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Gravura em metal


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Ao contrário da xilogravura e da litografia, que são chamadas técnicas de relevo, a gravura em metal é uma técnica de calcografia. Nas duas primeiras, a tinta de impressão é espalhada e se deposita nas superfícies altas da matriz, no caso da gravura em metal ela é forçada nos sulcos criados na chapa e retirada das superfícies altas. O resultado é uma obra com uma qualidade tátil inigualável.

A gravura em metal é feita em três técnicas principais, que podem ser utilizadas em conjunto. A primeira é o talho-doce criado a partir da incisão com o buril – um instrumento de aço afiadíssimo usado para rasgar a superfície da chapa de metal. Linhas muito finas e precisas podem ser feitas assim. O resultado assemelha-se a um desenho a bico-de-pena, com um fantástico relevo. Cédulas de dinheiro são feitas a talho-doce sobre chapas de aço, e uma das formas de detectar dinheiro falso é perceber a ausência das linhas em relevo.A outra técnica é o criblé. Nela, a chapa é toda perfurada, em vários sentidos, com um instrumento semelhante a uma grossa colher, com pequenas serrilhas na borda. O resultado impresso desse tedioso processo é um preto riquíssimo e aveludado.
Quando o artista está satisfeito com o resultado desse primeiro processo, ele passa a raspar e amassar as perfurações com outros instrumentos até chegar a ponto de destruí-las em alguns lugares. Na impressão final, essas áreas serão brancas, as intermediárias comporão os tons de cinza, segundo o grau de desbaste, até o preto total das áreas preservadas. Poucos artistas se atrevem a enfrentar essa técnica para um trabalho de grandes dimensões!

Água forte: finalmente, temos a mais usual das técnicas de gravura em metal. Nela, utilizam-se vários materiais gordurosos para proteger a chapa, que é então arranhada com instrumentos variados e colocada num banho de ácido. A gordura protege a chapa, deixando as partes expostas à mercê da ação do ácido. Quanto mais tempo no banho, maior a profundidade do sulco criado e mais forte a linha.Uma variação que dá a essa técnica uma beleza ímpar é o uso de breu triturado em um pó bem fino e espalhado e fundido à superfície da chapa. O breu derretido cria pequenas bolhas que protegem a chapa e o ácido morde as partes expostas. Sucessivos banhos e exposições variadas à ação do ácido criam sutis variações tonais, como em uma aquarela. Não é à toa que os ingleses, sendo mestres na aquarela, sejam também mestres na água forte. A tinta é espalhada sobre a chapa e limpa com estopa e jornais velhos, restando somente aquela depositada nos sulcos. A imagem é transferida para o papel por meio de uma prensa. Isso causa uma das características mais marcantes da técnica, que é a gravação da forma da chapa, mesmo que sem tinta, na superfície do papel.
Isabel Pons, Marcelo Grassman e Carlos Martins são expoentes dessa técnica no Brasil.  (texto de Dennis Hanson)

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