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sobre fotografia: textos, ensaios, documentários, vídeos, referências...

Pieter Hugo

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Emeka Onu. Enugu, Nigeria, 2008 © Pieter Hugo

O sul-africano Pieter Hugo desfruta de uma imagética  associada a um ecletismo próprio das próximas gerações. Também desloca o ponto geográfico, centrado na Europa e nos Estados Unidos, ao produzir em sua própria terra e redondezas, em seus arrabaldes, imerso nas idiossincrasias de sua arte mais atávica. Foi assim com a série “Nollywood”, de 2008, captada na Nigéria: Poderosos retratos oriundos de uma indústria de baixo custo que produz mais de 1000 filmes por ano. A distância do glamour  cinematográfico é expressa com raridade estética. A mesma densidade é refletida em outra série “The Dog Master”cuja representação de um criador de hienas, como se fosse um simples cão, subverte as normas domésticas, do comum, do banal, nos impondo uma aproximação  verdadeiramente surreal. (site do artista)

Leia o artigo "Para uma compreensão além do visível" de Georgina Quintas que entrevistou o artista com Alexandre Belém no Paraty em Foco.

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Arte zen de Marcos Bonisson no livro Arpoador

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Série Aquarpex, Mulher no mar, 2011 © Marcos Bonisson

Com uma edição de imagens cuidadosamente engendrada, o livro Arpoador, do carioca Marcos Bonisson, não é aquele tipo de publicação de um fotógrafo já consagrado em que se enxerga algo que não deveria estar ali, deslizes da relação passional ou eletiva que os artistas mantêm com sua obra. Sua complexidade é paralela à economia com que o fotógrafo é capaz de produzir sua sintaxe, tão poucas vezes revelada em sua essência, na qual o fluxo (que poderia ser chamado de zen) é tensionado à medida que o fio condutor - ou o cordão do célebre arco - é esticado.

Arpoador é uma obra rara produzida por um raro artista. Essa percepção é instantânea a partir das primeiras páginas que propõem ao leitor o que será um percurso essencialmente metafísico, ancorado na mais pura transcrição da imagem fotográfica como arte. É composto de diferentes séries, produzidas a partir de 1997, como Balada do Corpo Solar, Zig Zag, Pedras de Toque e Aquarpex. Ao todo, sãos 58 imagens em p&b.

O livro traz ainda estudos de colagens, maquetes, desenhos e diagramas que colaboram com o leitor para que este penetre no universo particular de Bonisson. Não espere o desavisado encontrar ali as surradas paisagens da famosa praia carioca, onde se localiza a Pedra do Arpoador. Embora muitas vezes sustentado na geografia e na natureza, o roteiro proposto é interior e lúdico.

(Leia artigo de Juan Esteves na íntegra no clipping da Editora Nau, publicado na revista impressa Fotografe Melhor da Editora Europa, edição Novembro 2011)

 

Fogo por Wank Carmo

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© Wank Carmo

Wank Carmo, carioca radicado em Roraima, foi destaque na última edição bimestral da revista Photo Magazine. O periódico dedicou cinco páginas, assinadas pelo jornalista Alcides Mafra, ao trabalho do fotógrafo, que busca retratar a Floresta Amazônica.

Leia um trecho da reportagem:

Entrincheirado em algum lugar da região amazônica, Wank Carmo manda notícias. Más notícias. Seus despachos chegaram até alguns blogues dedicados à fotografia (como o de Clicio Barroso) e seu trabalho saiu na revista de Bob Wolfenson. A mensagem é curta e grossa: a Amazônia está queimando. Andarilho em busca de uma causa, esse carioca de 55 anos vive em Boa Vista, capital de Roraima, depois de bater perna por quase todo o país. Discípulo de Cartier-Bresson e de Sebastião Salgado, Wank está empenhado num ativismo solitário: denunciar a destruição da floresta e os responsáveis por isso. “Vou continuar fotografando e provando que esses caras são inimigos da raça humana”, promete.

Continue lendo no site da revista!

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Wank Carmo

Wank Carmo

© Wank Carmo

Fotojornalista e Documentarista carioca, enraizado roraimense. Em mãos de um trabalho consistente - fotografias de rios, cachoeiras, igarapés, florestas, bichos e pessoas - Wank enfatizou seus mais de trinta anos de profissão sob a sustentação da cor e do estudo como primazia de suas idéias. "Assim como a poesia se constrói também de diversas relações, eu percebo no foco da minha câmara, o retrato de algo sem igual, e até mesmo no breu de uma gruta por uma luminosidade de lanterna, dou graça à fotografia", disse Wank.

Referindo-se a estética da fotografia de moda e cinema, Wank diz alguns detalhes são fundamentais sobre cada situação, "na moda, expressões de movimento dão melhor contextualização a foto; no cinema os melhores enquadramentos são uma busca minuciosa e reflexiva".

Das fotos de jornal impresso, Wank examina, "esta particularidade se deve ao animo de ação real da capital. Das interferências, muitas vezes agressivas do dia a dia, onde os focos são de grande parte, acidentes, buracos, sujeira nas ruas, argumentos políticos e pouca felicidade", disse.

A professora Dra. Maria Eliana Facciolla Paiva (UFRGS) em seu artigo "Estética e comunicação na fotografia": "A fotografia constrói modelos de comunicação com base numa certa habilidade estética, numa defesa da arte quase pictórica utilizando método, técnica e teoria". E nesta categoria Wank Carmo é um ser fantástico. (via: mythospoetico)

Seu trabalho traz a força e a poética da cor como se pode ver na sua série de Peixes e como nos menores detalhes da flora. A cor é um elemento de sustentação de seus trabalhos, além de trilhar com rigoroso gosto e competência na área do PB, mantendo uma estreita ligação com esta linguagem.

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Pictórica Fotografia, Andreas Gursky

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Na segunda metade do século XIX, o "Pictorialismo"(2) tornou-se o primeiro movimento ligado à prática da fotografia a manifestar o desejo de alcançar a dignidade e o estatuto de uma artisticidade refinada ou "sallonard", a que nessa época, de conflito entre a moral e a ciência, só a pintura e a escultura pareciam poder aceder. Determinado pelo elaborado domínio académico e todo-poderoso das chamadas Belas-Artes, essa matriz de espiritualidade culta tornou-se uma espécie de obsessiva tarefa para a nova epistemologia da imagem que ainda hoje designamos por Fotografia. Mas, como manifestação redutora e artificial, o "Pictorialismo" revelar-se-ia uma falsa partida, permanecendo associada a fotografia, pelo menos até meados do século XX, e apesar da reivindicação crescente sobre a sua especificidade artística, a uma certa ideia de menoridade, apressadamente justificada pelo espartilho da pequena escala ou de uma produção na sua esmagadora maioria realizada na exploração cromática do preto e branco, ou dos seus matizes cinzentos, para além de parecer estar muito mais dependente do exercício mecânico, o seu "pecado original", do que de uma manualidade expressiva e artesanal, limitando assim a manifestação dessa subjetividade essencial, fundadora do mito romântico do artista criador. Essa máquina que fixava o instante ou a pose da humanidade, associada à mágica e "alquímica" transformação-revelação da imagem captada, justificara inconscientemente a manutenção da disciplina da fotografia numa espécie de referência menor. Só no final do século XX, com o desenvolvimento tecnológico a permitir a impressão fotográfica de grande formato, é que a fotografia viria a disputar com a pintura a ocupação das paredes dos museus e dos centros de arte de todo o mundo, produzindo a sua própria "imagem-quadro" e ocupando finalmente um lugar de destaque na história desse conceito chave desde a Renascença(3). Depois de várias décadas de pequenas salas para pequenos formatos, a fotografia conseguia finalmente projectar a dimensão artística numa posição de igualdade, com a cor e a grande escala da imagem a promoveram, por assim dizer, a tão ambicionada ascensão ut pictura.

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