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O Valor da Filosofia


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rodin-  o pensador
Na incerteza da filosofia, ainda existem muitas questões de profundo interesse para a nossa vida espiritual, que deverão permanecer insolúveis ao nosso intelecto. E nenhuma resposta a estas questões poderá ser demonstrada como verdadeira.

Portanto, é parte do papel da filosofia continuar a examinar tais questões, mantendo vivo o interesse especulativo pelo universo, afim de não deixar morrer e acabarmos por ficar confinados a conhecimentos definitivamente determináveis.

Muitos filósofos sustentaram que, a filosofia poderia estabelecer verdades de certas respostas a tais questões fundamentais. Para julgar tais tentativas, é necessário fazer uma investigação sobre o conhecimento humano, e formar uma opinião quanto aos seus métodos e limitações. Portanto, não se pode incluir como parte do valor da filosofia, qualquer série de respostas definidas a tais questões. O valor da filosofia não depende de um suposto corpo de conhecimento, definitivamente assegurável que possa ser adquirido por aqueles que a estudam. O valor da filosofia deve ser buscado na sua própria incerteza. A filosofia é incapaz de dar certeza da verdadeira resposta para as dúvidas que ela própria levanta. Ela sugere numerosas possibilidades que ampliam nossos pensamentos, livrando-nos da tirania do hábito. Talvez seja este, seu principal valor, por causa da grandeza dos objetos que ela contempla, e da liberdade resultante de sua contemplação.

"A vida do homem reduzida ao seu instinto encerra-se no círculo de seus interesses particulares. Esta vida é febril e limitada em comparação à vida filosófica, que é serena e livre. O mundo privado dos interesses é muito pequeno. Se pretendermos uma vida grande e livre, devemos escapar desta prisão e da luta entre a insistência do desejo e a impotência da vontade."

A válvula de escape é a Contemplação Filosófica. Quando esta é pura, não visa provar que o restante do universo é igual ao homem. Pois toda aquisição de conhecimento é um alargamento do Eu, e este alargamento é, melhor alcançado quando não é procurado diretamente. Na contemplação, partimos do não-Eu, e por meio de sua grandeza os limites do Eu são ampliados, pois, através da infinidade do universo, a mente que o contempla participa um pouco desta infinidade. O conhecimento é uma forma de união do Eu com o não-Eu. Existe uma tendência filosófica muito difundida em relação à visão que diz que o homem é a medida de todas as coisas, e que a verdade é construção humana. Esta visão, além de não ser verdadeira, tem o efeito de desposar a contemplação filosófica de tudo aquilo que lhe dá valor, visto que ela aprisiona a contemplação do Eu. A verdadeira contemplação filosófica encontra sua satisfação no próprio alargamento do não-Eu, em todas as coisas que engrandece os objetos contemplados, e assim o sujeito que contempla. As coisas pessoais e privadas tornam-se uma prisão para o intelecto, enquanto o livre intelecto, enxergará, insento de crenças habituais, as coisas, com único e exclusivo desejo de conhecimento. Por isso, o espírito livre, valorizará mais o conhecimento abstrato e universal, do que o conhecimento trazido pelos sentidos, que tanto revelam, como distorcem. A mente que se acostumou com a liberdade e imparcialidade da contemplação filosófica, preservará alguma coisa da mesma liberdade e imparcialidade no mundo da ação e emoção. Assim, a contemplação amplia não somente os objetos de nossos pensamentos, mas também os objetos de nossas ações e nossos sentimentos. Enfim, se pode concluir que, a filosofia, não deve ser estudada, buscando respostas definitivas às suas questões, visto que, tais respostas não podem ser conhecidas como verdadeira, mais sim, em virtude de suas próprias questões, porque tais questões alargam nossa concepção do que é possível e enriquecem nossa imaginação intelectual. Mas acima de tudo, porque pela grandeza do universo que a filosofia contempla, a mente também se torna grande, e se torna capaz daquela união com o universo que constitui seu bem supremo.

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¹Resumo do Texto: Os Problemas da Filosofia. Bertrand Russell. 1912, Oxford University Press, 1959, reimpresso em 1971-2. Tradução: Jaimir Conte. Capítulo XV.


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