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Cianotipia, Cianótipo


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Luiz Monforte, Coleção Gilgamesh, 1984

Luiz MonforteColeção Gilgamesh, 1984

A massificação da imagem graças as tecnologias digitais, tem tornado o ato fotográfico uma ação quase não pensante, assim como várias ações contemporâneas, ou a falta destas, nos assombra uma hipnose coletiva...Talvez isso tenha feito muitas pessoas retornarem às origens do registro da imagem, seja para conhecer, experimentar, não importa, o que vale é que este retorno poderá descondicionar o olhar preso nesta atual relação temporal, podendo ampliar a capacidade de ver. Uma busca pelo olhar demorado, pela experiência da imagem única.

Começo aqui, a passos lentos, apreender os caminhos solitários da alquimia imagética. Sabendo de antemão que nada me é prometido, senão muitas tentativas e erros, mas movido pelo impulso da contra-mão mergulhando nas essências, ou melhor, nas emulsões fotosensíveis, espero aprender e poder compartilhar. Na esperança de encontrar material relevante na rede, segue abaixo uma excelente matéria prática sobre Cianotipia, publicada pelo mestre Luiz Monforte:

Processo fotográfico histórico baseado nas propriedade fotossensíveis de alguns sais férricos na produção de uma imagem. Seu nome deriva da terminologia de um dos químicos componentes de sua solução fotossensibilizadora: ferricianeto de potássio. Essa solução requer apenas a adição de dois outros químicos: citrato de ferro amoniacal e água. A cianotipia é uma prática na qual o papel fotográfico é, de certa maneira, "fabricado" pelo fotógrafo. Sua maior vantagem reside no fator econômico de sua produção. Sua maior limitação: o resultado final será sempre em tons de azul, o que não deve ser confundido com o resultado proporcionado pela heliografia.

Os cianótipos mais comuns são executados sobre papel. Pode-se, no entanto, aplicar sua emulsão sobre tecidos de fibra natural, como algodão e seda. A artista Catherine Jansen produziu, na década de 1970, uma instalação ambiental apresentando toda a mobília de um quarto de dormir impressa com essa técnica. A prática desse método de impressão é tão antiga quanto a própria fotografia. A documentação botánica feita por Ana Atkins, em 1864, é seu maior testemunho. Outros artistas contemporâneos que devem ser mencionados como exímios praticantes da cianotipia são: Bea Nettles, Betty Hahn, Robert Rauschemberg, Jane Stevens e Joan Lyons.

Dado que a solução fotossensibilizadora para execução de um cianótipo é muito lenta, isto é, requer um longo tempo de exposição à luz para gravar uma imagem, é necessária uma fonte de luz muito forte para o trabalho de impressão, geralmente feita por contato do negativo com o suporte escolhido.

Desconsidere qualquer possibilidade de trabalhar com esse e os outros processos aqui descritos num laboratório fotográfico. Com a utilização de uma ampliador tradicional como fonte de exposição, você levaria "séculos" para obter uma imagem subexposta.

Fontes de luz

A melhor fonte de luz para exposição de um cianótipo é o sol. Outras fontes de luz bastante adequadas são lâmpadas de quartzo de 1000W ou, se disponível, a fonte luminosa a carvão de uma máquina de gravação de chapas de offset. Lâmpadas ultravioleta também podem ser utilizadas. Pequenas "mesas de luz" para a gravação de chapas de offset também são bastante adequadas para a exposição de um cianótipo, principalmente por possuírem um sistema de pressão a vácuo, o que permite um contato preciso e eficiente do negativo com seu suporte. A empresa Mecanorma comercializa alguns tipos dessas mesas de dimensões pequenas. As fontes de luz recomendadas também servem aos propósitos dos outros processos artesanais aqui descritos.

Solução Fotossensibilizadora

(solução para estoque)

A química componente da solução sensibilizadora é apresentada em forma granulada e deve ser diluída em água em frascos separados, bem como estocada em frascos de plástico escuro diferentes. Diluídas e estocadas corretamente, as soluções permanecem ativas por cerca de um ano e meio. As quantidades sugeridas abaixo como solução de estoque são suficientes para produzir mais de uma centena de cópias , se o tamanho do trabalho não exceder à dimensão de uma folha de papel ofício.

Materiais

50 g de citrato férrico amoniacal ( de cristais verdes );
35g de ferricianeto de potássio;
1 frasco graduado para a diluição dos químicos;
1 pequena pá de plástico para mistura de químicos;
1 pincel largo e macio para aplicação da química sobre papel;
1 secador de cabelo para secagem;
1 chapa de vidro de pelo menos 4 mm de espessura ( de dimensão igual ou um pouco maior que a do suporte ) pra fixar o contato do suporte com o negativo a ser impresso;
1 bandeja plástica para o banho final da imagem em água corrente.

Os papéis mais adequados para a execução de um cianótipo, bem como para a maioria dos processos fotográficos férricos, são aqueles feitos com fibras naturais e de pH zero, como o Kid's Crane Finish ou Rives BFK, por exemplo. Esses são papéis caros, difíceis de encontrar no merado nacional, devendo ser utilizados "encolados", resistentes à água e de absorção média, como o Fabriano e o Canson, podem produzir bons resultados. Papéis artesanais de boa qualidade também são adequados como suporte, aplicando-se o mesmo tecidos de fibra natural, como algodão e seda. A empresa Moinho Brasil, de Renata Telles, fornece papel artesanal de alta qualidade para esse fim .

Procedimentos

1. Diluir 50 g de citrato férrico amoniacal de cristais verdes em 250 ml de água. A diluição deve ser feita em constante agitação. Deixar em repouso.

2. Diluir 50 g de ferricianeto de potássio em 250 ml de água. Aqui também a diluição é feita em constante agitação. Deixar em repouso.

3. Após 30 minutos de repouso, as soluções devem ser misturadas em proporções iguais, na quantidade ideal para o trabalho que se deseja realizar. 50 ml de solução combinada são suficientes para sensibilizar de três a quatro folhas de papel de 20 x 20 cm de dimensão. A coloração da química deve ser amarelo esverdeada quase fosforecente.

4. Em ambiente sombrio, e com auxílio de um pincel largo e macio, aplique sobre a superfície do papel a solução sensiblizadora em toda a área que será ocupada pelo negativo. É aconselhável, porém não necessário, que se deixe uma margem em torno da área de trabalho.

5. Seque o papel sensibilizado com o auxílio de um secador de cabelos. É muito importante que o papel esteja totalmente seco antes de sua exposição à luz. Papéis úmidos ocasionam manchas no negativo e no resultado final.

6. Exponha à luz o "sanduíche" feito com o papel sensibilizado, o negativo e a chapa de vidro. O tempo de exposição à luz é indicado pela mudança de cor na área sensibilizada. O resultado deve apresentar uma imagem de cor azul-profundo. O tempo de exposição à luz deve ser controlado por uma tira de teste.

7. Exposta à luz, a imagem, que agora se apresenta em tons azuis, devrá ser revelada em banho de água corrente durante aproximadamente 15 minutos, a uma temperatura ambiente, para a remoção total da química sensibilizadora não afetada pela luz. Caso contrário, o resultado ficará manchado.

8. Seque a imagem obtida com um secador de cabelos ou sobre uma esteira ou em um varal.


Atenção

Uma nova camada sensibilizadora sobre um cianótipo finalizado não é aconselhável. O ferricianeto de potássio da nova camada apaga a imagem já impressa.

Algumas sugestões

Desejando intensificar tom de azul obtido, mergulhe a imagem, por alguns segundos , num banho de "água de lavadeira" (cândida) diluída na proporção de 1:20, isto é, 1 parte de cândida para 20 partes de água . Após essa imersão, a imagem deverá ser lavada em água corrente por mais 15 minutos.

Para intensificar o contraste de um cianótipo, adicione 6 gotas de dicromato de potássio (solução a 1%) em cada 4 ml de solução sensibilizadora.

Também é possível rebaixar a a tonalidade de azul cianótipo mergulhando-o numa solução de 20% de oxalato de potássio ou numa de ácido oxálico. Após essa aplicação, a imagem deve ser lavada em água corrente durante 30 minutos.

A tonalização de um cianótipo é possível, porém pouco recomendada, devido ao imprevisível e instável comportamenteo das cores geradas.

São as seguintes as fórmulas e os procedimentos tonalizadores mais estáveis:

Violeta-escuro – Mergulhe a imagem numa solução de amoníaco (50%) e água. Esse procedimento apagará a imagem temporariamente, até que a mesma seja lavada em água corrente durante 5 minutos e tonalizada numa solução de ácido gálico diluído em água na proporção de 1:100. Após a tonalização, a imagem deverá ser lavada em água corrente durante 30 minutos.

Azul-marinho – Mergulhe a imagem numa solução de 5% de acetato de chumbo a 30º C de temperatura. Após a tonalização aimagem deve ser lavada em água corrente por 30 minutos.

Marrom-siena – Banhe a imagem durante 5 minutos numa soluçnao de 6g de ácido tânico diluídos em 180 ml de água. Transfira a imagem para um banho de 6g de carbonato de sódio diluídos em 180 ml de água durante 5 minutos. Após esses banhos a imagem deverá ser lavada em água corrente por cerca de 15 minutos.

Comentário

Esse método de impressão pode ser combinado com o método de impressão Marrom Van Dick, descrito a seguir, desde que o procedimento da cianotipia seja executado antes. A inversão dessa ordem não produz bons resultados, pois a aplicação do ferricianeto de potássio sobre uma "impressão marrom" apaga e mancha a imagem já impressa. Veja, no capítulo seguinte, o trabalho da fotógrafa Joan Lyons para ter uma idéia do que é possível em termos de combinação desses métodos de impressão.  (fonte: Luiz Monforte - http://luizmonforte.com - acessado em 25/10/2010)


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