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O que a internet faz por você?

Estamos ficando burros com o excesso de informação 'picotada' que lemos todos os dias na internet? Quantos livros você leu ano passado? O estudioso Nicholas Carr escreveu um livro onde ele dá suas impressões sobre como a internet mudou nossas vidas fazendo com que transformemos os dispositivos tecnológicos em extensões do nosso corpo e fazendo com que deixemos de exercitá-los como deveria. Leia a nota que saiu no Estadão e tire suas próprias conclusões.

A internet e o déficit de atenção

14 de agosto de 2011

Nicholas Carr estudou Literatura no Dartmouth College e na Universidade Harvard, e tudo indica que, na juventude, foi um voraz leitor de bons livros. Logo, como aconteceu com toda a sua geração, descobriu o computador, a internet, os prodígios da grande revolução informática do nosso tempo, e não só dedicou boa parte de sua vida à utilização de todos os serviços online como se tornou um profissional e especialista nas novas tecnologias da comunicação sobre as quais escreve amplamente em prestigiosas publicações dos EUA e da Inglaterra.

Certo dia, descobriu que deixara de ser um bom leitor, e, praticamente, um leitor, inclusive. Sua concentração desaparecia depois de uma ou duas páginas de um livro, e, principalmente, se o que ele lia era complexo e exigia muita atenção, surgia em sua mente algo parecido a um repúdio a continuar com aquele empenho intelectual. Ele conta: "Perco o sossego e o fio, começo a pensar em outra coisa. Sinto como se tivesse de arrastar o meu cérebro desconcentrado de volta ao texto. A leitura profunda que costumava vir naturalmente se tornou um esforço".

Preocupado, tomou uma decisão radical. No fim de 2007, ele e a mulher abandonaram suas instalações ultramodernas em Boston e foram morar nas montanhas do Colorado, onde não havia telefone móvel e a internet chegava tarde, mal ou mesmo nunca. Ali, ao longo de dois anos, escreveu o livro polêmico que o tornou famoso, The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains (Superficiais: O Que a Internet está fazendo com Nossas Mentes?, Taurus, 2011). Acabo de lê-lo, de um fôlego só, e fiquei fascinado, assustado e entristecido.

Carr não é um renegado da informática nem quer acabar com os computadores. No livro, reconhece a extraordinária contribuição que Google, Twitter, Facebook ou Skype prestam à informação e à comunicação, o tempo que esses recursos permitem economizar, a facilidade com que uma imensa quantidade de seres humanos pode compartilhar de experiências, os benefícios que tudo isso representa para empresas, pesquisa científica e desenvolvimento econômico das nações.

Mas tudo isso tem um preço e, em última instância, significará uma transformação tão grande em nossa vida cultural e na maneira de operar do cérebro humano quanto a descoberta da imprensa por Gutenberg no século 15, que generalizou a leitura de livros, até então exclusiva de uma minoria insignificante de clérigos, intelectuais e aristocratas. O livro de Carr é uma reivindicação das teorias do agora esquecido Marshall McLuhan, ao qual muitos nem deram atenção, quando, há mais de meio século, afirmou que os meios de comunicação não são nunca meros veículos de um conteúdo, que exercem uma influência dissimulada sobre este, e, a longo prazo, modificam nosso modo de pensar e agir. MacLuhan referia-se principalmente à TV, mas a argumentação do livro de Carr, e as experiências e testemunhos abundantes que ele cita como respaldo, indicam que essa tese tem uma extraordinária atualidade relacionada ao mundo da internet.

Os defensores recalcitrantes do software alegam que se trata de uma ferramenta e que está ao serviço de quem a usa e, evidentemente, há abundantes experiências que parecem corroborá-lo, sempre e quando essas provas sejam realizadas no campo de ação no qual os benefícios daquela tecnologia são indiscutíveis: quem poderia negar que é um avanço quase milagroso o fato de que, agora, em poucos segundos, clicando com o mouse, um internauta obtenha uma informação que, há poucos anos, exigia semanas e meses de consultas em bibliotecas e com especialistas? Mas também há provas conclusivas de que, quando a memória de uma pessoa deixa de ser exercitada, por contar com o arquivo infinito que um computador põe ao seu alcance, ela embota e se debilita como os músculos que deixam de ser usados.

Não é verdade que a internet seja apenas uma ferramenta. Ela é um utensílio que se torna um prolongamento do nosso próprio corpo, do nosso próprio cérebro, o qual, também, de maneira discreta, vai se adaptando pouco a pouco a esse novo modo de informar-se e de pensar, renunciando paulatinamente às funções que esse sistema faz por ele e, às vezes, melhor que ele. Não é uma metáfora poética afirmar que a "inteligência artificial" que está ao seu serviço, corrompe e sensualiza os nossos órgãos pensantes, os quais, aos poucos, vão se tornando dependentes daquelas ferramentas, e, por fim, seus escravos. Para que manter fresca e ativa a memória se toda ela está armazenada em algo que um programador de sistemas definiu como "a melhor e maior biblioteca do mundo"? E para que eu deveria aguçar a atenção se, apertando as teclas adequadas, as lembranças das quais preciso vêm até mim, ressuscitadas por essas diligentes máquinas?

Não surpreende, por isso, se alguns fanáticos da internet, como o professor Joe O"Shea, filósofo da Universidade da Flórida, afirma: "Sentar-se e ler um livro de cabo a rabo não faz sentido. Não seria um bom uso do meu tempo, e com a internet posso ter todas as informações com mais rapidez. Quando uma pessoa se torna um caçador experimentado na internet, os livros são supérfluos". O mais atroz desta declaração não é a afirmação final, mas o fato de esse famoso filósofo acreditar que uma pessoa lê livros somente para "informar-se". Esse é um dos estragos que o vício fanático da telinha pode causar. Daí, a patética confissão da doutora Katherine Hayles, professora de Literatura da Universidade Duke: "Não consigo mais que meus alunos leiam livros inteiros".

Esses alunos não têm culpa de agora serem incapazes de ler Guerra e Paz e Dom Quixote. Acostumados a picotar a informação em seus computadores, sem ter a necessidade de fazer prolongados esforços de concentração, eles perderam o hábito e até a capacidade de fazê-lo. Foram condicionados a contentar-se com o borboletear cognitivo aos quais a Rede os acostuma, tornando-se de certa forma vacinados contra o tipo de atenção, reflexão, paciência e prolongado abandono ao que se lê, que é a única maneira de ler a grande literatura. Mas não acredito que a internet torne supérflua apenas a literatura: toda obra de criação gratuita, não subordinada à utilização pragmática, é excluída do conhecimento e da cultura propiciados pela Rede. Sem dúvida, essa pode armazenar com facilidade Proust, Homero, Popper e Platão, mas dificilmente suas obras terão muitos leitores. Para que dar-se ao trabalho de lê-las se no Google podemos encontrar resumos simples e amenos do que inventaram nesses aborrecidos calhamaços que os leitores pré-históricos costumavam ler?

A revolução da informação está longe de ter terminado. Ao contrário, nesse campo surgem a cada dia novas possibilidades, conquistas e o impossível retrocede velozmente. Devemos alegrar-nos? Se o gênero de cultura que está substituindo a antiga nos parecer um progresso, sem dúvida sim. Mas deveremos nos preocupar se esse progresso significa o que um erudito estudioso dos efeitos da internet em nosso cérebro e em nossos costumes, Van Nimwegen, deduziu depois de um dos seus experimentos: Confiar aos computadores a solução de todos os problemas cognitivos reduz "a capacidade das nossas mentes de construir estruturas estáveis de conhecimento". Em outras palavras, quanto mais inteligente for o nosso computador, mais estúpidos seremos.

Talvez haja certo exagero no livro de Nicholas Carr, como ocorre sempre com os argumentos que defendem teses controvertidas. Não possuo os conhecimentos neurológicos e de informática para julgar até que ponto são confiáveis as provas e experiências científicas que ele descreve em seu livro. Mas esse me dá a impressão de ser uma obra rigorosa e sensata, uma advertência que – não nos enganemos – não será ouvida. O que significa, se ele estiver com a razão, que a robotização de uma humanidade organizada em função da "inteligência artificial" é incontrolável. A menos, é claro, que um cataclismo nuclear, por algum acidente ou uma ação terrorista, nos faça regressar às cavernas. Teremos então de começar tudo de novo, e, quem sabe, dessa vez façamos melhor.

TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

Fonte: Estadão.com.br

 

 

Ampliação da dimenção estética na ciberarte

Arte interativa uma arte comportamental: o computador como sistema

A pesquisa penetra no vasto campo da Arte Interativa como arte da colaboração, da partilha, da emergência, modificando-se conceitos artísticos anteriores centrados em objetos acabados que não podem ser modificados. Nas criações, o computador deve ser pensado não somente como mais um utensílio, uma ferramenta, ou uma máquina para executar artisticamente o que se obtêm com meios que lhe antecedem. Neste momento, procura-se abandonar atitudes que privilegiam a arte da pura representação, em uma postura de "déjà vu" ou "efeito retrovisor" em que os artistas somente produzem formas em técnicas que mais se parecem com o pastel, pintura, colagens. Estas etapas são exploradas, mas não se constituem em seus resultados finais. Imagens trabalhadas em computador pura e simplesmente, somente foram objeto na primeira fase do projeto e respondem agora a eventuais programações gráficas feitas pelo grupo como cartazes, folders. Nem mesmo está interessando somente copiar em fitas de vídeo as criações obtidas em computador, como "efeitos novos" obtidos com os mais sofisticados softwares. Procura-se realizar criações que não se confinem em meios com limites de unidirecionalidade e com uma dinâmica estética específica, pois eles impedem a participação através de dispositivos interativos. (fonte: NTAV / UCS)
Na cibercultura, campo que se insere o presente projeto, as pesquisas artísticas e científicas estão realizando investigações computacionais na qualidade de sistemas em suas possibilidades de ampliar o campo perceptivo. A arte interativa é uma arte mais comportamental que verifica questões como a interatividade em tempo real, a conectividade, a emergência, através de dispositivos de interação, entre outros atributos da arte digital. Para argumentar, é importante a afirmação de Norman White8 da Escola de Toronto: "Até mesmo agora, vinte anos depois, muito poucos artistas descobriram que o computador é muito mais do que uma ferramenta." A tela do computador não deve ser vista como uma mera tela luminosa de pixels em animação que modifica a representação por suas qualidades de cor-luz, gerando variedades formais animadas. A arte deste final de século que utiliza tecnologias é uma arte da interação, da participação, da partilha, que privilegia os estados de vir-a-ser em lugar de produtos acabados. Continua White: "É interessante que os artistas vejam no computador suas possibilidades como dispositivos eletrônicos não somente em seus apelos visuais mas na dimensão comportamental". A Arte Interativa implica em reorganizações profundas da sensibilidade, ampliando o campo de percepção em trocas e modos de circulação que exploram os recursos computacionais como uma linguagem própria e transcendem a arte da pura aparência. Chegamos ao que Roy Ascott nos propõe como a "arte da aparição"9. É a idéia de arte como processo e não mais como obra/objeto ou outro produto que não contém em si o gérmen da mutabilidade. A intervenção do "espectador" é ativa e participativa. Os resultados desta participação se fazem em tempo real, ou no tempo em que se está interagindo. Existem graus maiores e menores de interação, mas em qualquer que seja seu nível, ocorrem mudanças pela ação de quem interage. A "obra" existe enquanto potencialidade e tudo ocorre quando é acordada pelo público. Estamos diante da arte como um campo novo de possibilidades, de uma arte que enfatiza a transformação, a metamorfose, o fluxo, o processo, o vir a ser. (fonte: NTAV / UCS)
 

Arte Interativa e Ciber Cultura

"Uma das características mais constantes da ciberarte é a participação daqueles que as experimentam, as interpretam, as exploram ou as lêem. Não se trata somente de uma participação na construção do sentido mas realmente de uma co-produção da obra, desde que o "espectador" é chamado a intervir diretamente, a fazer a obra acontecer ( a materialização, o aparecimento das imagens, a edição, o desenvolvimento efetivo naquele momento e lugar) de uma sequência de sinais ou de acontecimentos" .(Pierre Lévy)

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Depois do fim da arquitetura

"Não serão interferências formais e plásticas como elementos decorativos ou ainda o pós-estruturalismo na arquitetura que vão dar continuidade à arquitetura moderna proposta por Corbusier, Loos e Gropious. A transformação clamada pela nova tecnologia é sucinta, simples e prática.

Metaforicamente seria como mudar o ponto de vista do observador ou observar com uma outra lente. Ou seja; não é mais a arquitetura que gera o espaço no qual o homem deve se adaptar. O corpo gera a arquitetura onde a mesma está completamente subjugada aos atos do indivíduo. Assim como a tecnologia e os equipamentos que trabalham em função do indivíduo e do corpo e que fascinam pela sua interatividade e indeterminação.

Uma arquitetura incerta que não existe mais como uma forma rígida, determinada ou funcional no espaço mas como movimento do corpo do indivíduo no tempo.

Logo o corpo como gerador do espaço torna-se o objeto de concepção para uma arquitetura adequada à uma sociedade moldada pela tecnologia."

 

Trecho da coluna publicada no fórum ABD por Marcelo Maia.
 

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