Fazendo eco ao que tem de bom na rede, trago aqui um fragmento muito bom de um artigo publicado pelo site fotografia contemporânea com texto de Annateresa Fabris:
"... Nesse universo constantemente povoado de imagens, no qual estamos aprendendo a pensar em termos visuais, qual é o estatuto da fotografia? Trata-se de um estatuto, sem dúvida, paradoxal, uma vez que, desde a década de 1980, seu caráter homológico está sendo questionado pela emergência da imagem virtual. Considerando que a imagem eletro-óptica nada mais é do que uma série de impulsos codificados, dos quais não é possível imaginar a configuração, Paul Virilio afirma que a palavra “imagem” demonstra ser insuficiente, posto que a interpretação da máquina se diferencia da visão habitual. A simulação numérica, de fato, engendra uma nova dimensão do real, que Edmond Couchot denomina “um analogon purificado e transformado pelo cálculo”, por ser diferente da cópia, da representação e da duplicação. Esse analogon tem um modo de existência paradoxal: apresenta uma aparência perceptível, faz parte do real, mas é totalmente constituído por cálculos, distinguindo-se por isso do real. O universo da imagem numérica comporta duas maneiras distintas de configuração visual. O objeto pode ser descrito matematicamente ao computador que o visualiza na tela. É também possível partir do real, ou seja, de um desenho, de uma pintura, de uma fotografia, decompostos em pixels graças a câmaras especiais. A imagem transforma-se, desse modo, em imagem-matriz, o que lhe confere uma qualidade particular. Seu controle morfogenético não se baseia nem no plano – como na pintura e na fotografia –, nem na linha – como na televisão –, e sim no ponto. A estrutura matricial da imagem permite ter acesso direto a cada um de seus elementos e agir sobre eles. Mesmo nesse caso, a imagem que aparece na tela não possui tecnicamente nenhuma relação com qualquer realidade preexistente. Trata-se de números expressos de maneira binária na memória e nos circuitos do computador, que preexistem à imagem e a engendram. A imagem numérica não é o mais o registro de um vestígio deixado por um objeto pertencente ao mundo real. É resultado de um processo, em que o cálculo se substitui à luz, e o tratamento da informação toma o lugar da matéria e da energia. A lógica figurativa da representação óptica é substituída pela lógica da simulação, caracterizada por um espaço sem lugar determinado, sem substrato material, totalmente liberto do real..." (confira o texto completo)
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