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Arte Cinética


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© Palatnik - Cinecromático

O termo cinético está etimologicamente ligado à idéia de movimento. Na tradição artística,é possível localizá-lo, por exemplo, no Manifesto Realista de Antoine Pevsner (1886-1962)e Naum Gabo (1890-1977), em escritos de László Moholy-Nagy (1895-1946) e nas páginasda revista de arte argentina Madí (1946), ainda que saibamos ser a preocupação com omovimento nas artes visuais muito mais antiga, remontando, no limite, aos animaisrepresentados nas paredes de Lascaux. Se isso é verdade, o termo é efetivamenteincorporado ao vocabulário artístico em 1955, por ocasião da exposição Le Mouvement [OMovimento], na galeria parisiense Denise René, com obras de artistas de diferentesgerações: Marcel Duchamp (1887-1968), Alexander Calder (1898-1976), Vasarely (1908),Jesus Raphael Soto (1923) Yaacov Agam (1928), Jean Tinguely (1925), Pol Bury (1922),entre outros. A especificidade da arte cinética, dizem os estudiosos, é que nela o movimentoconstitui o princípio de estruturação. O cinetismo rompe assim com a condição estática dapintura, apresentando a obra como um objeto móvel, que não apenas traduz ou representa omovimento, mas está em movimento. É o caso dos famosos móbiles de Calder, cujomovimento independe da posição e do olhar do observador. Construídos com peças demetal pintadas, suspensas por fios de arame, os móbiles movem-se ao sabor da aragem maissuave, produzindo efeitos mutáveis em função da luz. Ao observador cabe contemplar omovimento inscrito nas obras, "desenhos quadridimensionais", como quer Calder. Asmáquinas e motores construídos por Tinguely (por exemplo, Homenagem a Nova York:obra de arte que se autoconstrói e se autodestrói, 1960), assim como as esculturascibernéticas de Nicholas Schöffer (1912) - a primeira data de 1956 - representam outrosexemplos de trabalhos que implicam movimento real. (fonte: itaucultural)

Críticos como Frank Popper (Naissance de l'Art Cinétique, 1967) tendem a alargar o sentidodo termo abrigando em seu interior conjuntos muito diversos de trabalhos: não apenas osque lidam com o movimento real, mas também aqueles que implicam em movimento ótico.A partir desse sentido ampliado, pode-se pensar na op art como parte da arte cinética.Afinal, replica Victor Vasarely (1908), "o movimento ótico, ainda que ilusório, nãopertence por acaso ao cinetismo?" Além da Galeria Denise René, que reúne um grupo deartistas envolvido com as investigações visuais da op art - Julio Le Parc (1928), LuisTomasello (1935), Carlos Cruz-Diez (1923) etc. -, o Groupe de Recherche d'Art Visuel(GRAV) é outro pólo aglutinador da produção da op art e da arte cinética, em Paris, entre1960 e 1968. Nele se destaca o nome do venezuelano Jesús-Raphael Soto. Entre 1950 e1953, o artista cria obras em que elementos dispostos em série no espaço produzem efeitosde movimento virtual e vibração ótica (Estudo Para Uma Série, 1953). Mas é em 1955 queele se lança mais diretamente em relação às pesquisas cinéticas, fundamentadas nasalterações perceptivas decorrentes seja da posição do observador diante da obra, seja do usode elementos suspensos a vibrar diante um fundo. Os nomes de Karl Gerstner (1930), AlmirMavignier (1925), Jeffrey Steele (1931), Gehrard von Graevenitz (1934) e Larry Pons(1937) aparecem ligados à arte ótica e cinética.

Alguns estudos, como o do crítico inglês Guy Brett, ampliam ainda mais a noção de artecinética, pensando-a como ligada à "linguagem do movimento". Com isso incorporam a elatrabalhos que evidenciam possibilidades de transformação, seja pela posição do observador,seja pela manipulação da obra. Os relevos justapostos que compõem Meodia (1957), deAgam, por exemplo, apresentam figuras distintas em função do deslocamento doobservador. A obra, diz o artista, não está acabada, mas é gestada em cada momento. Aidéia de metamorfose acompanha também os trabalhos de Soto (Metamorfoses, 1954 eModulação em Azul, 1965) e os de Le Parc (Anteojos Para Una Visión Distinta, 1965). Asambiências luminosas de Dan Flavin (1933), por sua vez, figuram entre as pesquisas commovimento a partir do uso da luz fluorescente. Brett inclui o movimento ótico dos relevosde Sérgio de Camargo (1930-1990), as transformações dos bichos manipuláveis de LygiaClark (1920-1988) e a "fragilidade e energia" das droguinhas de Mira Schendel(1919-1988) como parte da arte cinética, já que exemplares da "linguagem do movimento"tal como utilizada na arte contemporânea.

Experiências com o cinetismo e o movimento aproximam artistas e grupos em diversaspartes do mundo, por exemplo, na Itália (Grupo T, de Milão, 1959-1964 e Grupo N, dePádua, 1960), na Alemanha (Grupo Zero, 1958) e nos Estados Unidos, que têm naexposição The Responsive Eye [O Olhar Interativo], MoMA/Nova York, 1965, um marcoda arte ótica e cinética. No Brasil, além dos nomes já mencionados, é possível pensar emalguns artistas que realizaram experiências óticas em seus trabalhos: Lothar Charoux(1912-1987), Almir Mavignier, Ivan Serpa (1923-1973), Abraham Palatnik (1928), entreoutros. Nos anos 1950 algumas pinturas de Luiz Sacilotto (1924-2003) antecipam questõesque serão desenvolvidas posteriormente pela op art propriamente dita. Trabalhos de Sotoestiveram presentes na 7ª Bienal Internacional de São Paulo, 1963. Da 8ª Bienal, em 1965,participaram Vasarely e Tinguely. Mas é na 9ª Bienal, em 1967, que a arte cinética ganhadestaque com a premiação de Julio Le Parc. (fonte: itaucultural)


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