
Malevich, Suprematismo, 1915
Fichamento do Livro "Conceitos da Arte Moderna" NIKOS STANGOS Editor: Jorge Zahar Pág. 121 a 123. Escrito por Aaron Scharf.
O suprematismo é menos um movimento artístico do que uma atitude de espírito que parece refletir a ambivalência da existência contemporânea. Foi quase a atuação de um só homem. Kasimir Malevich (1878-1935) foi o seu espírito contudor. O movimento surgiu na Rússia por volta de 1913. A intenção de Malevich era expressar a "cultura metálica do nosso tempo", não por imitação, mas por criação. Malevich desdenhava a iconografia tradicional da arte representacional. Suas formas elementares pretendiam anular as respostas condicionadas do artista ao seu meio ambiente e criar novas realidades "não menos significativas do que as realidades da própria natureza".
1 - A geometria de Malevich fundamentava-se na linha reta, forma elementar suprema que simboliza a ascendência do homem sobre o caos da natureza. O quadrado, que nunca se econtra na natureza, era o elemento suprematista básico: o fecundador de todas as outras formas suprematistas. O quadrado era um repúdio ao mundo das aparências e da arte passada.
2 - O quadrado e suas permutações - a cruz, o retângulo - pretendiam mostrar os sinais da mão - uma asserção da ação humana... Mas embora as formas geométricas pretendessem transmitir a supremacia do espírito sobre a matéria, também era essencial que demonstrassem uma outra qualidade. "Por que escureci o meu quadrado com um lápis?" , perguntou Malevich. "Porque é o ato mais humilde que a sensibilidade humana pode desempenhar."
3 - Que significado têm, então, os campos brancos vazios em que pairam as formas suprematistas?..."Desfiz a fronteira azul dos limites da cor...emergi no branco...nadem nesce infinito." Esse transcendentalismo cósmico faz eco ao jargão de Kandinsky e às especulações teosóficas da lendária Madame Blavatzky, cujos espíritos germinais influenciaram Malevich.
4 - A arte, acreditava Malevich, destina-se a ser inútil. Jamais deverá procurar satisfazer necessidades materiais. O artista deve manter sua independência espiritual para poder criar. E embora, como tantos dos tantos dos artistas seus colegas na Rússia, Malevich tenha acolhido com satisfação a Revolução de 1917, ele nunca subscreveu a doutrina de que a arte devia servir a um propósito utilitário, orientada para a máquina, para as ideologias sociais e políticas. Opôs-se à subserviência do artista ao Estado, tanto quanto rejeitou a obediência às aparências naturais. O artista tem que ser livre. O Estado, protestou ele, cria uma estrutura de realidade que passa a ser consciência das massas.
5 - Ele repudiou qualquer casamento de conveniência entre o artista e o engenheiro. Artistas e cientistas, insistiu Malevich, criam através de métodos totalmente diferentes. Enquanto as obras verdadeiramente criativas são temporais, as invenções da ciência e da tecnologia são circunstanciais... As obras de arte são manifestações da mente subconsciente (ou superconsciente, como ele chamou), e essa mente é mais infalível do que a consciente.
6 - À luz das declarções de Malevich, é evidente que não só o suprematismo refletiu a essência material do mundo feito pelo homem, como também comunicou um anseio pelo inexplicável mistério do universo.
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