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Expressionismo


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artistas

Blue Rider Artists. Maria and Franz Marc (left), Heinrich Campendonk (second from right), and Wassily Kandinsky (seated), 1911

 

Fichamento do Livro: Conceitos da Arte Moderna NIKOS STANGOS Editor: Jorge Zahar Pág. 27 a 43. Escrito por Norbert Lynton.

Toda ação humana é expressiva; um gesto é uma ação intencionalmente expressiva. Toda arte é expressiva - de seu autor e da situação em que ele trabalha -, mas uma certa corrente artística pretende impressionar-nos através de gestos visuais que transmitem, e talvez libertem, emoções ou mensagens emocionalmente carregadas. Tal arte é expressionista. Uma considerável parcela da arte do século XX foi desse gênero, especialmente na Europa Central, e o rótulo “expressionismo” foi-lhe aplicado (assim como às tendências comparáveis na literatura, arquitetura e música ). Mas nunca houve um movimento chamado expressionismo. (Pag. 27)

Períodos de crise, em especial, parecem produzir artistas que canalizam as ansiedades de seu tempo para as suas obras. Uma vez admitida a personalidade do artista como fator determinante do caráter de uma obra de arte, como se viu em escala crescente durante o Renascimento, a arte pôde funcionar cada vez mais abertamente como um meio auto-revelação. (Pag. 27)

2- Descobriu-se que o tema, tendo servido como o veículo para gestos expressivos (em certa medida, como o aceitável capa de açucar em redor da pílula do significado), podia ser inteiramente abandonado. O poder expressivo de cores e formas, de pinceladas e textura, de tamanho e escala, era demostravelmente suficiente. Pag.27

3- Rembrandt fez da cor, do chiaroscuro e do pincel, da linha e do contraste em seus desenhos e águas-fortes, inclusive do tema, foi subjetivo em um grau sem precedentes. Quando sua fama aumentou, por volta de 1800, o conhecimento de sua carreira habilitou-nos a representá-lo, a nossos próprios olhos, como o original outside moderno, o gênio rejeitado pela sociedade porque ele conhecia a sua verdadeira natureza e trabalhou em grande parte contra ela. (Pag. 29)

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Rembrandt, auto-retrato

4- O Iluminismo do século XVIII valorizava a ordem acima do indivíduo, mas isso foi invertido com o advento do romantismo. Goya, Blake, Delacroix e Friedrich foram notáveis colaboradores numa campanha de introspecção e, em certa medida, de questioamento social, que varreu de uma ponta à outra todos os campos da arte. (Pag. 29)

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Goya, 1808

5- O renovado romantismo do final do século XIX tornou-se a base imediata do espressionismo moderno. A rejeição da civilização européia por Gauguin e sua celebração de uma existência alternativa em forma e cor emocionais; a súbita mudança da arte requintada de Ensor para uma técnica intencionalmente chocante em que apresentam temas igualmente chocantes; o uso de imagens alucinatórias por Munch, através das quais empresta forma pública às angustias pessoais; a apaixonada, mas controlada, deformação da natureza por Van Gogh e a intensificação da cor natural, a fim de criar uma arte violentamente comunicativa – esses foram os modelos imediatos para os pintores do século XX que buscavam meios expressivos. O exemplo de Rodin, que pôde transmitir emoção convincentemente através da superfícies e poses forçadas da figuras, ofereceu uma base análoga para a escultura moderna. A máquina fotográfica tinha, nesse meio – tempo, feito do naturalismo puro e simples lugar-comum. (Pag. 29)

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Gauguin, 1894

6- Apoio e estímulo vieram também de muitas outras direções – do mundo de sofrimento e sensibilidade anormal tornado palpável nos livros de Dostoievski, da maneira e do conteúdo agressivo das peças de Ibsen e Strindberg, da brilhante e acerba visão de Nietzsche de um mundo sem Deus e a retórica desafiadora em que a apresentou (“aquele que seria um criador ...deve ser primeiro um destrui-dor e despedaçar os valores”), enfim, dos movimentos místicos dos últimos cem anos, em especial, a teosofia de Ruldof Steiner. (Pag. 29 e 30)

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Edvard Munch, 1899, Dança da vida

7- O expressionismo floresceu de forma especilamente abundante na Alemanha moderna. O movimento Sturm und Drang do final do século XVIII tinha sido uma tentativa pioneira de quebrar a influência da cultura mediterrânea sobre um povo nórdico, e o expressionismo alemão do início do século XX estava impregnado de suasa idéias e literatura. Política e socialmente, a Alemanha moderna foi o mais conturbado dos países europeus, com cidadãos de mentalidade de extrema direita e de extrema esquerda usando métodos também extre-mos em suas batalhas pela supremacia, e guerras desatrosas somando-se às misérias ocasionadas por uma industrialização e uma urbanização super-rápidas. (Pag. 30)

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Vicent Van Gogh, 1890, campo de trigo com corvos

8- O expressionismo está principalmente associado a dois grupos informais de artistas: o grupo Die Brücke (A Ponte), de Dresden, formado em 1905 e dissolvido em 1913, e os artistas de Munique que expunham sob a égide de um almanaque intitulado Der Blauer Reiter (O Cavaleiro Azul), do qual só veio a ser publicado em único número em 1912. (Pag. 30)

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Kandinsky, 1903, The blue Rider

9- A guerra de 1914-18 pôs fim à carreira de alguns dos principais expressionistas e deixou para trás uma Alemanha muito diferente; e depois de 1918, a primazia histórica em arte é geralmente atribuída ao movimento Dadá, especialmente efetivo em Berlim durante os primeiros anos do pós-guerra, aos ensaios de arte-e-indústria da Bauhaus e ao movimento contra o expressionismo dos anos 20 que recebeu o nome de Die Neue Sachlichkeit (A Nova Objetividade). Assim o clímax da pintura expressionista ocorreu antes da guerra, embora a principal atividade expressionista na literatura e na arquitetura (o que existia dela) viesse depois da guerra. (Pag. 31)

10- A palavra expressionismo não pretendia, em geral, significar nada de mais precioso do que subjetivismo antinaturalista. (Pag. 31)

11- Os jovens do Die Brücke não tinham intenções estilísticas.(...) Não tinham teorias. O que tinham para oferecer era juventude e impaciência. Suas pinturas, gravuras e ocasionais esculturas readquiriram parte do vigor que a arte alemã perdera desde que a Renascença invadiu o norte europeu. Não tinham programa. Escreveu Kirchner num manifesto de 1906: “Estão conosco todos aqueles que,diretamente e sem dissimulação, expressam aquilo que os impele a criar(...) Conheciam alguma coisa dos fawves; admiravam Munch e gradualmente descibriram Van Gogh; tornaram-se apaixonadamente interessados pela arte africana e por outras artes primitivas. (Pag. 32)

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Ernst Ludwig Kirchner: Spielende nackte Menschen, 1910

12- Wilhelm von Bode, famoso diretor dos museus de Berlim, receava que os expressionistas trabalhassem “não no inocente desejo de criar, mas com a ambição de se fazerem notar a todo custo”. O impressionismo ainda era para muitos o arquiinimigo da decência artística; essa arte mais tempestuosa que viera substituir o impressionismo era ainda pior e confirmava seus temores. (Pag. 33)

13- Uma outra organização surgiu mais ou menos nessa época: a revista e empresa – editora de Herwarth Walden, Der Sturm, iniciou suas atividades em 1910, e sua galeria de arte, com o mesmo nome, foi inaugurada em 1912. Der Sturm tornou-se uma importante força na divulgação das tendências de vanguarda alemãs e centro – européias, mas Walden realizou mais do que isso: levou à Alemanha exposições de arte estrangeira que foram influentes sobre os interesses alemães e, ao mesmo tempo, indicativos desses interesses. Sua primeira exposição, em março de 1912, combinou uma individual do austríaco Oskar Kokoschka e uma coletiva dos pintores do Blaue Reiter de Munique. (Pag.33)

Der Sturm October 1917

14- O individualismo desse gênero foi afirmado em graus variáveis e com justificações várias por muitos expressionistas. Se, de fato, expressionismo significa alguma coisa, ele quer dizer o uso da arte para transmitir a experiência pessoal(...) Artistas como Kirchner, Kokoschka, Nolde etc., parece terem confiado na auto – expressão mais ou menos imediata, na suposição de que isso, se for suficientemente direto, será facilmente cocomunicado a um espectador sem preconceitos. Outros artistas, porém, sentiram a necessidade de testar seus meios e seus impulsos, e modelar gradualmente uma linguagem controlável na qual formulassem suas mensagens pessoais. (Pag. 35)

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Oskar Kokoschka - Portrait of a Girl, circa 1913

15- Os artistas de Der Blaue Reiter eram desta segunda espécie. Der Blaue Reiter foi o nome do almanaque publicado em Munique em maio de 1912. (Pag.35)

16- Gradualmente, sob a influência do primitivismo russo e bávaro, e seguindo o exemplo do fauvismo (que estudou em primeira mão em Paris), Kandinsky reduziu o naturalismo em sua arte e ampliou bastante o seu poder liricamente expressivo.(...) Kandinsky, desenvolveu ainda mais essa arte sem tema, não rejeitando necessariamente todos os indícios de figuração, mas colocando sua ênfase na expressividade total de suas pinturas e por vezes, usando técnica meio improvisadas, a fim de obter o máximo de imediatismo possível.

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Wassily Kandisnky 1913, Composition VI

17- Franz Marc (1880-1916) tentou um movimento comparável de uma arte orientada para o objeto para uma arte de expressão lírica. O papel que a música desempenhou na vida criativa de Kandinsky, levamdo-a à análise teórica e encorajando-o em sua busca de expressão direta, foi desempenhado para Marc por animais. Ele viu em seus olhos uma inocência perdida pelo homen, uma sincronia com ritmos da natureza da qual o homem se divorciara, e pintou-os como imagens simbólicas e também como objetos de comtemplação para alcancar o esclarecimento. (Pag.36)

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Franz Marc, 1911, Os Cavalos Azuis grandes

18- O exemplo de Delaunay foi também de especial importância para August Macke (1877-1914) e para Paul Klee (1879-1940). Kandinsky e Javlensky apoiaram-se principalmente na arte emocional relativamente aberta do fauvismo; Marc, Macke e Klee descobriram em Delaunay um cubismo poético e construtivo. Quando Kirchner e outros eram influenciados pelo cubismo, aprendiam com ele principalmente os meios formais e composicionais de desintegração e nitidez, ao passo que os artistas do Blauer Reiter apreciavam Delaunay por sua harmonias de cor e de estrutura. Viram-no como um construtor e, assim, como o filho direto de Cézanne.

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Robert Delaunay, torre Eiffel 1909-1914

19- A revista Der Blauer Reiter, seria uma compilação de artigos destinados a elucidar suas próprias atitudes e apresentar trabalhos semelhantes em outros lugares e em outros veículos, e a ilustrar o lugar ocupado por essas atividades no contexto mais amplo da criatividade humana. Não apenas a “bela arte” civilizada, mas também a arte e o design primitivos. Não apenas a arte como esporte da civilização, mas também a arte como veículos de esperanças e medos humanos a arte religiosa. Não apenas arte, mas também música, poesia, teatro e o resto. Não apenas obra alemã, mas contribuições da Rússia, França, Itália, todas ligadas pelo desejo de encontrar novos meios de expressão através dos quais transmitir a essência profunda da humanidade. (Pag.37)

Heinrich Campendonk

Heinrich Campendonk. Mann, Pferd, Kuh. c.1918

20- Diante das mudanças nas áreas da ciências e da tecnologia, optou pelo caminho oposto ao percorrido por futurista e construtivista: voltou as costas ao mundo material ou, pelo menos, tentou corrigir o desequilíbrio causado pela ênfase no progresso material ao consignar a arte ao mundo do espírito.

21- Kandinsky procurou ligar diretamente a matéria visual da arte à vida interior do homem. A abstração não era essencial para isso, mas, antes a harmonização dos meios pictóricos com os anseios emocionais e espirituais do artista. Em vez de reforçar os falsos valores de uma sociedade materialista, a arte assim usada ajudaria as pessoas a reconhecerem seus próprios mundos espirituais. (Pag.38)

22- Escreveu Klee: “Quão mais pavoroso este mundo se torna, como agora, mais a arte se torna abstrata”.(...) Adotaram as maneiras enérgicas do expressionismo do Die Brücke, assim como recursos simbólicos que remontam ao tempo de Dürer, a fim de declararem peremptoriamente sua repulsa pelos acontecimentos de seu tempo. (Pag. 39)

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Paul Klee, 1918, Flower Myth

23- A arte alemã dos anos do pós – guerra tende a ser agrupada sob rótulos tais como dadaísmo, nova objetividade e elementarismo (uso elementarismo para indicar os numerosos movimentos alemãs de 1920 em diante, interessados na exploração da forma geométrica como tal, sob a influência do radicalismo russo e holandês). Esses rótulos, ou a adesão irrefletida a ele, interferem bastante em qualquer compreensão adequada do que esses artistas estavam fazendo. (Pag.39)

24- A continuidade de design visionário expressionista pode ser indicada, em certa medida, pelos cenários para o teatro e o cinema alemães dos anos 20. Em todos os demais aspectos que não as belas – artes, os anos de 1918-23 marcam o auge do expressionismo.

25- Também foi em 1919 que Walter Gropius inaugurou a Bauhaus em Weimar. Iria tornar-se famosa como a escola pioneira do ensino e prática do design industrial e da arquitetura modernos, mas inicialmente a Bauhaus também funcionou sob a égide do expressionismo. Gropius (1833-1969) estivera envolvido na exposição da Galeria Neumann e colaborara também na Frühlicht. A equipe que ele reuniu em Weimar consistia quase exclusivamente de pintores e os mais importantes deles – Feininger, Klee, Kandinsky – são expressionistas. (Pag.41)

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Johannes Itten 

26- Em 1916, Itten instalou em Viena uma escola particular de pintura. Ele era todo o corpo docente dessa escola, e seus estudantes variavam consideravelmente em capacidades e inclinações; assim Itten descobriu o que passou a ser conhecido como o curso básico ou fundamental, um curso de iniciação programado para familiarizar o estudante com o caráter dos materiais e as potencialidades dos recursos da arte. Gropius levou Itten para Weimar a fim de administrar um curso análogo na Bauhaus. Retrospectivamente, Itten sublinhou uma outra função do seu curso, “a autodescoberta do indivíduo como personalidade criadora”. O que conhecemos dos exercícios que Itten deu ao seus alunos, assim como de sua própria obra nas áreas da pintura e de tipografia, mostra com clareza que ele estava advogando uma arte de expressão, tanto através dos meios abstratos quanto através também do tema e da ênfase dramática. Resistiu à tentiva de Gropius, em 1922-23, de orientar a Bauhaus, em sua preocupação com a auto – expressão artística, para um envolvimento objetivo no design socilamente útil; e no começo de 1923, Itten teve que ser intimado a se demitir da escola. (Pag.42)


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