Em cerimônia realizada na noite desta sexta-feira, 27 de agosto, foram anunciados os resultados da 21ª edição do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo.
"Multiplicidades" - o cinema, suas diversas formas e conexões com as outras artes foi o tema que norteou a programação do 21º Festival de Curtas de São Paulo, o Curta Kinoforum
Apesar de não ser competitivo, o Festival levanta as preferências do público através de uma pesquisa que acontece em todas as sessões. O resultado, com os dez títulos internacionais e os dez brasileiros favoritos do publico, serve de base para que parceiros do festival escolham os títulos para suas premiações.
Os dez filmes internacionais mais votados pelo público, em ordem alfabética, foram os seguintes:
41, DE MASSIMO CAPPELLI
20 ANOS, DE BÁRBARO JOEL ORTIZ
7:57 A.M / P.M, DE DAVID LELOUCH
FORA DO REBANHO, DE MATTEO GARIGLIO
EU AMO LUCI, DE COLIN KENNEDY
O CINEMATÓGRAFO, DE TOMEK BAGINSKI
LAS PELOTAS, CHRIS NIEMEYER
ELA NÃO ME AMA, DE MARTIN PIROYANSKY
O HOMEM DE SEIS DÓLARES E MEIO, DE MARK ALBINSTON E LOUIS SUTHERLAND
SALTO MORTAL, DE ARNE TOONEN
Também em ordem alfabética, estes são os curtas-metragens brasileiros eleitos pela audiência:
AVÓS, DE MICHAEL WAHRMANN
BABÁS, DE CONSUELO LINS
BAILÃO, DE MARCELO CAETANO
CARRETO, DE MARÍLIA HUGHES E CLÁUDIO MARQUES.
EU NÃO QUERO VOLTAR SOZINHO, DE DANIEL RIBEIRO
JANELA MOLHADA, DE MARCOS ENRIQUE LOPES
LEMBRANÇA, DE MAURÍCIO OSAKI
NINJAS, DE DENNISON RAMALHO
NO BALANÇO DE KELLY, DE ANDRÉ WELLER
RECIFE FRIO, DE KLEBER MENDONÇA FILHO
Embora de caráter não-competitivo, o Curta Kinoforum - Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo estimula parceiros do evento a conceder premiações que resultem na maior difusão e circulação das obras contempladas. Ainda organiza, com empresas da área de infra-estrutura audiovisual, o Prêmio Revelação, exclusivo para produções dos cursos de cinema participantes da seção Cinema em Curso e do Panorama 9 da Mostra Brasil.
O realizador da obra vencedora recebe locação de equipamento, luz e maquinaria da QUANTA, diárias de câmera RED ONE da JKL - Cine e Digital , cessão de edição de som e trilha sonora para curta de até quinze minutos da PLAYRK30, oito horas de correção de cor, mixagem 5.1, sonorização e print máster para curta de até 15 minutos dos ESTÚDIOS MEGA , transfer de vídeo de até 15 minutos para película 35 mm da MEGACOLLOR, negativo para transfer de filme até 15 minutos da FUJIFILM, licença doble para curta-metragem da DOLBY , apoio técnico com empréstimo de câmera e acessórios, serviço de mixagem e uma cópia legendada em 35mm da CTAV.
Participantes de todas as idades podem inscrever gratuitamente um trabalho em vídeo inspirado no centenário de Noel Rosa
O Prêmio BRAVO! Bradesco Prime de Cultura abre uma grande oportunidade para os amantes da arte digital — e/ou de Noel Rosa: este ano, em que o sambista completaria seu centésimo aniversário, videomakers amadores e profissionais de todo o Brasil e de todas as idades ganham uma chance de mostrar seu talento. A 6ª edição do Prêmio BRAVO! Bradesco Prime de Cultura, um dos mais importantes do país, anuncia uma nova categoria, Arte e Cultura Digital.
A escolha do autor de Com que Roupa? ePalpite Infeliz para lançar a nova categoria não se deu por mera oportunidade. Noel sempre demonstrou interesse pelas intersecções entre arte e tecnologia, ganhando proeminência e popularizando o samba de morro graças às transmissões de rádio, a mídia mais moderna nos anos 30. “Se fosse um homem do século 21, ele certamente estaria divulgando seu trabalho por meio de blogs, redes sociais e no youtube”, diz o diretor de redação da BRAVO!, João Gabriel de Lima.
Os interessados podem se inscrever gratuitamente até o dia 15/09. Para participar, devem acessar a página da BRAVO! na internet (http://bravonline.abril.com.br/premio-bravo) e preencher a ficha de inscrição, que inclui um breve descritivo do projeto e, posteriormente, enviar o vídeo. Uma comissão composta pela redação da revista BRAVO! irá escolher seis vencedores, que terão trechos transmitidos na grande noite de premiação, que acontece em 25 de outubro na Sala São Paulo. Só serão aceitos trabalhos feitos no suporte vídeo, com duração máxima de dez minutose criados digitalmente. Os diretos autorais e de imagem envolvidos devem ser respeitados.
BRAVO! é uma publicação mensal da Editora Abril. Criada em 1997, rompe com o preconceito que coloca a arte e a cultura num patamar inatingível, elitista. Com linguagem leve, mas indo além do óbvio, apresenta um painel amplo e variado das artes plásticas e digitais, cinema, música, teatro, dança e literatura. Mensalmente são realizados Encontros BRAVO! com personalidades na FNAC Pinheiros e Centro de Cultura Judaica (ambos em São Paulo), na Casa do Saber (do Rio de Janeiro) e na Academia de Ideias (Belo Horizonte). Há 4 anos, a revista também realiza o prestigiado Prêmio BRAVO! de Cultura, que homenageia artistas e realizadores do segmento.
Acompanhe com a Ímã Foto Galeria, o "Especial João Roberto Ripper -- Imagens Humanas". Dividido em 5 partes com Direção de Egberto Nogueira, o especial estará sendo apresentado durante os meses de julho e agosto. A proposta profissional do fotógrafo João Roberto Ripper é colocar a fotografia a serviço dos direitos humanos com o intuito de lutar por essa igualdade. E é essa sensibilidade e desprendimento com seu próprio "ego", que tornam o fotógrafo, um profissional renomado, e admirado não só por críticos de arte, mas pela uma população inteira.É com grande satisfação que a Ímã Foto Galeria apresenta para todos vocês, a Parte I do "Especial João Roberto Ripper -- Imagens Humanas".(fonte: imã fotogaleria by youtube)
Encerramento com o Ministro Juca Ferreira do I Encontro da Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil - RPCFB, realizado em Brasília. Dezessete estados brasileiros representados, mais de 140 pessoas ligadas as mais diversas áreas envolvidas com o fazer fotografico: fotógrafos, educadores, curadores, galeristas, movimentos sociais, ONG´s, observadores internacionais e a presença do Ministro da Cultura marcaram definitivamente uma nova guinada na fotografia brasileira. O projeto do Encontro surgiu com a criação da RPCFB, pautada na carta de Paraty em setembro de 2009, a partir da qual foram iniciadas as articulações com o Ministério da Cultura para a realização de um evento de caráter nacional. Idealizada dentro do contexto midiático, onde a internet encurta distâncias e possibilita uma rápida e intensa troca de informações, RPCFB surge como fruto de um novo momento aglutinador que tem um pé nas semanas nacionais de fotografia, idealizada pela FUNARTE e outro na necessidade de mirar o futuro estabelecendo parcerias, sejam elas institucionais, acadêmicas, pessoais, afetivas. (fonte: imã galeria by youtube)
Entrevista com a artista digital e pesquisadora Giselle Beiguelman, para compor a pesquisa "A Arte do Cibridismo". Este projeto foi contemplado pela Fundação Nacional de Artes FUNARTE, no Edital Bolsa Funarte de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais/Internet. Todos os conteúdos do vídeo e da pesquisa estão licenciados em Creative Commons: Atribuição, uso não-comercial e compartilhamento pela mesma licença, segundo a Licença 3.0 Brasil. O conceito de cibridismo usado é desenvolvido por ela no artigo “Admirável Mundo Cíbrido“, em alusão à obra de Aldous Huxley “Admirável Mundo Novo”. A pesquisa "A Arte do Cibridismo" será estruturada, pensada e disponibilizada pelo blog culturadigital.br/artedocibridismo Para ler a entrevista na íntegra, acesse culturadigital.br/artedocibridismo/entrevistas/giselle-beiguelman/
Formatos emergentes reinventam os modos de difusão das imagens e anunciam o cinema da era da conexão
Nunca tantas imagens foram produzidas. E, mais importante, nunca foram colocadas tantas imagens em circulação. A popularização das câmeras digitais e a multiplicação dos canais de distribuição explicam essa situação. Mudam com isso modos de produzir e consumir vídeo e cinema, implicando novas concepções de imagem e circuito, como o OpenVideo e o Cinema 4K.
O OpenVideo não é um formato, mas um sistema que engloba a discussão de parâmetros e princípios para garantir o desenvolvimento, a distribuição e a criação de vídeo online em plataformas livres e em formatos de código aberto.
O debate ganhou força com o HTML 5, atualização da linguagem que está por trás do conteúdo na internet (o HTML), que pretende eliminar a necessidade de plugins para visualização de conteúdo multimídia (como vídeos e animações em Flash).
O Cinema 4K é um cinema digital de altíssima definição, com uma resolução de mais de 8 milhões de pixels. Na prática isso quer dizer 4 vezes a definição da imagem em vídeo HD e 24 vezes a das imagens que vemos na televisão.
Apesar de ser uma forma de imagem idealizada para projeção em telas de grande dimensão, já começa a se infiltrar na Internet e alguns vídeos produzidos com essa tecnologia podem ser assistidos no YouTube.
Contudo, dependem ainda de monitores bastante grandes, não muito comuns, e de placas de vídeo poderosas, além de bandas de transmissão de altíssima velocidade que impedem ainda a fruição da ultradefinição desses vídeos na web.
Estas duas tendências têm pesquisadores relevantes no Brasil e mostram, como fizeram IvanaBentes e ErickFelinto, em um livro recente, que é tempo de pensar a ecologia das imagens digitais, refletindo sobre a cadeia de produção e o consumo em relação às estéticas que engendram e aos seus contextos de recepção.
Em entrevista a Trópico, Diego Casaes, Pedro Markun e Daniela B. Silva, membros do Mozilla Drumbeat no Brasil, “ciberlaboratório” de Fundação Mozilla, falam do OpenVideo e das iniciativas a ele relacionadas. Na sequência, conversamos com Jane de Almeida e Cícero Silva, da equipe de coordenação do projeto 2014K, que pretende transmitir a próxima Copa em 4K.
São inúmeras possibilidades que se abrem, com apenas uma certeza: a realidade das imagens, entre telas de pequeno, médio e grande formato, está sendo reinventada.
Cultura do remix e livre expressão são sinônimos da criação artística de vídeo. As possibilidades do vídeo digital são limitadas apenas pela imaginação do criador e pelas restrições legais e técnicas que são impostas à sua criatividade. Seja por cortes de discursos políticos, misturas de cultura pop ou exploração de trabalho novo e original, estamos na encruzilhada de arte, narração de histórias e participação. Vídeo na internet não pode simplesmente ser “internet TV” ou um sistema sob demanda glorificado. Para seu potencial ser completamente realizado, vídeo online deve ser um meio dinâmico que convida ao recorte, arquivamento, remixagem, colagem, repropósito e outras transformações. Como um meio, vídeo online será mais poderoso quando for fluido, como uma conversa. Como o resto da internet, o vídeo online deve ser direcionado a encorajar participação, não apenas consumo passivo.
O advento do vídeo online, e a ameaça da pirataria, tem levado à restrição de acesso e manobras legais para bloquear conteúdo e restringir uso da matéria-prima da cultura. A erosão da licença criativa tem transformado fãs em adversários e aumentado o apoio da indústria em estruturas de direitos autorais ultrapassadas para proteger modelos de negócio estáticos. Artistas continuarão a lançar trabalhos que se utilizam da cultura popular como eles têm sempre feito e a escolher vídeo como um meio de expressão artística. A questão é se o direito legal e as ferramentas técnicas para criar serão abraçados ou restringidos. (fonte: http://openvideoalliance.org/issues/video-art-remix-culture/?l=pt)
Reconhecer e entender as arestas da vida on e off line talvez seja uma tarefa complicada em tempos carregados de tecnologia. E compreender que elas já não mais existem permitindo a co-ação destes dois mundos? Nomenclaturas e conceitos tais como realidade aumentada, cibridismo e cibercultura fazem hoje parte do cotidiano de qualquer um, mesmo que de forma inconsciente. Giselle Beiguelman, doutora em História da Cultura pela USP e professora da pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP, transporta tudo isso para a arte de forma fantástica. Seu trabalho é reconhecido internacionalmente e se destaca por envolver desde literatura e web art até mobile art, abrangendo pesquisa teórica associada à produção poética. Nesta entrevista, conversamos sobre seus projetos, paradigmas da arte no mundo virtual, volatilidade da fotografia e memória frente aos avanços tecnológicos. O curioso é que as respostas "aquietam" algumas questões, mas ao mesmo tempo, dão vida a outras várias interrogações. Talvez esteja aí a graça da coisa, tudo bem longe de ser um ponto final.
Manu Melo Franco – Para começarmos, qual o significado de algumas "tags" constantes quando o assunto é web arte. O que é o cibridismo, a realidade aumentada e como elas se relacionam no nosso cotidiano?
Giselle Beiguelman – O cibridismo, originalmente, na definição do arquiteto Peter Anders, é a projeção de elementos virtuais no mundo real. Eu utilizo essa definição de uma forma uma pouco distinta. Entendo o cibridismo como uma intersecção entre redes on e off line. A Realidade Aumentada é uma linha de pesquisa da computação que busca a criação de ambientes que envolvem elementos da realidade virtual e real. Nessa perspectiva, a Realidade Aumentada, pode ser compreendida como uma dimensão do cibridismo. Nosso cotidiano já é cíbrido. Vivemos entre redes on e off line. Os recursos de Realidade Aumentada atendem a essa condição emergente, permitindo, por exemplo, acessar informações adicionais sobre um determinado lugar, utilizando aplicativos instalados no celular.
Manu Melo Franco – A tecnologia como arte envolve inúmeras questões que "afrontam" nossa maneira usual de digerir uma obra, desde a concepção até a recepção. As variações de suporte, as inúmeras possibilidades de transmissão, a ideia do espectador como co-autor significam uma maneira mais livre e menos pragmática de criar e entender arte?
Giselle Beiguelman – Eu não diria que existe uma tecnologia que é arte, mas sim que existem criações que problematizam esteticamente a tecnologia. Isso não é nada novo. Basta pensar na Renascença e em como a perspectiva clássica colocou em circulação um modo totalmente distinto de ver e perceber. Todas essas variáveis que você menciona certamente introduzem novos repertórios de criação e recepção. O mais importante, contudo, não é o fato de lidarem com tecnologia, mas sim o de serem mediadas por um dispositivo que é uma máquina em rede e que é, a um só tempo, um máquina de leitura, escritura – seja ela textual, audiovisual, imagética etc – e publicação. Isso converte o espectador em editor do processo e introduz novas dinâmicas no circuito. Elas certamente permitiram um alargamento da capacidade de produção e vazão do conteúdo, diminuído o peso de alguns intermediários, mas introduziram outros, como o acesso às velocidades de conexão, equipamento etc. Eu não diria que as tecnologias ligadas à rede não criam por si só uma maneira mais livre de criar e entender arte, mas sim que configuram um território novo com outras possibilidades. E, dentro desses territórios, modelos econômicos e culturais interessantes que propõem articulações alternativas entre os circuitos on e off-line.