser obrigatoriamente extraidos da Modernidade que Baudelaire já preconizava. Essa modernidade refletia duas novidades da época: a fotografia e o japonismo. (p 38)
[13]Manet permanece vinculado à tradição realista herada de Caravaggio, dos espanhóis, de Hals ou do Coubert, e sua modernidade... Degas quis, ele próprio o disse, ser “o pintor clássico da vida moderna”, e se seus temas... são o reflexo do que ele podia observar à sua volta, suas obras possuem uma permanência que é um dos aspectos principais do classicismo... Toulouse-Lautrec situa-se na posição de estemunha ocular do seu tempo. Evoca a Belle Epoque e seus prazeres falsificados... Claude Monet, Sisley, Pissarro e Renoir foram, sobretudo, sensíveis à animação dos grandes boulevards parisienses, às distrações populares, alegres e saudáveis... os banhos, os botecos... Mas foi Renoir, sobretudo, quem a exprimiu com excepcional genialidade. (p. 46)
[14]A fotografia, que alguns queriam considerar uma arte, tentava fixar a imagem dessa moderinade... revelou a artista aspectos desconhecidos do mundo. Ângulos inéditos, primeiros planos, decomposição de movimenos, sobretudo nos campos de corridas, instantâneos com que os pintores quiseram competir captando também o momento que foge... Assinala-se que, de auxiliar prático, a nova invensão tornou-se rapidamente uma rival. “Ela incita a deixar de querer descrever o que pode espontaneamente inscrever-se”, afirmou Paul Valéry. (p. 46)
[15]A partir de 1854, reatam-se os contatos com o Japão e os artistas franceses descobrem então os grandes mestres da gravura japonesa. Utamaro (1753-1806), Hokusai (1760-1849) e Hiroshige (1797-1858). (p. 47)
[16]Após a interrupção provocada pela guerra de 1870, os pintores – Cloude Monet, Sisley e Pissarro tinham-se reencontrado na inglaterra em 1871 – voltaram a se agrupar na França. E de 1872 a 1885, aproximadamente, assiste-se a eclosão e plena expanção do movimento impressionista, afirmado publicamente na Exposição de 1874, sua primeira manifestação. (p. 48)
[17]Primeira Exposição (1874). Em face das recusas sucessivas de participação de suas obras por parte das autoridades responsáveis pelo Salon, alguns artistas decidiram construir em 1874 uma sociedade anônima cooperativa... e organizaram de 15 de abril a 15 de maio uma exposição no ateliê do fotógrafo Nadar, Boulevard des Capucines 35. Participavam dessa manifestação 30 artistas, expondo 165 obras... Edouard Manet recusara-se a participar. A crítica acolheu essa manifestação com virulenta ironia. (p. 48 e 49)
[18]Segunda Exposição (1876). Em abril de 1876 na Galeria Durand-Ruel... Somente 20 expositores mostraram 250 obras... Cézanne recusara-se a figurar entre os expositores... Essa segunda exposição esbarrou na mesma incompreensão... “Esses pretensos artistas intitulam-se os Intransigentes, os Impressionistas. Pegam nas telas, nas tintas e nos pincéis, jogam ao acaso alguns tons e assinam...” [artigo de Albert Wolff em Le Figaro de 3 de abril]. (p.50)
[19]E Duranty analizou com grande finura a arte desses pintores geralmente depreciados: “...De intuição em intuição, eles chegaram pouco a pouco à decomposição do clarão solar em seus raios, em seus elementos, e à recomposição de sua unidade pela harmonia geral das irisações que derramam em suas telas... O mais sábio dos físicos nada poderia censurar às análises cromáticas desses artistas (...).” (p. 51)
[20]Terceira Exposição (1877). Em abril de 1877, na Rue Le Peletier, 6... Dezoito participantes exibem mais de 230 obras... O mesmo insucesso junto ao público e a grande parte da crítica... O grupo impressionista, ao qual tinham aderido Gaudin e Mary Cassatt, continuava a se reunir regurlamente, não mais no Café Guerbois, mas no café de la Nouvelle- Athènes, Place Pigalle. (p. 52)
[21]Quarta Exposição (1879). De 10 de abril a 11 de Maio de 1879, na Avenue de I´Opera, 28. Aliás, eles já deixaram de se intitular “impressionistas” para adotarem a designação de independentes”... O grupo começa a se desagragar e, portanto, suas exposições deixarão de ter a mesma importância. (p. 52)
[22]Quinta Exposição (1880). De 1º a 30 de abril de 1880, 18 artistas reúnem suas obras na eu des Pyramides, 10... Cézanne, Claude Monet, Renoir e Sisley separaram-se de seus colegas... Paralalamente à desintegração do grupo, 1880 marca um ponto culminante na evolução da pintura impressionista. Puramente instintiva até então, ela tende agora a se tornar mais sistemática. O procedimento e as teorias levarão a melhor obre a impressão pura. (p. 53)
[23]Sexta Exposição (1881). Degas e Pissarro, que continuam sendo o s mais fiéis ao grupo, decidem organizar uma sexta exposicão que será realizada de 2 de abril a 1º de maio de 1881, no ateliê de Nadar. (p 53)
[24]Sétima Exposição (1882). 1882 viu recompor-se, quase na totalidade, o grupo coerente dos começos, salvo Cézanne, Degas e os artistas que não pertenciam à tendência impressionista. A sétima exposição dos Artistas Independentes realizou-se durante o mês de março de 1882, no local alugado por Durand-Ruel na Rue Saint-Honoré, 251 reuniu apenas nove pintores, exibindo 230 obras... Pela primeira vez a exposição alcançou certo êxito tanto de crítica quanto no plano pecuniário. (P. 54)
[25]Claude Monet (1840- 1926). Monet deduziu que toda forma é arbitrária, movediça e cambiante, e que sua precisão só é aparente, de acordo com as horas. Também os coloridos são transformáveis e não têm uma realidade de fato; são apenas a conseqüência dessa mesma luz e de seus reflexos. (p. 61)
[26]Mas nessa tentativa de observar doravante metodicamente e de modo quase científico as mudanças perpétuas de luz, Claude Monet tende a uma sistematização, fatal, de sua arte. (p. 62)
[27]A mais perfeita e a mais depurada forma de impressionismo de Cloude Monet, uma “musicalidade pictórica”, concebida em modulações cromáticas de extremo refinamento, passando insensivelmente do figurativo ao abstrato a fim de fazer desaparecer o objeto ou o próprio sujeito para concervar dele apenas o reflexo em toda a sua fantasmagoria. (p. 64)
[28]Camile Pissarro (1830-1903). “A minha vida confunde-se com a do impressionismo” e que foi o único a participar todas as exposições do grupo. (p. 66)
[29]Revela-se um homem da terra. Em seus quadros,como escreveu Zola: “ouvem-se as vozes profundas da terra”. Sob a influência de Cézanne, sua arte torna-se mais construída, mais “carpintejada” que a dos outros impressionistas... às vibrações luminosas, não sufoca em Pissarro a preucupação com a forma, com a estrutura. (p.67)
[30]Alfred Sisley (1839-1899). Sua arte, toda ela em valores de luz e sombra, aproxima-o também dos mestres da Escola de Saint-Siméon, Boudin ou Jongking, herdeiros como ele de Corot. Sisley adota doravante a técnica impressionista, mas sem manifestar qualquer ousadia em sua concepção pictórica... Tal como seus amigos e em particular Claude Monet, Sisley assinala sua preferência pela água e seus reflexos cintilantes... Sob a influência de Claude Monet, sua arte torna-se cada vez mais difusa, vaporosa... Entre os impressionistas fo o único a não conhecer o êxito, mesmo tardio. Apesar da ausência de virilidade, a obra desse artista delicado vincula-se a uma tradição bem francesa, feita de sensibilidade e poesia. (p. 69)
[31]Auguste Renoir (1841 – 1919). ...Trabalhando na floresta de Fontinebleau, trava conhecimento com Diaz, que o aconcelha, antes de Claude Monet, a abandonar os tons sombrios em proveito dos claros... Depois da guerra de 1870 e até 1883 Renoir adota adoravante a técnica impressionista sob influência de Claude Monet, tanto para as suas paisagens quanto para evocar figuras- personagens ou nus – ao ar livre. Já atribui enome importância às questões de métier, julgando necessári ser, antes de tudo, um bom artesão, omo o foram os mestres da Renascença; mas, também como eles, considera indispensável possuir um ideal: “ Seja qual for o valor dessas causas secundárias da decadência dos nossos ofícios, o principal, no meu entender, é a ausênsia de ideal. A mais hábil mão jamais é outra coisa senão a servidora do pensamento... Mesmo que se chegue a produzir nas escolas profissionais hábeis artesãos, conhecedores dos segredos e da técnica de seu ofício, nada se fará deles se não possuirem um ideal para justificar seu trabalho...” (p. 71). [Carta-prefácio dedicada ao Livre d´art de Cennino Cennini, publicado em 1911, reeditada por Adrien Mithouard]
[32]Ao atribuir à figura humana um papel predominante em suas composições, Renoir eleva o Impressionismo ao nível das grandes etapas da pintura francesa do século XIX: Classicismo, Romantismo e o Realismo.(p. 73)
[33]O próprio Renoir confessou a Vollard: “Só fui realmente eu quando pude desembaraçar-me do impressionismo e voltar ao ensino dos museus...”. (p. 75)
[34]Esse sensualismo da vida – alegria de viver e alegria de pintar – essa arte robusta e sã, cujo realismo sincero é trasnfigurado pela feérie da cor, faz de Renoir o grande poeta da pintura impressionista. Ele rejeita resolutamente todo o sistema: “ As teorias não fazem realizar um bom quadro; na maiorias das vezes, só servem para mascarar a insuficiência de meios de expressão... Não me perguntem se a pintura deve ser objetiva ou subjetiva, eu lhes confessarei que pouco estou ligando para isso!” (p. 77)
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