Transdisciplinariedade: a linguagem da ciência como linguagem da arte
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Na produção em arte/tecnologia a transdisciplinariedade é uma obrigatoriedade. Componentes científicos são elementos de linguagem fazendo com que a arte opere com elementos da ciência. Nas produções em arte é comum se usar a relação da " transdisciplinariedade". Mas, na maioria das vezes, a transdisciplinariedade é somente de caráter político-ideológico. Ou, em outras vezes, limita-se a recortes teóricos em contatos com outras disciplinas da área das ciências humanas por contaminações com a Sociologia, História, Literatura em um diálogo com outras disciplinas, num panorama amplo por interpenetrações necessárias em discussões de conceitos de ordem filosófica, estética, comunicacional etc.
Ao pensar os sinais do corpo e o funcionamento da mente são também necessários conhecimentos das ciências cognitivas e das ciências biológicas que nos levam a discussões próprias do corpo, como aparato sensorial do sistema biológico, que está amplificado pelas máquinas e seus softwares. O corpo, como hardware, têm na sua massa de carne seus terminais sensoriais e a mente, como software, processa as informações nas conexões as mais surpreendentes. Nas interações com as tecnologias, o sistema biológico se conecta aos sistemas artificiais e as relações se fazem durante essas conexões. Nas interações, inputs de sinais biológicos são recebidos pelas máquinas que os transformam em paradigmas computacionais e os devolvem por outputs, em respostas que carregam consigo as marcas de um diálogo mediado. São tipos de relação que somente existem nesta fusão do orgânico com o inorgânico. Assim, na arte tecnológica, as ciências humanas não podem ser separadas das biológicas e se fundem às ciências exatas para refletir sobre novas formas de existir. A arte tecnológica se volta, portanto, para o estudo de fenômenos, como processos vitais. Os sinais do cosmos são fonte de criação para os artistas: calor, magnetismo, reverberações, ondas, algoritmos... Finalmente, interessa trabalhar com as tecnologias, explorando a forte dimensão comportamental da arte interativa possibilitada pelas tecnologias digitais que nos permitem desvendar territórios antes não possíveis. Fascina explorar o "sublime tecnológico" ou o absolutamente grande, nossas condições físicas expandidas pelas tecnologias, nosso aparato sensório recebendo poderes ultrahumanos. (Teillard de Chardin). Pretende-se exceder os limites dos sistemas. Tocar, respirar, experimentar a sensualidade de algoritmos, capturar ondas infravermelhas, transformar forças invisíveis dando a elas visibilidade, checar leis orgânicas são entre outras situações mediadas por tecnologias que permitem propagações de consciência, numa simbiose da vida orgânica e inorgânica. As disciplinas que procuram dar conta dos processos mentais são interfaces necessárias para se entender um novo campo sensório-perceptivo.Pesquisas em sintonia com uma mentalidade própria da era digital apontam para novos desenvolvimentos em arte, verificando que os dispositivos tecnológicos são mais do que prolongamentos sensoriais. São próteses cerebrais que nos levam a processos cognitivos e mentais diversos, permitindo propagações da auto-imagem e da identidade a partir de situações vividas com máquinas. O corpo vive fora dele mesmo e desdobra-se durante as conexões. Somente as tecnologias nos permitem ganhar o tamanho da terra, movimentar forças invisíveis, transpor camadas de som, de luz, usar o calor, captar energias, colocar os olhos do homem no espaço sideral entre tantas outras ampliações de nosso campo de percepção. E para isto o artista, têm uma especial tarefa, diz McLuhan, porque sendo um especialista em perceber as mutações sensoriais, o artista consegue enfrentar as tecnologias. São questões que podem estar passando em silêncio e que os artistas podem revelar.