Série Traço que me Faço - Sopro - 2011 - medida: 24x30cm
Já não conto a infinidade de vezes que me peguei refletindo sobre técnicas, materiais, tecnologias e processos para alcançar o sonhado estado da arte. Esse aparato necessário, assim como as letras, que nos servem para expressar, podem é muito, ofuscar o verdadeiro conteúdo da obra.
Acredito que este sentimento de impotência, ao tentar trazer o que está dentro pelos meios do artefato, seja palavra ou tinta, deve apanhar muitas mentes inspiradas de surpresa, sem piedade. (Você vai pensar no repertório...memórias, enganos, cópias.)
E o esforço para manter viva a ideia inicial, quando percorremos o caminho do ofício, da trasnformação, temos a tendência de tornar tudo complexo, talvez para treinar a razão e mantê-la saudável ou afirmar para si mesmo que entende melhor o que tentava entender, não sei, mas tenho a sensação de que as ideias iniciais são as mais potentes, pois trazem em si as essências, substância, feeling, tato, o traço, o cheiro inicial e tudo que nos vem ao consciente como por milagre, com força e vida, intuição, inspiração, paixão e ideias, coisas assim que servem de centelha para o criador.
Prefiro me ater no inperfeito traço, do início, que me faço e acredito ali conter a pontência real da expressão interior que nem sempre é traduzivel para a razão , mas sentida de outras formas, sensações e afetos...
Talvez um meio, quem sabe, de desprender-me das categorias, taxonomias, classes e opiniões e mergulhar no universo das ideias, das sensações, do meu infinito particular...
Dois caminhos...
Primeiro: o científico - se equipar ao máximo de todos os aparatos, observar, classificar, experimentar, apreender, e por fim, talvez não, produzir... no risco de se perder no meio do caminho, devido a infinidade de novos aparatos técnicos, processos que surgem com advendo da era digital.
Segundo: o primitivo - automático, sensível, instável, imperfeito, ou perfeito demais, em harmonia com o caos, ou com nossa ordem interior, fechado ao mundo, aberto ao inconsciente, gestual, existencial...Esse é de longe meu escolhido para entrar em estado de hiper-sensibilidade!
Tirando partido da era virtual, penso que é perda de tempo se apegar de ínicio à tecnologias sem fim; acredito que os hibridismos e cibridismos colaboram e mantêm tudo imanente. Para não ficar do lado negro da força, enrrigecido na corrente da era network; abandonei minha compulsão taxonômica (só retorno a ela depois do feito) e apenas crio, não me interessa o meio, suporte, técnica, isso ou aquilo, faço uso de tudo ou quase nada, o que prevaleçe é a expressão, o gesto, a linha, linguagem, verbal ou não, que nos conecta em outra rede universal: o sentido de ser humano, criatura criadora do Criador.
Se conseguir, por alguns instantes, não ser entendido, mas sem categorias, elevar o meu, o seu, o nosso sentido para uma realidade nem sempre visível, que toca, incomoda, questiona, subverte, abraça, perdoa, faz rir ou chorar, e liberta; nossa! Então isso é arte!
Na busca e no devir deixar um sinal, um gesto, um farol, uma mancha, um som para ecoar nos ventos da eternidade... Estive aqui!
É nesse vento que eu vou...
Arte não é para poucos, é para todos...
Cultura é o que acontece...
Arte é o que fazemos!
(E mercado de Arte... é Mercado!)
Ralf Ramos
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