
O homem não gosta muito de aprofundar. Mantém-se à superfície; isso exige menos esforço. "Na verdade, nada é mais profundo do que aquilo que é superficial". - profundo como o lodo do pântano. Não existe arte que seja considerada de modo mais displicente do que a arte "plástica". A partir do instante em que o espectador crê ter ingressado no país das lenda, fica instantaneamente imunizado contra as vibrações psíquicas demasiado fortes. Assim, o objetivo profundo da obra é reduzido a nada. É necessário, portanto, encontrar uma forma que exclua o efeito da lenda e, ao mesmo tempo, não entrave o efeito da cor. Para tanto, a forma, o movimento, a cor, os objetos tomados à natureza (real ou não real) não devem provocar nenhum efeito exterior ou que possa exteriorizar-se numa narração. Quanto mais o movimento, por exemplo, for não motivado exteriormente, mais o efeito que ele produz será puro, profundo, interior. (Kandinsky. Do Espiritual na arte.)









