"The poem of the mind in the act of finding/ What will suffice. It has not always had/ To find: the scene was set; it repeated what/ Was in the script/ Then the theatre was changed/ To something else. Its past was a souvenir./It has to be living, to learn the speech of the space." Wallace Stevens
Apresentar o que é, o que será o festival artCENA.festival.em.criação é usar a palavra “apresentação” na sua plenitude, pois aqui só teremos “apresentações”, coisas inéditas, criações, gestadas no tempo agora, com as ideias eletrizadas pelo instante. Apresentar, não representar, sair do registro das belas artes, entrar na conexão do pensamento, sentimento, instinto do tempo, não se ater aos sistemas de resultado, de espetáculo, de produto cultural, venal, do cômodo consentido pelo gosto, pela crítica, pela repetição da opinião, pelo desgaste da forma celebrada, pela preguiça do pensamento e falta de coragem da ação. Este é um festival que se inicia sem amarras, de peito aberto para o que vier.
Depois de muitos anos participando dos circuitos nacionais e internacionais de arte, de termos desempenhado funções alternadas e atuando como curadores há mais de dezoito anos, vemos desaparecerem os espaços propícios para a criação. Poiésis, do grego, o impulso humano à criação, invenção, solução, fantasia, algo que nos define como humanos, que de forma alguma é um privilégio dos artistas, que quase sempre encontramos abundantemente na rua em frente à nossa casa, aqui, no Rio de Janeiro, Brasil, lugar da invenção, da re-invenção, do crossover, mas que sistematizado perde o brilho, pois nada pode ser mais restritivo à criação do que a rotina, a ficha de inscrição, a adequação ao edital, as regras de utilização, a acomodação ao gosto médio. Muitas iniciativas no restrito mundo das instituições culturais têm o objetivo de incentivar as artes - assim escrevem - mas não percebem que ao enquadrá-las, catalogá-las e normatizá-las, apagam a chama do desatino, do improvável, do irrestrito, e transformam artistas em máquinas repetidoras de soluções.
Não é fácil imaginar uma proposição tão vasta que não limite, não restrinja, e que, ao contrário, estimule e possibilite o improvável. Quanta ambição num pequeno evento. Mas não devemos nos amesquinhar nessa hora, em nenhuma hora. Faremos a coisa certa! E cometeremos muitos erros nesse caminho que estamos dando a partida agora!
Com o artCENA deixamos de lado as ideias de festival, mostra, bienal, exposição, feira de programação – em crise há décadas - para reunir artistas que vão oferecer criações, novas parcerias, combinações e diálogos com pessoas, tempo e espaço. São quinze artistas/coletivos/companhias, nacionais e internacionais que chegam à cidade para criar.
A arte como experiência mais direta com a vida.
Tudo muito delicado, tudo muito poderoso.
Fábio Ferreira
Setembro/2010
(fonte:http://www.artcenafestival.art.br)
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