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O artista plástico italiano Lucio Salvatore apresenta 29 obras, entre elas uma série de retratos realizados com o sangue das pessoas retratadas, como Lise Grendene, o artista plástico Eduardo Garcia, a atriz Gisele Itié, Oscar Niemeyer e Mick Jagger. A base do pensamento de Lucio Salvatore tem a convicção de que o mundo de hoje tende a comprimir sempre mais os espaços nos quais os seres humanos podem agir livremente e amadurecer a própria personalidade até cumprir o próprio destino.
Pra testemunhar a imprescindível exigência de todos os seres humanos de voltar ao próprio ser, ele se muniu de um fluido: o sangue. O sangue tem todas as características estruturais análogas do gênero humano, mais ao mesmo tempo fornece para cada um de nós uma leitura precisa de nossa essência específica.
Para Salvatore, o sangue é a linguagem perfeita para dar vida aos retratos das pessoas escolhidas, que ele compõe, derramando sobre suportes de acrílico. O sangue que as pessoas têm doado, uma vez usado para criar o retrato, permite combinar a fisicalidade com a essência das pessoas.
Através do sangue Salvatore exalta a individualidade dos seus modelos “se rebelando contra a força confirmadora do sistema que tende a Vampirizar as pessoas”, observa a curadora da exposição, Daniela Palazzoli, ao enfatizar que “a escolha do artista de usar o sangue nasce da urgência de testemunhar de maneira direta e inequivocável a própria necessidade de retorno do ser ao próprio ser, à identidade própria e dos outros, sentida como imprescindível nesse momento histórico”.
Nesses retratos as pessoas escolhidas não são seres, inconscientemente, mordidos, sugados por falsos seres vivos. Eles são indivíduos que aceitam e são orgulhosos de se expressar e utilizar a própria matéria prima mais preciosa - seu próprio sangue - e de querer dividir o que têm de mais íntimo num diálogo imediato e total com o artista e com todos nós.
Nessa leitura, o artista que retrata e as pessoas retratadas colaboram num diálogo de onde emerge uma nova figura que antes de Salvatore nunca tinha aparecido nas cenas: a figura do artista como “antivampiro”, conclui. (fonte: Centro Cultural Correios)
Até 31/10 exposição no CCC (Centro Cultural Correios Rio de Janeiro)
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